O Tesauro Eletrônico do Mundo do Trabalho: produto de um esforço
interdisciplinar
Electronic Thesaurus of the Labor World: an interdisciplinary development
por Marília Levacov, Nadia
Vanti, Júlio César Zancan e Maria
Lizete Gomes Mendes
Resumo: O presente artigo relata a implementação, de uma ferramenta para o gerenciamento do Tesauro Eletrônico do Mundo do Trabalho, criado para a Unitrabalho, uma fundação voltada a pesquisas acadêmicas sobre o trabalho, agregando 84 universidades brasileiras. A ferramenta é constituída de duas interfaces: uma para consulta e navegação e outra para gerenciamento. Esta atividade foi realizada por uma equipe interdisciplinar, do ponto de vista da Interação Humano-Computador, buscando alternativas para o diálogo entre dois universos: o dos profissionais da Ciência da Informação e o dos profissionais da Ciência da Computação.
Palavras-chave: Tesauro Eletrônico; Mundo do Trabalho; Recuperação da Informação; Interface de Consulta; Sistema de Informação; Interdisciplinaridade; Interação Humano-Computador (IHC)
Abstract: This is an article on a tool implementation for the management of the Electronic Thesaurus of the Labor World built for Unitrabalho, which is an agency for the academic research on Labor, encompassing 84 Brazilian universities. This tool is basically composed by two interfaces: one for navigation and retrieval, and one for information management. This project was developed by an interdisciplinary team, from the Human-Computer Interaction point of view, looking for alternate dialogs among two universes: the one from Information Sciences and the one from Computer Sciences.
Keywords: Electronic Thesaurus; Labor World; Information
Retrieval; Query Interface; Information System; Interdisciplinarity; Human-Computer
Interaction (HCI)
1. Introdução
O profissional da Ciência da Informação, especialmente nesta última década, está sendo atingido por uma exigência crescente de conhecer, utilizar e administrar habilidades e recursos próprios das Novas Tecnologias da Informação: hardware e softwares diversos, diferentes tipos de redes de informação e seus respectivos protocolos, e produtos como catálogos eletrônicos on e offline, bases de dados hipertextuais, etc..
Estas novas tecnologias, amparadas pela Ciência da Computação, estão demandando a criação de equipes multidisciplinares e a colaboração entre Unidades de Informação (como Bibliotecas) e os Centros de Processamento de Dados, Laboratórios de Informática ou seus equivalentes (VANDER, 1997; MERKLE, 2000). É natural, portanto, que a pesquisa atual em Interação Humano Computador (IHC) aponte claramente para a necessidade de uma perspectiva multidisciplinar no desenvolvimento de sistemas interativos, integrando métodos, teorias e diferentes áreas do conhecimento (Pimenta, 1997).
Antes disso, na maioria dos casos, os profissionais das áreas
sociais e humanas necessitavam da intermediação dos informatas
(engenheiros e técnicos), que intermediavam a comunicação
com a máquina (MACHADO, 1993), na implementação de
projetos ligados a estas áreas. Havia a tradicional separação
entre ciências humanas e exatas. Até recentemente, a própria
expressão "ciências humanas" não existia e nossa cultura
dividia o mundo em duas áreas incompatíveis: as "ciências"
e as "humanidades".
2. Criação do Sistema de Informação da Rede Unitrabalho
Criada em 1995, a Unitrabalho tem como missão oficial contribuir para o resgate da dívida social que as universidades brasileiras têm para com os trabalhadores. Esta missão se concretiza por meio da parceria em projetos de estudos, pesquisas e capacitação. Isso ocorre porque, em primeiro lugar, essas instituições têm um papel social a cumprir: o de buscar soluções para os problemas reais das comunidades nas quais estão inseridas e, num plano mais amplo, para os problemas nacionais. Em segundo lugar, porque as instituições universitárias sólidas e que absorvem as questões do mundo do trabalho no seu 'pensar' e 'fazer' acadêmicos podem contribuir com mais propriedade, consistência e efetividade para a solução dos problemas sociais do nosso país. Além de contribuir para o fortalecimento das organizações sociais relacionadas com o mundo do trabalho, a Unitrabalho também busca o fortalecimento das instituições de ensino superior a ela associadas. Em 1997 a Fundação Unitrabalho, que agrega atualmente 84 universidades e instituições de ensino superior de todo o Brasil, criou uma parceria especial com a UFRGS para implementar seu Sistema de Informação e Banco de Dados.
