Resumo: As mudanças da empregabilidade na sociedade da informação e o surgimento de novos nichos de trabalho para o bibliotecário e outros profissionais da área da informação. Nesse contexto são discutidos o mercado de trabalho, atividades informacionais, formação, habilidades e outras qualificações requeridas para o profissional que trabalha em um ambiente de arquitetura da informação.
Palavras-chave:
Bibliotecário; Profissional da informação; Arquiteto da informação;
Empregabilidade; Sociedade da informação; Espaços digitais.
Abstract:
Changes in employment patterns within the information
society, and the appearance of the information architect (as a new job) are
discussed with the purpose of identifying its labor market to librarians and
others professionals as well as informational activities, skills, and other
qualifications that are required from the information architect.
Keywords:
Information architect; Employability; Information society; Librarian;
digital spaces.
Introdução
O progresso e as soluções em tecnologias da informação causam profundas
modificações no mercado de trabalho fazendo surgir novos ofícios que trazem
reflexos nas estruturas organizacionais e planos de carreira. A estrutura
educacional formal neste ambiente de mudanças dificilmente acompanha na
mesma velocidade, as demandas de pessoal qualificado que surgem a todo o
momento forçando as organizações a buscarem em seus quadros indivíduos que
possuam um conjunto de competências mínimas requeridas e ao mesmo tempo
buscam a qualificação de seus recursos humanos com novas habilidades no
sentido da realização eficiente de tarefas.
Os requisitos para o desempenho das atividades é dinâmico, sendo assim, o
processo de busca por novas competências é complexo, pois demanda
habilidades e conhecimentos específicos. As organizações têm selecionado
indivíduos que apresentem requisitos essenciais ou que possuam potencial
para melhor incorporar competências necessárias para as novas atividades.
Os dados para melhor identificar as tarefas dos profissionais que atuam com
a arquitetura da informação, assim como a relação dessas tarefas com perfis
diferenciados têm como base as pesquisas de Soares e Baptista
(2006); Gentil (2005); Baptista
(2005); Nardini (2002) e Paz (2000).
Na pesquisa de Soares e Baptista (2006) percebeu-se que os
respondentes de formações variadas se posicionaram quanto à participação de
profissionais da área da computação, biblioteconomia, administração e
comunicação na construção de espaços informacionais no ambiente da web. Os
estudos sobre empregabilidade aparentemente explicam a atuação desses
profissionais, pois confirmam a necessidade de ter um conjunto de
habilidades, qualificações e formações necessárias para esse mercado.
Conceitos sobre empregabilidade
Nos últimos anos, as organizações vivenciaram grandes desafios como, por
exemplo, a globalização econômica, a intensiva evolução dos meios de
comunicação, o imenso desenvolvimento tecnológico, competitividade
organizacional, etc. Estes aspectos transformaram sensivelmente à relação
entre empregador e empregado como também fizeram surgir novos conceitos
relacionados à empregabilidade.
A empregabilidade amplia as chances de um profissional exercer plenamente suas atividades aninhadas com as necessidades organizacionais, aumentando a atratividade em potenciais contratantes. Empregabilidade é a condição de ser empregável, isto é, de dar ou conseguir emprego para os seus conhecimentos, habilidades e atitudes intencionalmente desenvolvidos por meio de educação e treinamento sintonizados com as novas necessidades do mercado de trabalho (Minarelli, p.11, 1995).
O autor ainda destaca como bases da empregabilidade: adequação profissional, competência profissional, saúde física e mental, reserva financeira e fontes alternativas de relacionamentos. Sobre as alterações no mundo do trabalho, Castells (1999, p.285) afirma que:
a reestruturação de empresas e organizações, possibilitada pela tecnologia da informação e estimulada pela concorrência global, está introduzindo uma transformação fundamental: a individualização do trabalho no processo de trabalho. Estamos testemunhando o reverso da tendência histórica da assalariação do trabalho e a socialização da produção que foi a característica predominante da era industrial.
Além do advento das novas tecnologias, a empregabilidade é influenciada
por outros paradigmas como: a fragilidade do emprego que aparece após a
globalização, a competitividade e outros fatores atrelados a uma exigência
cada vez maior por especialização, para quem quer se inserir no mercado.
