DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação - v.8   n.4 ago/07                            RECENSÕES

Interfaces Digitais na Educação: @lucin[ações] Consentidas
Editora: Escola do Futuro, USP
Autor:  Brasilina Passarelli
ISBN : 978-85-60257-01-0
1ª Edição - 2007 - 200 páginas


O termo alucinante pode nos remeter a algo insensato ou aloucado, porém também a algo apaixonante. Independentemente das intenções da autora na escolha do seu título, Interfaces Digitais: @lucinações consentidas é um livro que reflete a paixão e o empenho de Brasilina Passarelli pelo uso das tecnologias de informação no ensino e também apaixona o leitor.

E, longe da insensatez, o livro descreve e avalia, de forma bem estruturada, simples e didática, as experiências no campo da educação à distância desenvolvidas pelo LintE - Laboratório de Interfaces em Educação –, que é coordenado pela autora no âmbito da Escola do Futuro da USP. As experiências descritas também ligadas à atuação da autora como professora do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da ECA/USP.


A generalização das redes de comunicação virtuais propiciadas pela difusão da Internet é inicialmente apresentada como o contexto que justifica o interesse na educação à distância no processo de aprendizado. A seguir é traçado o perfil de alguns projetos internacionais voltados para o assunto, assim como o da própria Escola do Futuro. Nestes capítulos iniciais, e ao longo de toda a obra, são também consideradas as imposições da educação pós-moderna, que incluem, entre outros tópicos, a valorização do uso da informação para a solução de problemas, a mudança da relação aluno-professor, a autonomia do aluno, o aprendizado constante, a cognição distribuída, etc.


A descrição e a avaliação dos projetos coordenados por Brasilina Passarelli é o que se destaca no restante do livro. São quatro projetos: dois voltados para o ensino fundamental e médio e dois projetos destinados ao ensino superior.


Tô Ligado – O Jornal Interativo da Sua Escola – é um site concebido para incentivar a pesquisa, a produção de textos e o uso da tecnologia digital no processo de aprendizagem para as 7ª e 8ª séries das escolas públicas do estado de São Paulo. Núcleos temáticos foram colocados neste site, como “comunidade viva”, “o repórter é você”, com a finalidade de incentivar a produção docente e discente.

Conexão Escola visa a educação continuada de professores da rede pública que fizeram curso de capacitação para a utilização de tecnologias de informação e comunicação (TICs) nas suas aulas. A concepção deste site baseia-se nos princípios pedagógicos atuais aplicados aos professores, como a idéia de aprendizado constante e a interação. Em princípio o uso do site aplica-se às cerca de 3000 escolas que têm salas de informática no estado de São Paulo.

 
As outras duas experiências relatadas referem-se a sites utilizados como apoio às aulas de graduação e pós-graduação, não visando, portanto, apenas a educação à distância. Nexus é um site que se destina a alunos que frequentam disciplinas de orientação bibliográfica e voltadas para o uso de recursos informacionais do curso de graduação em Biblioteconomia e Documentação da ECA-USP.

O programa do curso, o cronograma de atividades e links para outros conteúdos são aí incluídos, além orientações metodológicas para a produção do trabalho científico. Os alunos de pós-graduação que se matriculam na disciplina “Criando Comunidades Virtuais de Aprendizagem e Prática”, além de recursos semelhantes aos da graduação dispõem de site que visa à produção de textos coletivos e o uso de recursos multimídia.


A avaliação de todas estas experiências é também apresentada, sobretudo a partir de informações sobre acesso a esses sites. Os dados referentes às escolas de ensino fundamental mostram que este acesso atinge números absolutos elevados: 135 mil acessos no caso do site Tô Ligado num período de menos de dois anos. Contrastam com essas informações positivas, alguns aspectos negativos como a baixa produção de textos por parte de alunos e professores.


Quanto à avaliação das experiências voltadas para o nível superior, destacam-se igualmente os números sobre o acesso aos sites, que chegam a passar de 1800 num período de um ano. Os dados obtidos através de uma enquête também sugerem que as experiências no ensino superior contribuem para a qualidade da produção discente.


Algumas questões referentes ao uso de novas metodologias de ensino, incentivadas pela disponibilidade do espaço virtual, são sugeridas ao longo da leitura do texto. Qual o efeito do compartilhamento de textos produzidos pelos alunos na avaliação individual? E, sobretudo, qual o efeito da qualidade dos textos quando se adota a produção coletiva? Essas questões não invalidam, ao contrário, dão respaldo às iniciativas da autora.


Uma crítica que poderia ser levantada à obra refere-se à restrição dos relatos e avaliações aos anos de 2001 a 2003, especialmente considerando-se que as experiências estão ainda em andamento e abordam um tema que exige atenção à questão da rápida obsolescência. Infelizmente, entretanto, os progressos ainda limitados nesta área no país mantêm atualizadas, e ainda pioneiras, as iniciativas de Passarelli.

O relato dessas experiências e avaliações, feito criteriosamente e com atenção especial à terminologia utilizada é, portanto, de grande valor, pois instrui e orienta aqueles que buscam incentivar o uso das TICs ou focalizá-lo como tema de investigação.

Gilda Olinto

 

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