O Sistema de Informação desenvolvido para esta instituição
disponibiliza, entre outras coisas, uma base de dados com interface amigável
que permite aos pesquisadores das diversas universidades brasileiras cadastrar
diretamente sua produção acadêmica sobre o tema Trabalho.
Esta interface foi, em um primeiro momento, um instrumento de coleta de
dados, onde cada pesquisador pôde inserir os seus dados pessoais,
a informação do tipo de vínculo que mantém
com o núcleo de pesquisa dentro da universidade onde atua e, acima
de tudo, o registro de cada uma das suas produções científicas
relacionadas ao mundo do trabalho. Foi necessário prever, neste
sistema, os campos adequados para a coleta de cada tipo de informação:
pesquisador, núcleos
e produção científica. Em se tratando desta última,
por exemplo, os campos variavam de acordo com o tipo de documento a ser
inserido no banco (livro, capítulo de livro, dissertação
e tese, artigo de periódico, trabalho em evento, relatório
de pesquisa, etc.).
Num segundo momento, depois dos dados coletados e devidamente revisados,
esta informação armazenada ficou disponível no banco
para ser consultada pelo público interessado. Para tornar possível
a recuperação desta informação foi criada a
interface de consulta, composta por um conjunto de campos a serem preenchidos
pelo usuário que poderiam ser dinamicamente combinados através
de conectores lógicos booleanos. Os usuários do banco podiam,
com este recurso, recuperar as informações referentes a produção
acadêmica por nome de autor, título ou assunto do documento.
Todo o sistema foi desenvolvido pela equipe do Centro de Informação
em Ciência & Tecnologia do Instituto Latino-Americano de Estudos
Avançados da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, composta
por dois profissionais da Ciência da Computação, dois
profissionais da Ciência da Informação e um
Designer
para a programação visual da interface, coordenados por um
profissional da área de Tecnologia e Mídia.
3. O Gerenciador de Tesauro do Sistema de Informação da Rede Unitrabalho
3.1 A necessidade de um tesauro
A recuperação por autor e título não teria
nenhum problema neste sistema, desde que os dados fossem digitados corretamente.
Porém, para a recuperação por assunto, sentiu-se a
necessidade da padronização dos descritores, já que
cada pesquisador ao inserir as informações de sua produção,
no campo "palavras-chave" ingressava com os termos que julgava mais apropriados,
sem seguir nenhuma norma. Foi neste momento que se pensou em criar um vocabulário
controlado para a escolha, hierarquização e padronização
dos termos na área do Trabalho. A necessidade de normalizar o ingresso
das palavras-chave para a recuperação correta dos documentos
foi o que motivou a equipe a se dedicar ao desenvolvimento de um tesauro[1]
eletrônico sobre o tema. Para tanto, foi necessário buscar
algum tipo ferramenta semelhante já existente que servisse de modelo
para a criação da nossa. Encontramos o Tesauro da OIT
Organização Internacional do Trabalho, publicação
impressa sobre a área que traz os termos hierarquicamente organizados
em francês, inglês e espanhol. Com base neste instrumento,
com as adaptações necessárias, e aproveitando as palavras-chaves
sugeridas pelos pesquisadores da área, iniciou-se a montagem de
um tesauro eletrônico na área do Trabalho disponível
para consulta no próprio banco.
3.2 A questão da recuperação da informação
A preocupação em construir uma interface de manipulação direta para o tesauro nasceu da necessidade do profissional da área de informação em interagir com o sistema e poder, desta forma, inserir e atualizar, com independência e velocidade, termos indispensáveis para a adequada recuperação da informação coletada, em um primeiro momento, por meio do cadastro de obras alimentado pelos próprios pesquisadores da Rede.
Vários fatores indicavam a necessidade de se ter um instrumento de controle de termos utilizados para indexar os documentos arrolados no Banco. O mais importante deles era o monitoramento constante, por profissionais com domínio da área, do item "palavras-chave", que é preenchido pelo autor de cada produção. As palavras-chave ali colocadas eram analisadas e padronizadas pelas especialistas na área da indexação (bibliotecárias), uma vez que o autor costumava expressar o conteúdo de sua produção através do uso da linguagem natural dos documentos, não tendo nenhum tipo de controle dos termos utilizados (mesmo porque essa tarefa não é fácil e exige conhecimentos técnicos especializados para realizá-la).
