UMA HISTÓRIA DA MENTE: A EVOLUÇÃO E A GÊNESE
DA CONSCIÊNCIA
Autor: Nicholas Humphrey
Editora Campus Ltda.
Lançado em 1994 - 276 p. - ~R$10,00 (promoção)
Muito se discute na área de informação a sua condição de mediadora do conhecimento. O destino da informação como sendo uma ação de conhecimento em uma consciência sensível.
O ritual de passagem de uma estrutura de informação do seu agente emissor, para o receptor é um acontecimento admirável, pois se relaciona à solidão fundamental do todo ser humano. O momento e sua intencionalidade aparecem como um atributo de vontade de uma mensagem ao ser propositadamente direcionada, ao ser arbitrária, para atingir o seu destino. Todo ato de conhecimento associado a um conteúdo simbólico é uma cerimônia com ritos próprios, uma passagem mediada por uma condição de solidão fundamental tanto para o emissor, quanto para o receptor da informação. A esta produção de conhecimento para o receptor chamamos, em ciência da informação, a assimilação ou apropriação da informação.
Em seu livro, Humphrey propõe uma teoria nova e radical explorando a percepção/assimilação como tendo um estágio anterior, o da sensação, que explicaria a subjetividade e a individualidade do fenômeno informação e conhecimento. A percepção de uma rosa seria, assim, totalmente modificada pela sensação que cada um de nós tem ao perceber a flor.
"Todas as sensações estão implicitamente localizadas no limite espacial entre o eu e o não eu, e no limite temporal entre o passado e o futuro, ou seja no presente", diz Humphrey em seu livro. Também Hanna Arendt, no seu livro de 1961, afirmava que as cadeias da consciência, da percepção, estariam em um ponto imaginário do presente entre o passado e o futuro. Os filósofos do ciberespaço afirmam que o tempo real, no entorno de zero, elimina o passado e o futuro, sendo o presente a única dimensão do tempo na apropriação da informação.
A sensação precedendo a percepção e a assimilação da informação reforça a individualidade do conhecimento quando apropriado pela mente de cada individuo. Falar, pois, em "gestão do conhecimento", como uma identidade teórica em ciência da informação, é como aviltar este momento de passagem, uma afirmação tola, um despautério. Aliás, Eric Berkman, em seu artigo "Quando coisas ruins acontecem a boas idéias", publicado na revista Darwin (http://www.darwinmag.com/read/040101/badthings_content.html), mostra as razões do infortúnio do termo, a principal delas sendo o envolvimento de seus profissionais em procedimentos técnicos questionáveis. Os executivos americanos não querem sequer ouvir falar mais em "Knowledge Management".
Por todas estas razões o livro de Nicholas Humphrey é bastante recomendável para quem acredita que a informação se relaciona ao conhecimento e que este é o seu destino final e, assim, parte dos objetivos da área de ciência da informação.
Recensão escrita por Aldo
de Albuquerque Barreto