DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação - v.6   n.6   dez/05                            RECENSÕES

MCLUHAN POR MCLUHAN
Autor: Stephanie Mcluhan e David Staines (Org.)
Ediouro, Rio de Janeiro, 2005
ISBN 8500016485
Brochura  - 368 pág.
Preço: R$49,90
 

Em 'McLuhan por McLuhan', Stephanie McLuhan e David Staines reúnem 19 conferências e entrevistas inéditas do literato. Organizados cronologicamente, os textos têm em comum a informalidade da linguagem oral, além de traçarem um completo panorama da evolução do pensamento do autor. É a partir deles - ou seja, de sua própria fala, - que somos apresentados a um McLuhan inesperadamente acessível, divertido e provocativo.

As conferências de McLuhan - o profeta da globalização - permitem ao leitor acompanhar o desenvolvimento de suas idéias. As opiniões que McLuhan nutria a respeito de sua própria obra e do mundo são complementos valiosos para as suas publicações. Com introdução de Tom Wolfe, convidado de honra da Bienal 2005.

O canadense Herbert Marshall McLuhan (1911-1980) se transformou em ícone pop no início da década de 60, quando suas colocações sobre o impacto da era eletrônica na sociedade ganharam destaque nos meios acadêmicos e intelectuais.

Para Mcluhan , algumas conseqüências eram inevitávei como o surgimento de uma aldeia global, onde a comunicação escrita daria lugar a uma nova forma de tradição oral, difundida pelos meios eletrônicos de massa, como o rádio e a televisão e, até mesmo, uma rede mundial de computadores. Também antecipou o surgimento da informação como bem mais precioso, em substituição aos bens de consumo.

Mc Luhan foi um dos primeiros comunicólogos quando essa profissão nem havia sido inventada. McLuhan e  cunhou a expressão "aldeia global". Ela aparece numa conferência de 1960 e nessa conferência, sua vocação de profeta, mais uma vez, se manifesta quando diz : a mídia eletrônica nos conduz à retribalização. McLuhan teria adorado a 'web', se não tivesse morrido antes de seu nascimento. Quando  fala da "retribalização" por meio da mídia eletrônica, ele aponta para a espontaneidade  dos homens "primitivos, de uma sociedade pré-verbal não contaminada.

Falando do Livro, na atualidade do texto eletrônico, o filosofo diz:

“O livro impresso tem um significado e um efeito muito diverso mesmo para diferentes grupos etários do mundo ocidental. Sem dúvida seu efeito sobre o Oriente difere de seu efeito sobre o Ocidente. Hoje, por exemplo, o significado do livro para os jovens em seu ambiente televisivo é efetivamente exótico.

O livro impresso, por sua ênfase na cultura visual intensiva, é o meio de alheamento e objetividade civilizada num mundo de profundo envolvimento sensorial. O livro impresso é assim o único meio disponível para desenvolver hábitos de iniciativa privada e de objetivos privados na era eletrônica.

Essas características não se desenvolvem no ambiente natural do som elétrico e da informação elétrica, pois o mundo acústico, à semelhança da "imaginação auditiva" definida por T. S. Eliot, não é privado nem civilizado, mas tribal e coletivo.

O livro sempre foi o vórtice de muitas artes e tecnologias, incluindo o discurso, a mímica e a elaboração pictórica. A princípio o livro impresso parecia ter excluído grande parte da opulência do manuscrito. A princípio muitos compradores de livros impressos levavamos ao scriptorium para ser copiados à mão. Em primeiro lugar, o livro impresso ou produzido em massa desencorajava a leitura em voz alta, e ler em voz alta havia sido a prática de séculos a fio.

A leitura rápida e silenciosa é uma experiência muito diferente da leitura cuidadosa e atenta, com seu convite acústico a saborear as palavras e as frases em vários níveis de ressonância. A leitura silenciosa teve muitas conseqüências tanto para leitores quanto para escritores, e é uma fase da tecnologia da impressão que pode estar em vias de desaparecer. Gutenberg, com efeito, fez de cada homem um leitor.

* Sumário
* Introdução, Tom Wolfe
* Prefácio, Stephanie McLuhan
* Cultura popular/Cultura de massa: Perspectivas americanas (1960)
* A tecnologia, os meios de comunicação e a cultura
* A revolução das comunicações
* Cibernética e cultura humana (1964)
* O futuro do homem na era eletrônica (1965)
* O meio é a massagem (1966)
* Prevendo a comunicação via Internet (1966)
* As Conferências Marfleet (1967)
* Canadá, o caso da fronteira
* Para uma consciência inclusiva
* O noticiário de televisão como nova forma mítica (1970)
* O futuro do livro (1972)
* O fim da ética do trabalho (1972)
* A arte como sobrevivência na era eletrônica (1973)
* Viver à velocidade da luz (1974)
* O que a televisão tem de melhor (1976)
* A televisão como veículo de debate (1976)
* A violência como busca de identidade (1977)
* O homem e os meios de comunicação (1979)
* Posfácio, David Staines
 

Recensão escrita por Aldo de Albuquerque Barreto
Pesquisador Titular do MCT - IBICT