No princípio, tinha-se em mente utilizar o próprio Tesauro da Organização Internacional do Trabalho (OIT) como instrumento de controle e recuperação dos dados. Entretanto, mediante estudos avaliativos, verificou-se que o mesmo não contemplava todas as especificidades da área abrangida pelo banco e seria muito mais produtivo confeccionar um instrumento que atendesse as necessidades pontuais e imediatas de padronização e controle dos dados específicos do banco (com suas diferentes bases).
O Tesauro foi, portanto, concebido como uma ferramenta integrada ao sistema de consulta, permitindo a realização de expansões nas buscas de obras e minimizando as chances de buscas sem retorno. Exemplificando, caso o usuário busque obras que tenham como assunto "Condições de Trabalho", então todos os subtermos relacionados com este, cadastrados previamente no Tesauro pela bibliotecária responsável, tais como "Condições Dificeis de Trabalho" e "Local de Trabalho" serão incluídos como termos de pesquisa.
A ferramenta Tesauro foi dividida em uma interface de gerenciamento (de uso interno) e visualização (para auxílio à navegação), além de um módulo com uma interface dirigida à consulta. A interface de gerenciamento permite ao responsável manipular com facilidade o Tesauro, inserindo, removendo ou editando novos termos e criando ou alterando seus relacionamentos. A de consulta permite aos pesquisadores (via web) realizar uma recuperação eficiente da informação.
Normalmente os tesauros impressos utilizam as seguintes hierarquias
de termos: o termo genérico - Broader Term (BT) - com a sua
descendência de termos específicos -
Narrower Term (NT)
- com as suas ligações com termos relacionados - Related
Term (RT) - e com os termos cujo uso é recomendado - Used
(USE)
- ou termos que substituem outros - Used for (UF). Cada termo pode
ainda ser classificado pela área temática
Subject
-, à qual ele pertence (SG), pelo eventual delimitador -
Delimited
by (DG) - e por uma eventual nota explicativa do conceito - Scope
Note (SN) -, quando necessário, como pode ser visualizado no
exemplo abaixo à esquerda:
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No Tesauro Eletrônico do Mundo do Trabalho, a interface do gerenciador
é apresentada como se vê acima à direita, onde os termos
ou conceitos são relacionados, utilizando-se a seguinte nomenclatura
traduzida do inglês: Termo Geral (TG), com a sua descendência
de Termos Específicos (TE), com as suas ligações com
Termos Associados (TA), e com os termos cujo uso é recomendado (USAR)
ou termos que substituem outros Usar Para (UP). Era importante que o aplicativo
fosse criado de modo que o resultado, automaticamente mostrado na tela,
preservasse o design desenvolvido pelos planejadores visuais envolvidos
no projeto e que tais categorias e relações ficassem bem
explicitadas. A equipe decidiu, por exemplo, que os termos gerais e específicos,
ao aparecerem na tela do gerenciador, seriam representados pelos números
1 e 2, mostrando o nível de aprofundamento do termo dentro da hierarquia.
E ainda o zero que representa a área temática à qual
o termo pertence.
4. Interface do Tesauro (geral)
4.1 Aspectos inicias do projeto
Como é sabido, a visualização da informação e, no caso deste Tesauro, a visualização dos metadados sobre os diferentes assuntos englobados pela área do Trabalho, provêm um modelo lógico, numa escala manipulável (YEE, 1997), através do qual a navegação e a recuperação de dados mais complexos pode ser executada. A visualização é uma parte importante de uma série de tarefas. Mesmo os sistemas de hipertexto, com conteúdo de natureza inteiramente textual, apoiam-se em representações visuais para navegação e orientação (NIELSEN, 1990). Esta visualização ajuda a entender e administrar grandes volumes de informações, razão pela qual as bases e os bancos de dados são os candidatos naturais para estratégias de visualização de dados (CARD et. al., 1991), permitindo ao pesquisador, por exemplo, entender a natureza global de um problema e explorar seus diferentes componentes (NIELSON, 1989), desenvolvendo estratégias e procedimentos mais adequados. Como a recuperação de dados é um processo extremamente interativo, a correta representação dos assuntos englobados pela base e de suas inter-relações permite administrar a complexidade e a amplitude dos dados, tanto do ponto de vista do usuário final quanto do profissional da ciência da informação encarregado da indexação dos documentos na base.
