Editorial e Sobre a revista
Em recente entrevista publicada na revista Época de 19/03/2007,
Theodore Nelson o sociólogo americano , criador do hipertexto, hoje com de 70
anos, faz criticas a interface web da Internet: " dizendo que tudo hoje é muito
copiado; as pessoas falam em blogs, wikis, redes sociais on-line. Não são idéias
originais, são coisas de que já se falava nos anos 60. Publicar um diário é a
coisa mais velha do mundo, o blog é um diário que rola mais para baixo."
Acredito que é a procura de uma audiência que faz a grande diferença. O diário é uma narrativa de
privacidade intima e o blog enuncia uma vivência que se quer consentida
na convivência,
com visibilidade.
Uma grande parte do que fazemos, falamos e escrevemos em rede é feito para
convencer, agradar ou para deixar registro para nossas testemunhas. Nossa vida
ativa acontece em uma ditadura testemunhal, que nos impomos e aceitamos no viver
atual. Nossa atuação nas diversas esferas da vida se relaciona a esta querência
de convencer e não decepcionar nossas testemunhas, um marco que confirma e
valida nosso atuar.
Cada um de nos tem várias e diferentes testemunhas: na família, os amigos,
na profissão, com seus alunos, seus leitores ou pares nas diversas comunidades
de convivência. Na rede são nossas testemunhas que nos destacam no meio da multidão.
As nossas trocas de informação se modificam de acordo com a "qualidade" destes
espectadores privilegiados que irão, por opção nossa, julgar e aceitar nosso
feito, dito ou escrito e transferir esta apreciação ao longo do tempo. Dai ,
talvez, a grande sedução do desejo da escrita na web, onde podemos relatar
nossas façanhas para uma maior memória, pois escrever é mostrar-se e dar-se a
ver para a apreciação dos outros.
A escrita cria um passado ao qual podemos sempre recorrer ou regressar para uma
acolhida de prova ou de nova representação. A escrita cria uma memória iluminada
no presente.
A informação não existe sem as testemunhas e toda a memória depende delas, Os
estoques de memória existem, enquanto existirem as testemunhas ou as testemunhas
das testemunhas do que lá se encontra.
Este número do DGZ, que mostra uma cultura informacional em mudança,
salienta a visibilidade que todos queremos, uma visibilidade que reforça
nossa individualidade, algo mais sofisticado que os quinze minutos de fama. .
Cada edição
de
DataGramaZero se propõe reunir textos, por afinidade temática,
destinados às seções de artigos, comunicações
e recensões visando divulgar e promover perspectivas críticas
fundamentadas em áreas interdisciplinares da Ciência da Informação,
tais como Informação e Sociedade, Informação
e Políticas Públicas, Informação e Filosofia
ou Informação e Comunicação.
Os artigos
são de responsabilidade de seus autores. Citações
e transcrições são permitidas com a menção
da fonte. Livros, artigos e revistas enviados para recensões ou
notas bibliográficas não serão devolvidos, permanecendo
da revista a decisão sobre a sua publicação.
Aceitamos
permutas com outras publicações similares (links, resumos
e/ou textos completos). Solicitamos aos interessados em enviar artigos
que leiam as NORMAS de submissão.
Editor-responsável:
G. L. de Souza (IASI)
Conselho Editorial e Científico:
Aldo de Albuquerque Barreto (IBICT/UFF),
Aurora de La Vega (Universidad Católica del Perú)
Cláudio Starec (Faculdade Senac)
Joana Coeli Ribeiro Garcia ( UFPB),
Johanna W. Smit (USP)
Marcelo Bax (ECI/UFMG),
Rosali Fernandez (IBICT),
Suzana Pinheiro Machado Müeller
(UnB),
Vera Silvia Marão Beraquet (PUC-Campinas)
DataGramaZero
ISSN 1517-3801
Datagramazero
<datagramazero@e-iasi.org>
http://www.dgz.org.br
- http://www.datagramazero.org.br
DataGramaZero - revista de propriedade do IASI - Instituto de Adaptação
e Inserção na Sociedade da Informação
O IASI é uma organização não-governamental,
sem qualquer vinculação político-partidária
ou religiosa, estabelecida em novembro de 1998 e dedicada a estudos e pesquisas
sobre Sociedade da Informação para promover maior
inclusão digital.
Rio de Janeiro - Brasil