Outro dado interessante, a ser considerado nesse contexto, é que a formação
desses profissionais não está necessariamente relacionada com as
competências adquiridas na escola, mas sim na experiência diária e em
atributos pessoais (Kovács 2002 apud Alves,
2004).
Quanto à qualificação exigida pelo mercado, Paiva (2004,
p. 2) comenta:
Capacidade de pensamento abstrato ou de prospecção, bem como as próprias qualidades pessoais, se tornou valor de troca explícito – o mundo de hoje compra experiência contemporânea vivida, habilidade no relacionamento pessoal, capacidade de trabalho em grupo. Mesmo altamente qualificados, segmentos etários com mais idade são facilmente descartados, por vezes, pela simples suspeita de que não possam adquirir novos conhecimentos e se adaptar ao uso de tecnologias modernas ou por se manterem no meio profissional como memória de uma época quando existia maior proteção social com conseqüente atuação potencialmente disruptiva em relação à nova ordem.
Os autores da área da Sociologia do Trabalho descrevem o período “pós-fordismo” como uma época em que as empresas encolhem e que se privilegia a preparação do capital humano, ou a capacitação do empregado. O trabalhador enfrenta o dilema do emprego sem segurança, da precarização do emprego e/ ou da falta do emprego.
O Estado contemporâneo não se sente mais responsável pelo pleno emprego. As corporações transnacionais, que definem os vetores tecnológicos que parametrizam a empregabilidade, também não. Cada um que encontre sua oportunidade corra o seu risco, seja um responsable risk taker. Quem está na periferia do capitalismo mundial, que encontre seu lugar no informal, que invente seu emprego (Dupas, 2005).
Com essas mudanças no mundo do emprego, aparecem algumas contradições
apontadas por Kovács (2002) apud Alves
(2004) e outros. A autora comenta que, por um lado, o número de exigências
aumenta em termos de competências e habilidades para os trabalhadores. Por
outro lado, a garantia de emprego é reduzida, com o surgimento de novas
formas de trabalho, específicas da sociedade pós-industrial e a escassez do
trabalho.
Lavinas (2006), contextualizando as explicações para
empregabilidade na sociedade pós-industrial, discute, num estudo que observa
a questão de gênero, precarização do trabalho e outros aspectos, que a
empregabilidade está relacionada com a questão da qualificação versus
competência e a aspectos subjetivos, tais como: criatividade,
responsabilidade e iniciativa.
A bibliografia internacional sobre os novos paradigmas produtivos aponta como característica indispensável da força de trabalho pós-fordista e pós-taylorista seu perfil polivalente e multifuncional, cada vez mais necessário em razão da “divisão menos acentuada do trabalho e da integração mais pronunciada de funções” próprias do modelo flexível de organização do trabalho [ver Hirata,1997]. Isso estaria levando a um fortalecimento dos aspectos subjetivos do trabalhador na realização das atividades que lhe são demandadas. (Lavinas, 2006, p. 8)
A autora discute o uso do termo empregabilidade e chama a atenção para o
aspecto sobre a questão da competência e aptidão:
O uso do termo “empregabilidade” remete igualmente às características individuais do trabalhador capazes de fazer com que possa escapar do desemprego mantendo sua capacidade de obter um emprego [ver Gazier,1990]. Porém, as características aqui mobilizadas são relativamente distintas daquelas que constroem a noção de competência, pois acionam aspectos normativos — educação, habilidades, experiência — que podem ser adquiridos mediante formação profissional. A dimensão subjetiva aqui é, assim, menos enfática e estruturante que na noção de competência. O divisor de águas entre trabalhadores empregáveis ou não empregáveis reside no seu grau de aptidão para um determinado trabalho. No enfoque da competência, há muito mais em jogo do que tão-somente a aptidão específica. Demandam-se qualidades cujo domínio tem aprendizado distinto, outro lag de tempo{ Lag é um termo em inglês que se refere a atrasos que se podem experimentar na comunicação entre computador (internet, por exemplo), podendo aplicar-se a outras situações, como comunicação via satélite ou mesmo em comunicação escrita.(Wikipédia)} e também outras dimensões cumulativas. (Lavinas, 2006, p.8)
As discussões sobre empregabilidade abordam questões como competência,
qualificação ou escolaridade. Amorim (2005), baseando-se
em documento do Ministério da Educação, lista as habilidades necessárias
para atuação na sociedade da informação que exemplificam as observações dos
autores sobre a empregabilidade:
capacidade de abstração; o desenvolvimento do pensamento sistêmico (ao contrário da compreensão parcial e fragmentada dos fenômenos); a criatividade; a curiosidade; a capacidade de se pensar em múltiplas alternativas para um mesmo problema (o desenvolvimento do pensamento divergente); a capacidade de se trabalhar em equipe; a disposição para procurar e aceitar críticas; a disposição para o risco; o desenvolvimento do pensamento crítico; a capacidade de buscar conhecimento; e o desenvolvimento de capacidades de comunicação.