A reunião dos diferentes membros da equipe (designer,
bibliotecários e o pessoal da área de computação)
era uma atividade diária, onde a questão da visualização
estava em permanente discussão. Desta maneira, em um primeiro momento,
a tarefa ficava simplificada. O diálogo entre os diferentes membros,
ainda que evidenciasse diferentes prioridades e backgrounds, centralizava-se
na necessidade de garantir a usabilidade do sistema. O conceito de usabilidade
aqui mencionado era uma ligeira variação do de Nielsen (1993).
Certamente seria um sistema orientado ao usuário, que apresentasse
facilidade de manipulação, rapidez na realização
de tarefas, baixa taxa de erros, satisfação subjetiva, etc.,
mas somava-se a uma preocupação estética acentuada,
além da orientação funcional. Esta preocupação
estética estendia-se às duas interfaces previstas para o
desenvolvimento do projeto: a de consulta e a de gerenciamento, sendo que
na primeira, em maior nível, uma vez que era a única "pública"
das duas. Outra preocupação importante era a de manter uma
certa "unidade visual" entre ambas, uma homogeneidade na concepção
e no desenvolvimento, o que facilitaria a tarefa das bibliotecárias,
mantendo a familiaridade com o ambiente do sistema. E, à medida
em que as aplicações estavam sendo implementadas, ambas as
interfaces eram permanentemente beta-testadas pelo resto da equipe e por
grupos de usuários potenciais.
4.2 Aspectos Gerais de Implementação da Ferramenta de Gerenciamento
A interface implementada para esta ferramenta intermediava, portanto, a interação de usuários com um banco de dados, no qual são armazenados termos e relacionamentos pertencentes ao Tesauro. O gerenciador de banco de dados utilizado na implementação do Gerenciador do Tesauro, foi o Oracle 8, bastante conhecido, utilizado comercialmente e em aplicações de Internet. Junto com Oracle 8, foi adquirido, também, o módulo Context, o qual adiciona capacidades especiais ao gerenciador de banco de dados, como o armazenamento e indexação de documentos e a construção de tesauros.
Normalmente, as atividades de manutenção associadas aos recursos para tratamento de documentos no Oracle 8 são realizadas por um administrador com conhecimentos específicos em banco de dados. Na execução destas tarefas, o administrador utiliza-se das mesmas ferramentas empregadas na execução de tarefas tradicionais de administração de banco de dados. Uma destas ferramentas é um "modo interativo de SQL", uma janela através da qual podem ser enviados diretamente comandos textuais ao gerenciador de banco de dados. Por exemplo, a criação de um novo tesauro se parece, no modo interativo, com:
SQL*Plus: Release 8.0.4.0.0 - Production on Wed Jun 6 16:37:58 2001
Connected to:
Oracle8 Release 8.0.4.0.0 - Production
SQL> exec ctx_thes.create_thesaurus('unitrabt');
PL/SQL procedure successfully completed.
SQL>
Esta linguagem, tanto a do Oracle aqui descrita quanto a de outras interfaces
de comando, naturalmente torna o profissional de outras áreas dependente
do da Ciência da Computação. Outra forma, porém,
através da qual é possível a interação
com o gerenciador de banco de dados é a construção
de programas ou procedimentos para a manipulação de dados.
Os procedimentos construídos através de uma "linguagem de
programação" permitem agregar conjuntos de instruções
que, após executados, realizam alguma tarefa específica.
A linguagem nativa do Oracle 8 para a construção de procedimentos
é a PL/SQL. A procedimentos podem estar associadas interfaces
de alto nível, como foi o caso do Gerenciador do Tesauro. O Gerenciador
do Tesauro foi implementado sobre uma arquitetura de três camadas
(SHAW, 1996; CHAFFEE 200). Esta arquitetura divide uma aplicação
em três níveis, os quais são a interface visual e lógica
da aplicação e o armazenamento dos dados. O esquema a seguir
tenta representar o funcionamento do Gerenciador do Tesauro, em função
desta arquitetura.
