Interfaces Digitais na
Educação: @lucin[ações] Consentidas
Editora: Escola do Futuro, USP
Autor: Brasilina Passarelli
ISBN : 978-85-60257-01-0
1ª Edição - 2007 - 200 páginas
O termo alucinante pode nos remeter a algo
insensato ou aloucado, porém também a algo apaixonante. Independentemente
das intenções da autora na escolha do seu título, Interfaces Digitais: @lucinações
consentidas é um livro que reflete a paixão e o empenho de Brasilina
Passarelli pelo uso das tecnologias de informação no ensino e também
apaixona o leitor.
E, longe da insensatez, o livro descreve e avalia, de forma bem estruturada, simples e didática, as experiências no campo da educação à distância desenvolvidas pelo LintE - Laboratório de Interfaces em Educação –, que é coordenado pela autora no âmbito da Escola do Futuro da USP. As experiências descritas também ligadas à atuação da autora como professora do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da ECA/USP.
A generalização das redes de comunicação virtuais propiciadas pela difusão
da Internet é inicialmente apresentada como o contexto que justifica o
interesse na educação à distância no processo de aprendizado. A seguir é
traçado o perfil de alguns projetos internacionais voltados para o assunto,
assim como o da própria Escola do Futuro. Nestes capítulos iniciais, e ao
longo de toda a obra, são também consideradas as imposições da educação
pós-moderna, que incluem, entre outros tópicos, a valorização do uso da
informação para a solução de problemas, a mudança da relação
aluno-professor, a autonomia do aluno, o aprendizado constante, a cognição
distribuída, etc.
A descrição e a avaliação dos projetos coordenados por Brasilina Passarelli
é o que se destaca no restante do livro. São quatro projetos: dois voltados
para o ensino fundamental e médio e dois projetos destinados ao ensino
superior.
Tô Ligado – O Jornal Interativo
da Sua Escola – é um site concebido para incentivar a pesquisa, a
produção de textos e o uso da tecnologia digital no processo de aprendizagem
para as 7ª e 8ª séries das escolas públicas do estado de São Paulo. Núcleos
temáticos foram colocados neste site, como “comunidade viva”, “o repórter é
você”, com a finalidade de incentivar a produção docente e discente.
Já Conexão Escola visa a educação continuada de professores da rede pública que fizeram curso de capacitação para a utilização de tecnologias de informação e comunicação (TICs) nas suas aulas. A concepção deste site baseia-se nos princípios pedagógicos atuais aplicados aos professores, como a idéia de aprendizado constante e a interação. Em princípio o uso do site aplica-se às cerca de 3000 escolas que têm salas de informática no estado de São Paulo.
As outras duas experiências relatadas referem-se a sites utilizados como
apoio às aulas de graduação e pós-graduação, não visando, portanto, apenas a
educação à distância. Nexus é um site que se destina a alunos que frequentam
disciplinas de orientação bibliográfica e voltadas para o uso de recursos
informacionais do curso de graduação em Biblioteconomia e Documentação da
ECA-USP.
O programa do curso, o cronograma de atividades e links para outros conteúdos são aí incluídos, além orientações metodológicas para a produção do trabalho científico. Os alunos de pós-graduação que se matriculam na disciplina “Criando Comunidades Virtuais de Aprendizagem e Prática”, além de recursos semelhantes aos da graduação dispõem de site que visa à produção de textos coletivos e o uso de recursos multimídia.
A avaliação de todas estas experiências é também apresentada, sobretudo a
partir de informações sobre acesso a esses sites. Os dados referentes às
escolas de ensino fundamental mostram que este acesso atinge números
absolutos elevados: 135 mil acessos no caso do site Tô Ligado num período de
menos de dois anos. Contrastam com essas informações positivas, alguns
aspectos negativos como a baixa produção de textos por parte de alunos e
professores.
Quanto à avaliação das experiências voltadas para o nível superior,
destacam-se igualmente os números sobre o acesso aos sites, que chegam a
passar de 1800 num período de um ano. Os dados obtidos através de uma
enquête também sugerem que as experiências no ensino superior contribuem
para a qualidade da produção discente.
Algumas questões referentes ao uso de novas metodologias de ensino,
incentivadas pela disponibilidade do espaço virtual, são sugeridas ao longo
da leitura do texto. Qual o efeito do compartilhamento de textos produzidos
pelos alunos na avaliação individual? E, sobretudo, qual o efeito da
qualidade dos textos quando se adota a produção coletiva? Essas questões não
invalidam, ao contrário, dão respaldo às iniciativas da autora.
Uma crítica que poderia ser levantada à obra refere-se à restrição dos
relatos e avaliações aos anos de 2001 a 2003, especialmente considerando-se
que as experiências estão ainda em andamento e abordam um tema que exige
atenção à questão da rápida obsolescência. Infelizmente, entretanto, os
progressos ainda limitados nesta área no país mantêm atualizadas, e ainda
pioneiras, as iniciativas de Passarelli.
O relato dessas experiências e avaliações, feito criteriosamente e com atenção especial à terminologia utilizada é, portanto, de grande valor, pois instrui e orienta aqueles que buscam incentivar o uso das TICs ou focalizá-lo como tema de investigação.
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