De todas as qualidades citadas por Amorim (2005), a busca
pelo conhecimento (formal ou informal) é essencial para as atividades
que envolvem tecnologia da informação, pois é uma área em constante
transformação. A arquitetura da informação requer um perfil profissional que
está relacionado com novos conceitos que definem a empregabilidade,
competência, qualificações e outros requisitos que são sintetizados por
Leite (1996 apud Manfredi, 1998):
A capacidade de mobilizar saberes para dominar situações concretas de trabalho e transpor experiências adquiridas de uma situação concreta a outra. A qualificação de um indivíduo é sua capacidade de resolver rápido e bem os problemas concretos mais ou menos complexos que surgem no exercício de sua atividade profissional". O exercício dessa capacidade implicaria a mobilização de competências adquiridas ou construídas mediante aprendizagem, no decurso da vida ativa, tanto em situações de trabalho como fora deste, reunindo:
• o "saber fazer", que recobre dimensões práticas, técnicas e científicas, adquirido formalmente (cursos/treinamentos) e/ou por meio da experiência profissional;
• o "saber ser", incluindo traços de personalidade e caráter, que ditam os comportamentos nas relações sociais de trabalho, como capacidade de iniciativa, comunicação, disponibilidade para a inovação e mudança, assimilação de novos valores de qualidade, produtividade e competitividade;
• o "saber agir", subjacente à exigência de intervenção ou decisão diante de eventos - exemplos: saber trabalhar em equipe, ser capaz de resolver problemas e realizar trabalhos novos, diversificados.
A literatura e os diferentes conceitos de Arquitetura da Informação
Willys (2005) conta que o termo “arquiteto de
informação” foi cunhado por
Richard Saul
Wurman em 1976, depois de uma conferência de arquitetos da American
Institute of Architects (AIA). Wurman era um arquiteto que
trabalhava na confecção de guias turísticos e visualizou a arquitetura da
informação como arte ou ciência (instruções para organizar espaços).
Ele identificou uma similitude entre o problema de coletar, organizar e
apresentar a informação era análogo e questões que profissionais da
arquitetura convencional (construção) enfrentavam no planejamento (ou
desenho) de um prédio buscando realizar as necessidades de seus ocupantes. O
arquiteto, no caso da construção de um prédio, necessita: prever a fiação;
máquinas, layout, fluxo de pessoas e materiais, enfim, estar de acordo com
as necessidades de seus clientes.Wurman (1996) apud
Peon Espantoso (1999/2000, p.141) define as tarefas do
arquiteto da informação:
- O indivíduo que organiza a informação, tornando simples o que é complexo;
- A pessoa que cria a estrutura ou mapa da informação que permite que outros encontrem suas necessidades de conhecimento;
- O profissional emergente do séc. XXI que, em última análise, procura estudar as necessidades humanas e a ciência que envolve a organização da informação.
Sobre as origens da Arquitetura da Informação, Morville (2002) destaca que é difícil identificar quando esta se iniciou, o autor acredita que as pessoas de uma forma ou de outra utilizam ou utilizaram na por séculos. Seus conceitos podem ser identificados com alguma ênfase em livros, mapas, bibliotecas, museus, etc. O autor destaca necessário que o profissional que irá atuar na área conheça seus usuários, seus anseios, hábitos, comportamentos e experiências. Além disso, este também precisa conhecer as idiossincrasias dos conteúdos que serão disponibilizados, as especificidades do contexto de uso, etc.Os conceitos de arquitetura da informação apresentam acepções e diferentes áreas divulgadas na literatura. Porém, duas delas têm um histórico marcado pela origem do grupo que estuda o assunto, desde a década de 90, a saber:
• Uma definição, mais ampla, relacionada com a construção de sistemas de informação e com origem na tecnologia.