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No esquema anterior, os usuários acessam, através de um browser em um cliente, páginas HTML em um servidor. As páginas HTML representam a interface visual da aplicação, através da qual o usuário interagirá com os procedimentos para manipulação do tesauro. Os procedimentos (lógica da aplicação) são selecionados e executados no servidor. Os procedimentos acessam e atualizam a base de dados, na qual são armazenadas as informações estruturais sobre o Tesauro e geram dinamicamente páginas HTML em resposta as solicitações do usuário.
As páginas HTML são a camada de entrada de informações para o banco de dados, através da metáfora utilizada. Na medida em que as páginas são acessadas e os links e botões ativados, procedimentos específicos são disparados para incluir novos termos, alterar ou remover termos existentes ou para navegação através de hierarquias.
Além de armazenar as informações sobre frases e
relacionamentos utilizadas pelo módulo Context, os procedimentos
também atualizam informações utilizadas especialmente
na construção da representação do tesauro na
interface. Desta forma, foi possível desenvolver uma interface que
garantisse a autonomia da consulta e do gerenciamento do Tesauro, adaptada
às necessidades e expectativas de seus potenciais usuários
(DIX, 1998).
5. Interface do Tesauro: detalhes específicos
5.1 A metáfora
Do ponto de vista do design gráfico, a metáfora do "mundo real" escolhida para a implementação do próprio tesauro é a mesma da ferramenta de gerenciamento: foi a de "mergulhar num oceano de informações". Lembramos que as interfaces de consulta e do gerenciador não eram exatamente iguais mas semelhantes, sendo que esta última era uma versão simplificada e apenas para uso interno.
Por esta razão, o nível mais "alto", o de Termos Gerais (TG), é representado graficamente por um farol (que ilumina a área) na interface de consulta e pela cor azul bem claro (em ambas) e pelo número zero, na de gerenciamento. Para o nível seguinte, o de "Palavras (ou Expressões) Chave", também chamado de "Termos Específicos" (TE), foi escolhida a imagem de uma bóia e um azul um pouco mais escuro para ambas e o número um para a do gerenciador. O próximo nível, de "Termos Associados" (TA), foi representado por um mergulhador com um "snorkel" de um azul um pouco mais escuro ainda para ambos e o número dois para a de gerenciamento.
O nível final, na interface de consulta, por um escafandrista
e um tom de azul bem escuro em ambas. Desta maneira, a "sensação"
de mergulhar (e de busca e "descobertas") até diferentes níveis
de profundidade neste "oceano de informações" ficava graficamente
indicada. A escolha de ícones familiares, apropriados e coerentes
é constantemente enfatizada por diversos autores, entre eles Valiati
(2000), Marcus (1992), Apple (1992) e Cybis (1994). A simplicidade minimalista
no design (evitando muitos detalhes ou cores), a consistência,
coerência e similaridade visual, também são recomendações
persistentes da área de IHC.
5.2 A interface de consulta (visualização)
No Tesauro, à medida em que o usuário progride em seu "mergulho", dois menus, expressos por hierarquias visuais diferentes, reforçam-se mutuamente. Tais menus foram construídos pensando nas recomendações existentes em IHC de minimizar a possibilidade de erros e guiar os usuários sem exigir o "treinamento ou memorização de complexas sequências de comandos" (VALIATI, 2000).
o A primeira, mais específica, é textual e espacial também, uma vez que a trilha ou o mergulho percorrido vai sendo mostrado por uma lista hierárquica de palavras selecionadas, cada uma com uma indentação maior, que atende a questão da "familiaridade" da convenção utilizada.
o A segunda, e mais genérica, é a dos níveis, indicados
de 3 maneiras na base da tela: pelos ícones percorridos sobre uma
faixa de azul progressivo; pelos tons de azul que vão se montando
na barra e pelo texto que aparece sobre as barras azuis, indicando a hierarquia
dos termos percorridos.