• Outra definição, mais restrita, ligada à construção de páginas na Web, com origem nas escolas de ciência da informação norte-americanas e anunciadas nos encontros da ASIS (American Society for Information Science) (Peek, 2005).
A definição mais ampla englobaria:
1) a política de informação de uma unidade em termos estratégicos e em termos tácitos;
2) o conjunto de modelos de informação e de sistemas de informação;
3) a arquitetura de informação em termos estratégicos e conceituais e
4) a arquitetura de sistemas de informação em nível de modelos de implementação (Lima - Marques, 2004).
Para Dillon (2002), essa definição mais abrangente está
relacionada com o planejamento de múltiplos níveis de informação.
Complementando essa idéia, o autor afirma que o termo descreveria o processo
de planejamento, implementação e avaliação do espaço de informação,
humanamente e socialmente aceitável. A definição menos abrangente estaria
restrita à Web e relacionada à construção de páginas. A arquitetura da
informação também ganhou espaço na literatura sobre inteligência
competitiva. McGee e Prusak (1994, p.138) definem os
objetivos da arquitetura da informação, ao abordarem o gerenciamento
estratégico da informação:
definir o espaço de informação da organização em termos de domínios de interesse de informações essenciais e vias essenciais de fluxo da informação; definir os limites críticos do espaço da informação da organização (o que esta dentro e o que está fora); identificar as estratégias para a definição das origens e redução; eliminar o ruído das informações; tornar o comportamento da informação desejada mais fácil; tornar o comportamento da informação indesejada mais difícil; aperfeiçoar a adaptabilidade, estabelecendo claramente premissas e políticas de informação e aperfeiçoar as comunicações gerenciais, definindo claramente modelos de informação compartilhada.
Ramos (2005), baseando-se nas idéias de Rosenfeld e Morville (2002) autores do livro “Information Architecture for the World Wide Web”, definem a arquitetura da informação, referindo-se a ambientes da Internet da seguinte forma:
É uma alternativa para mapear as necessidades de informação de uma empresa. Um dos maiores objetivos da arquitetura da informação é proporcionar uma estrutura lógica para ajudar a encontrar a informação de que se necessita. A sua definição compreende: a combinação de organização, nomeação e esquemas de navegação juntamente com um sistema de informação; o projeto estrutural de um espaço informacional para facilitar a conclusão de tarefas e o acesso intuitivo ao conteúdo; a arte e a ciência de estruturar e classificar web sites e intranet para auxiliar as pessoas a encontrar e gerenciar a informação; e uma disciplina emergente de práticas comuns, focada nos princípios de projeto e arquitetura para o espaço digital.
Verifica-se que nas definições apresentadas existe uma preocupação com estrutura, espaço, conteúdo e fluxo da informação, política, acesso, necessidades do usuário. As definições se completam. Quanto ao objeto de aplicação, a literatura se subdivide, ora referindo-se a um amplo sistema de informação de uma empresa, ora a uma página ou portal que representa a instituição na Internet. No contexto da rede, outros conceitos são incluídos, tais como: aspecto visual, navegação hipertextual, interatividade e outras características próprias de um sistema de informação em meio digital.
Arquiteto da informação – competências e áreas de atuação
Raciocinando de acordo com a perspectiva mais ampla (construção de sistemas
de informação), temos como definição do profissional, segundo
Rosenfeld e Morville (2002) apud Vidotti e Sanches
(2005), alguém especializado em estruturar e organizar espaços de
informação, uma descrição genérica na qual se enquadram muitos
profissionais.
Um arquiteto de uma maneira geral, é um profissional que planeja, projeta e
supervisiona a construção de todo o tipo de espaços informacionais. O
arquiteto projeta à estética e a estrutura, mas isso vai bem além da
aparência, já que estas devem ser funcionais, seguras, econômicas e devem ir
ao encontro dos anseios de todos as que se utilizam. O arquiteto está
envolvido em todas as fases do desenvolvimento, da inicial discussão com o
cliente, ao projeto final da construção. A atividade do arquiteto é muito
complexa, deve entender de métodos de construção, princípios de engenharia,
práticas, ferramentas que requerem uma educação continuada. (Career
Directions, 2005).
Peek (2005) relata que Rosenfeld na
reunião da ASIS do ano 2000 apontou as seguintes áreas para
arquitetos da informação: Recuperação da Informação (Biblioteconomia),
Design Visual, Engenharia de Interface Homem–Computador, Comunicação
Técnica, Design de Interface e Interação, Modelagem de Dados, Antropologia e
Ciência da Computação.
Foi realizada pesquisa no portal Monster (2007)•,
considerada uma das líderes mundiais em gerenciamento de empregos on line,
fundada em 1994 e contando atualmente com vinte e três repositórios
espalhados pelo mundo. Foram encontradas 128 ofertas de emprego em que a
expressão “information architect” fazia parte do título da oferta de
emprego, algumas variações foram encontradas como “senior information
architect”, “information architect for user interface” e
“principal information architect”. Em praticamente todas é possível
perceber a formação em nível superior em: desenho industrial, projeto
centrado no indivíduo (HCI), psicologia cognitiva,
ciência da informação ou áreas correlatas da ciência da computação.
Das habilidades requeridas, 33% fazem referência à organização da
informação, projeto da informação ou gerenciamento dos conteúdos, com quase
a mesma freqüência surgiram necessidades de conhecimento por parte do
arquiteto da informação de meta dados e de uso de taxionomias. Quanto ao
projeto estrutural em 27,3% das ocorrências foi solicitado conhecimentos de
sites maps e wireframes.
As habilidades pessoais mais freqüentes foram: fluência verbal e escrita,
trabalho em equipe, criatividade e capacidade de apresentação e interação
como o usuário.Outra preocupação constante nas ofertas de emprego analisadas
foi com o projeto de interfaces devendo o indivíduo possuir experiência na
apresentação da informação usando algum dos diversos programas de interação
disponíveis no mercado como também técnicas de prototipação específicas que
estudam o comportamento de usuários nas distintas fases do processo.
É interessante notar que na grande maioria das ofertas (85,7%) conhecimentos
da Ciência da Informação foram requeridos como pré-requisito do arquiteto da
informação cabendo ao restante, habilidades exclusivamente de tecnologia da
informação como projeto de bancos de dados e o uso de softwares de
desenvolvimento.
As definições de arquiteto da informação apresentam dimensões
multidisciplinares e não indicam necessariamente a formação do profissional.
O exemplo dado a seguir é de um analista de sistemas que faz mestrado em
Jornalismo:
De outra forma pode-se dizer que o arquiteto da informação é o profissional capaz de organizar, classificar e indexar o conteúdo, além de construir os canais para o trânsito, de navegação, entre as seções deste conteúdo categorizado. Ao arquiteto da informação é dado o papel de construir os caminhos da informação, suas conexões e desdobramentos, a fim de contribuir para a divulgação do conhecimento (Oliveira, 2004).
O papel de arquiteto de informação é reivindicado por vários profissionais. Em seu artigo “O jornalista (brasileiro) na sociedade da informação: repórter da realidade, arquiteto da virtualidade” Saad (1999, p. 6) baseando-se nos conceitos de Wurman (1996) afirma que os jornalistas:
são arquitetos da informação, uma fusão potencializada das definições conhecidas de “informação” e de “arquiteto”. Nesse contexto, o jornalista parece ser um dos profissionais que mais tem alterado o seu papel na sociedade da informação.
Quanto aos bibliotecários, Barreto (2002) define:
O arquiteto da informação trabalha para otimização de projetos de páginas para a Web, no que se relaciona a sua forma, conteúdo, funções, navegação, interface, interação e qualidade visual; é uma especialização recente e mais avançada na América do Norte.
Verifica-se que todos os profissionais se sentem incluídos quando a informação é mencionada. Por exemplo, sua atuação é clara quando o assunto é gestão da informação ou gestão de sistemas de informação. Outros profissionais podem estar incluídos tanto quanto à gestão e quanto à arquitetura da informação
Para Agner e Silva (2005) o arquiteto da informação é:
Profissão emergente do novo milênio, a arquitetura de informação envolverá a análise, o design e a implementação de espaços informacionais, como sites, bancos de dados, bibliotecas etc. A visibilidade da arquitetura de informação a partir da segunda metade dos anos 90 coincidiu justamente com o momento em que a Internet atingiu massa crítica.