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Ambos menus possuem total navegabilidade. Os ícones da segundo
menu são "ilumináveis", providenciando o feedback ao
sinalizar assim seu estado potencialmente ativo. Tanto um menu quanto o
outro permitem a navegação entre termos e níveis,
atendendo a recomendações de apresentar menus em diferentes
formatos, dependendo das necessidades do usuário (MAYHEW, 1992)
e do contexto. A tela também oferece, em qualquer um destes momentos,
a opção de recuperar a produção científica
da base conectada ao Tesauro. O controle do vocabulário da base,
desta maneira, funciona harmoniosamente com a recuperação
potencial a partir de qualquer uma das telas da interface de consulta.
Os estados de ativo e inativo das opções disponibilizadas
(Cybis, 1994) estão claramente representados, sendo que os últimos
não podem ser alvo de seleção, o que, traduzido para
o tesauro, significa conter ou não mais termos subrelacionados.
5.3 Interface de gerenciamento
Os conceitos que guiaram a elaboração da interface de
consulta refletiram-se na interface do gerenciador do tesauro. Na primeira
tela, chamada de nível zero, ou a dos Termos Gerais (TG), as opções
são "criar", "alterar" ou "remover os termos do menu, isto é,
a lista que se apresenta na tela. Na parte inferior da mesma (ao lado do
ícone do Tesauro, uma letra T maiúscula e negritada) existe
um campo de texto para a inclusão do novo termo na lista. Esta é
a primeira tela do gerenciador uma vez que a inclusão de termos
é a ação mais freqüentemente realizada.
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Na tela de alteração de termos, como pode ser visto na
imagem abaixo, além do campo aberto para a edição
ou alteração do termo, existe também um campo fechado
com a opção de preservação ou não do
tipo do termo e de sua relação com o tópico. Ícones
com números de zero a três, com ondas em diferentes tons de
azul, do mais claro ao mais escuro, apontam o nível que está
sendo trabalhado, informação esta reforçada pela faixa
de cor azul como background na célula da tabela onde se encontra
o último item da lista. Ao lado do campo aberto para edição
ou alteração do termo, um T (o símbolo do Tesauro
em toda a interface do banco) aparece mudando de um tom laranja para o
azul escuro, reforçando também o conceito de "transformação,
mudança, alteração".
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A tela de remoção de termos exige apenas a seleção
do termo na lista construída para aquele nível, naquela trilha.
Em todas as telas aparecem sempre, no alto, os
links para as duas
opções restantes, além daquela potencialmente executável
naquele momento. A remoção do termo exige, também,
uma confirmação em tela extra.
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6. Conclusão
O Tesauro é uma ferramenta em permanente construção, já que novos termos em qualquer área do conhecimento surgem muito rapidamente, portanto ele deve estar sempre sendo atualizado.
O Tesauro impresso só pode ser atualizado e ampliado na edição seguinte. O tesauro eletrônico, entretanto, tem a vantagem da atualização imediata, onde novos termos podem ser criados, removidos ou alterados pelo profissional da informação responsável pela sua alimentação e, no mesmo instante, os pesquisadores poderão inserir seus trabalhos com os termos adequados ou recuperar uma informação usando o termo certo, tendo a possibilidade de consultá-lo sempre na sua forma mais atual. Além disto ele permite visualizar, na medida em que o pesquisador escolhe um termo, todo o relacionamento deste termo com a área selecionada, garantindo indexação ou recuperação correta. A originalidade do Tesauro eletrônico não reside tanto no mero fato de ser eletrônico quanto no de ser um Tesauro dinâmico, numa área do conhecimento onde a expansão e a transformação são relativamente freqüentes.
Os autores deste artigo reconhecem que os projetos de interfaces construídos por equipes interdisciplinares não são sempre uma panacéia ou à prova de erros, como bem observa MERKLE (2000). Entretanto, tais equipes, observando recomendações básicas da área de IHC, possuem maiores possibilidades de desenvolver produtos com uma usabilidade diferenciada. A satisfação das bibliotecárias envolvidas com a construção e o gerenciamento do Tesauro, bem como a dos usuários que beta-testaram a interface de consulta, foi uma constante.
Certamente muitas questões necessitam ainda ser exploradas nesta
área de interação entre computação e
ciências humanas ou sociais-aplicadas. Na esmagadora maioria das
universidades, a área de tecnologia está bem separada de
muitos de seus produtos bem como de sua avaliação crítica.