Os autores consideram que as seguintes disciplinas formam o núcleo das atividades da Arquitetura da Informação: Ciência da Computação; Ciência da Informação; Educação / Psicologia (Ciências Cognitivas); Desenho Industrial e Engenharia de Software. O autor acrescenta ainda: Ciências Sociais, que na nossa percepção abrangem algumas das disciplinas citadas acima.
As palavras ligadas à organização do espaço (qualquer espaço de informação)
que definem o profissional são mencionadas pelos diversos autores: mapa do
espaço de informação, caminho, canais e outras palavras similares. Outro
conjunto de palavras está associado à idéia de um planejamento ou desenho
desse espaço, baseado em necessidades de informação.
Numa visão limitada a essas constatações sobre disciplinas envolvidas e
tarefas, percebe-se que há mais de um profissional envolvido. Considerando
as disciplinas citadas por Agner e Silva (2005) dez
profissões estariam envolvidas na construção de um espaço informacional
qualquer, e poderiam se autodenominar arquitetos da informação:
especialistas em computação, bibliotecários ou arquivistas, educadores,
psicólogos, desenhistas e engenheiros de software e /ou comunicólogos,
engenheiros de sistemas e artistas gráficos.
Foi realizada em entre junho e setembro de 2006 uma pesquisa pelo The
Information Architecture Institute (2007) a respeito de informações
salariais e profissionais de seus membros. Foram coletadas as informações
referentes a 319 respondentes. Mais da metade dos entrevistados está na
faixa de 30 a 40 anos, sendo que 48% dos pesquisados possuem o mestrado.
Outro dado interessante é que 30% dos respondentes disseram que o nome
oficial de sua ocupação é arquiteto da informação. Mais da metade trabalha
como arquiteto da informação a menos de cinco anos. Cerca de 60% dos
entrevistados trabalham de 40 a 50 horas por semana. As atividades típicas
desempenhadas pelos respondentes são:
• arquitetura da informação tática que inclui meta dados e vocabulários controlados;
• arquitetura da informação estratégica que inclui modelos de negócio e categorizações;
• testes e usabilidade;
• geração e gerenciamento de conteúdo;
• gerenciamento de projeto, e
• consultoria de Tecnologia da Informação.
Qualquer que seja o profissional que irá atuar com arquitetura da informação é indispensável que este incorpore com algum grau de conhecimento as duas visões: a mais ampla (sistemas de informação) ou a mais restrita (páginas da web) - pois planejar sites / portais de unidade de informação (bibliotecas/ centros referenciais e outros) é, em síntese, planejar um sistema de informação que represente virtualmente sua unidade de informação.
A empregabilidade do bibliotecário atuando com
arquitetura da informação
Terêncio e Soares (2003) descrevem como as mudanças afetam a empregabilidade
dos futuros profissionais. Os autores trabalharam com uma amostra
privilegiada. Trata-se de adolescentes de hoje, geração que nasceu com a
Internet, que com mais facilidade lidarão com a questão do emprego no
futuro.
As profissões também vêm mudando vertiginosamente: com o passar de poucos anos algumas se tornaram obsoletas ou desnecessárias, enquanto várias outras surgem a cada momento para corresponder às inovações científicas e tecnológicas. Quanto à chamada “empregabilidade”, sabe-se que o perfil do profissional desejado hoje é muito diferente do de poucas décadas atrás. Não se valoriza mais o profissional com “fidelidade” a uma única empresa ou única experiência profissional. Procuram-se, ao contrário, profissionais com autonomia e adaptabilidade, que acumulem em seu currículo uma ampla variedade de experiências. Além disso, a rotatividade nas empresas só faz aumentar, gerando o fim da estabilidade e o conseqüente desemprego, de forma que se torna útil para os próprios trabalhadores serem flexíveis e versáteis para ingressarem em diferentes trabalhos durante o curso de suas vidas. (Terêncio ; Soares, 2003, p.140).
Quanto a versatilidade dos futuros profissionais diante da questão do emprego, o ponto de vista de Terêncio e Soares (2003) é interessante, porque a próxima geração que nasceu sob o domínio da sociedade pós-industrial está sendo criada com grande capacitação na área tecnológica de forma intuitiva. Os autores sugerem, em relação aos jovens, que irá surgir uma nova identidade profissional, com ocupações cada vez menos formais e multifacetadas.
Na concepção mais específica - construção de páginas na web – diferentes
compreensões são verificadas por vários autores de diferentes áreas. As
tarefas e os profissionais envolvidos são citados abaixo:
• Rowbothan (1999), as tarefas desempenhadas pelo profissional envolvem: criação, planejamento da estrutura e propósito da página, navegação, apresentação dos dados e sistema de busca e recuperação da informação.
• Lieserson (2002), as tarefas, de acordo com esse conceito, seriam as seguintes: decidir o detalhamento da estrutura da página; mapa da página; indexação para o acesso; programação de base de dados; utilização de arquivos; uso de PDF e revisão de planta/ layout da página.
• Rosenfield & Morville 1998 apud Vidotti & Sanches (2006) dividem, resumidamente, as tarefas em: conteúdo, contexto e usuários.
Na literatura há o reconhecimento que o bibliotecário tem campo de trabalho assegurado na construção de páginas, por autores de outras áreas e por autores da área da Ciência da Informação. Bradley (2001), por exemplo, defende que os bibliotecários são naturalmente arquitetos da informação. Blatmann (2000), Peon Espantoso (1999/2000) e Rowbothan (1999) consideram que essa área pode ser um campo de trabalho para o bibliotecário.
Pesquisas com bibliotecários que atuam em áreas da arquitetura da
informação
Na pesquisa de Soares e Baptista (2006) não houve consenso sobre o
profissional mais indicado para desempenhar as tarefas de um arquiteto de
informação na construção de páginas na Web. A pesquisa foi realizada com 34
alunos da pós-graduação em Ciência da Informação da Universidade de
Brasília, com diferentes formações e atuantes em ambientes informacionais
variados.
Pretendeu-se avaliar quais eram os profissionais indicados para exercer as seguintes tarefas: análise e tratamento do conteúdo na Internet; controle do fluxo da informação em sistemas de informação na Internet; estruturação de páginas da Web e atuação e organização em outros espaços informacionais. Os respondentes reconheceram a atuação dos bibliotecários em tarefas como análise de conteúdo e organização de espaços informacionais e indicaram o profissional de áreas da tecnologia da informação para atuar em conexões quanto ao fluxo de informação em sistemas de informação na Internet e na operacionalização dos sistemas de informação.
Quanto aos outros profissionais, tais como os da área de comunicação social, administração e outros, não houve consenso entre os respondentes. Os resultados da pesquisa sugerem que as tarefas devem ser desempenhadas não por um profissional específico e sim por uma equipe que reuniria as competências exigidas quanto à organização do conteúdo, estrutura do sistema e outras.
O “saber fazer” aparece na pesquisa de Baptista
(2005) que observou, por
meio de entrevistas com bibliotecários, advogados, administradores de
empresa e informatas, entre outros, que muitos conseguiram construir o
portal ou sítios de suas bibliotecas na Internet graças por serem curiosos,
“correrem atrás”, observar quem sabia, perguntar, fazer pequenos
treinamentos e outras circunstâncias, proporcionando a aprendizagem
necessária para executar a tarefa com sucesso.
Gentil (2004) entrevistou uma bibliotecária que ocupa o cargo de arquiteta
da informação em uma firma especializada em planejamento e operacionalização
de páginas em Brasília, DF. Para a entrevistada, arquitetura da informação é
a ciência e a arte que define a navegação de um web site e a estruturação de
seu conteúdo, criando, dessa forma, interfaces inteligentes, usáveis e
lucrativas. Define as tarefas executadas pelo profissional da seguinte
maneira:
Primeiramente é desenhado um “esqueleto” do site (wireframe), sem preocupação com o layout /design, definindo todo o fluxo de navegação do site, posicionamento dos elementos e hierarquização do conteúdo. Em seguida, é definida a hierarquia das sessões/ funcionalidades/ páginas (sitegrama) e como elas se comunicam entre si. É gerado a partir de pequenos boxes interligados, como uma árvore genealógica. E, na última etapa, é feito o mapa do site, que traz a divisão hierárquica do conteúdo. A entrevistada considera que a Arquitetura da Informação é multidisciplinar como a Ciência da Informação e tem como preocupação o acesso à informação. Na construção de sites, a Arquitetura da Informação utiliza conhecimentos da área da Ciência da Informação, mais especificamente da Biblioteconomia, a saber: classificação e noção de hierarquização das informações - nós, bibliotecários, aprendemos muito bem como fazer isso, quando estudamos a classificação e a indexação. Quanto ao controle de sinônimos, pela indexação, aprendemos, mais do que qualquer profissional, a controlar os sinônimos através dos vocabulários controlados e, quanto à recuperação da informação: conhecemos as técnicas de pesquisa e como isso deve ser disponibilizado para o usuário. Outras subáreas da Biblioteconomia, como: planejamento de sistemas de informação, bases de dados, e serviços de usuário, também contribuem indiretamente para a Arquitetura da Informação. (Guimarães, 2004 apud Gentil, K. 2004 p. 39)
A entrevistada aponta as dificuldades que os bibliotecários têm para atuar nesse novo campo, e considera que a escola tem que discutir o assunto para divulgar a profissão que, em sua opinião, é mal definida e desconhecida por muitos.