A primeira pertence à engenharia (e ciências afins) e as outras
às humanidades. Os estudantes de engenharia não são
convidados a estudar filosofia da engenharia. Nem os estudantes das ciências
humanas, a conhecer o know-how
tecnológico das ferramentas
que utilizam ou criticam. Porém, a soma de esforços, como
os da jovem área de IHC criando diálogos e parcerias entre
profissionais de diferentes áreas e de equipes como a do Centro
de Informação em Ciência e Tecnologia (CIC&T) do
Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados (ILEA) da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em parceria com a Fundação
Unitrabalho que, mesmo sem um conhecimento sistemático ou profundo
de IHC e levada pelo bom-senso e pelo desejo de desenvolver aplicações
com usabilidade, são uma promessa de um futuro onde tais estudos
se façam em todas as áreas do conhecimento envolvidas no
desenvolvimento de aplicações computacionais, uma ferramenta,
afinal, cada vez mais ubícua e proteana.
[1] A palavra "tesauro" vem do termo latino thesaurus
que significa
tesouro e foi empregada pela primeira vez por um inglês, Peter Mark
Roget, em 1832. Este estudioso publicou o English Thesaurus of Words
and Phrases, o qual reunia palavras pela ordem alfabética, de
acordo com as "idéias que exprimiam, pelo seu significado". Mais
especificamente, um tesauro atualmente reúne palavras escolhidas,
destinadas à indexação e recuperação
de documentos e dados num determinado campo de saber (BRUSCHINI et al.,
2001).
Referências bibliográficas:
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CARD, S. K.; MACKINLAY, J. D.; ROBERTSON, G. D. The Information Visualizer: an information workspace. Proceedings of Human Factors in Computing Systems (CHI '91), New York: ACM. 1992.
CHAFFEE, Alex. JavaWorld: one, two, threeor n tiers. JavaWorld. Disponível em: <http://www.javaworld.com/javaworld/jw-01-2000/jw-01-ssj-tiers_p.html> Acesso em: 30 ago. 2001.
CYBIS, Walter A. A Identificação dos Objetos em Interfaces Homem-Computador e de seus Atributos Ergonômicos.1994. Tese (Doutorado). Universidade Federal de Santa Catarina.
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MACHADO, Arlindo. Máquinas e Imaginário: o desafio das poéticas tecnológicas. São Paulo: Edusp. 1993.
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NIELSEN, J. Hypertext and Hypermedia. San Diego, CA: Academic Press. 1990.
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VALIATI, Eliane R. de A. A elaboração e avaliação de um Guia de Recomendações para o auxílio no desenvolvimento de Interfaces com Usabilidade em Softwares Educacionais do tipo hipertexto/hypermídia Informativo. 2000. Dissertação (Mestrado em Comunicação e Informação) Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
VANDER MEER, Patrícia Fravel; POOLE, Howard; VAN VALLEY, Thomas.
Are Library Users also Computer Users? A Survey of Faculty and Implications
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no. 1. 1997. p. 6-31. Disponível em: <http://info.lib.uh.edu/pr/v8/n1/vand8n1.html>
Acesso em: 05 jun. 2002.
Sobre os Autores/About the Authors
Marília Levacov
Doutora em Tecnologia e Mídia
Coordenadora do Centro de Informação em Ciência
e Tecnologia (CIC&T) do Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados
(ILEA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Professora do Departamento de Comunicação da Faculdade
de Biblioteconomia e Documentação desta mesma Universidade
e-mail: mlevacov@penta.ufrgs.br
Nadia Vanti
Mestre em Ciência da Informação
Bibliotecária do Centro de Informação em Ciência
e Tecnologia (CIC&T) do Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados
(ILEA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Professora do Departamento de Ciências da Informação
da Faculdade de Biblioteconomia e Documentação desta mesma
Universidade
e-mail: nvanti@ilea.ufrgs.br
Júlio César Zancan
Mestre em Ciência da Computação
Analista de Sistemas do Centro de Informação em Ciência
e Tecnologia (CIC&T) do Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados
(ILEA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
e-mail: jczanca@analyte.com.br
Maria Lizete Gomes Mendes
Especialista em Integração e Mercosul
Bibliotecária da Biblioteca Setorial de Ciências Sociais
e Humanidades (BSCSH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
e-mail: lizete@bscsh.ufrgs.br