Paz (2000) também estudou a construção de sites de bibliotecas
universitárias com objetivo de identificar as características dessas páginas
e a participação do profissional. Na época, a autora não identificou
diferenças relevantes entre as páginas examinadas e verificou que a
participação dos bibliotecários era indireta.
Quatro anos depois do estudo de Paz (2000), percebe-se, com o estudo de
Baptista (2004) que as páginas das bibliotecas universitárias e de outras
instituições evoluíram, passando de uma fase estática para uma fase
interativa, com vários serviços de atendimento aos usuários via email, chats
e outros meios que permitem uma comunicação. Porém, em relação à
participação dos bibliotecários na construção desses sistemas de informação
apresenta-se ainda de forma tímida, dependendo muito da motivação do
profissional, principalmente por parte daqueles que não conseguem um diálogo
positivo com os profissionais da área de tecnologia da informação.
Conclusão
Os termos “arquitetura da informação” e “arquiteto da informação”, dentro do
conceito mais restrito condicionado à construção de sites, tiveram,
inicialmente, uma forte participação de duas escolas norte-americanas de
Biblioteconomia, responsáveis pelos primeiros estudos na área. Os autores
pertencentes a essa área restrita reconhecem a participação do
bibliotecário. No entanto, quanto ao entendimento de arquitetura da
informação num sentido mais amplo, relacionado a qualquer sistema de
informação, verifica-se que todos os profissionais que trabalham com a
informação e tecnologia reivindicam a ocupação de arquiteto de informação.
Sendo assim, conclui-se que a arquitetura da informação como especialidade
não tem um profissional definido, mas sim um profissional que tem um
conjunto de habilidades pessoais, possivelmente mais de uma formação, que
está em constante aperfeiçoamento e rotatividade, tem o conhecimento da área
como seu patrimônio, independente da organização para qual trabalha.
A Internet é um mercado de trabalho especial e único que não obedece às leis
do mercado de trabalho formal que exige uma capacitação, experiência
profissional e outros requisitos que habilitam um indivíduo para o trabalho.
Na pesquisa de Baptista (2005) com diversos profissionais que atuam na
construção de páginas de biblioteca na Internet entre os anos de 2000 a
2004, verificou-se que a diversidade de profissionais pode ser explicada
pela premissa da empregabilidade no mundo contemporâneo, pós- tecnologia,
atrelada a atributos pessoais do profissional mais do que a sua formação
obtida na escola.
O arquiteto da informação ocupa um espaço na Internet graças a sua
capacidade de “saber fazer”, uma vez que ele tem as habilidades necessárias
para uma atuação efetiva e onde se encaixa o conceito de empregabilidade no
contexto da sociedade da informação. Ele pode ser um bibliotecário, um
jornalista ou qualquer outro profissional que adquiriu essa habilidade
formalmente ou informalmente.
Desta forma, os casos observados por Baptista (2005), sugerem que a
construção de páginas de bibliotecas é realizada por aquele que “sabe fazer”
independente da formação. Neste caso, o espaço é ocupado por quem domina a
tecnologia para essa tarefa e que conhece como trabalhar com a criação,
planejamento da estrutura e propósito da página, navegação, apresentação dos
dados e sistema de busca e recuperação da informação.
Referências Bibliográficas
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Sobre o autor / About the Author:
Professora doutora do Departamento de Ciência da Informação da Universidade de Brasília.
Jose Juan Peon Espantoso
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade de Brasília.