DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação - n. zero  dez/99                            ARTIGO 06

Impacto da Internet: algumas questões conceituais e metodológicas,
ou como acertar um alvo em movimento atrás da cortina de fumaça
Impact of the Internet: some conceptual and methodological issues, or how to hit
a moving target behind the smoke screen*
por Michel J. Menou

 
Resumo: A crescente preocupação com a demonstração do impacto, presumidamente  positivo, das ICTs  (Tecnologias da Informação e da  Comunicação), da Internet, da Informação, etc. , parece ser impulsionada principalmente pela necessidade de justificar urgentes e maciços investimentos nesta área, ou de tirar proveito dela.  Uma tal abordagem pode ser tão míope quanto pouco produtiva. A própria noção de impacto desloca-se em um contínuo de perspectivas de avaliação , que vão da mera penetração de mercado às permanentes tranformações sociais, e ainda mais além. É preciso considerá-la cuidadosamente. A própria Internet está longe de ser um objeto explícito. Abrange infra-estruturas, recursos, transações e os resultados de sua utilização. Ordenar as várias facetas poderia ajudar a estabelecer aquilo que se quer investigar e a sua relação com outros universos. Por exemplo, é questionável que a Internet possa ser estudada independentemente de outras ICT’s, as quais pode somente substituir ou revigorar. A comunidade dos usuários da Internet  não é menos esquiva ou volátil como objeto de estudo. Parece, pelo menos desde uma perspectiva multicultural, ser pouco tratável por métodos de investigação padrão. Além disso, ela representa somente uma fração minoritária dos constituintes que se supõem indicar “ impactos”. Estudos de impacto têm uma tendência natural para tentar mostrar mudanças entre uma situação inicial, na maior parte das vezes descrita em termos vagos, e uma nova situação. E fazem isso tão apressadamente quanto possível. O resultado é freqüentemente decepcionante. Além de inútil, visto que é o próprio processo de mudança, pelo qual os participantes moveram-se de uma situação para outra, o que se necessita entender, com a finalidade de aprender com aquele esforço e tomar uma ação mais efetiva no futuro. Ainda pior, somente uma vaga atenção é dispensada às características das pessoas e às suas próprias necessidades e pontos de vista, embora elas sejam a parte determinante de qualquer sistema de informação ou comunicação. Baseado na experiência extraída de uma série de estudos sobre impacto, o artigo tentará oferecer algumas diretivas práticas para  tratar problemas tão difíceis.
Palavras Chave:  Impacto das Novas Tecnologias; Impacto da Internet; Avaliação do Impacto Tecnológico

Abstract: The growing concern for demonstrating the impact, assumedly positive, of ICTs, the Internet, Information, etc. seems to be primarily driven by the need to justify urgent and massive investments in these areas, or benefit from them. This approach might be short-sighted and not so much productive. The notion of impact itself is floating on a continuum of assessment perspectives ranging from mere market penetration to lasting social transformation and beyond. It needs to be carefully mapped. The Internet is itself a far from explicit object. It covers infrastructures, resources, transactions, and the outcome of their use. Ordering the various facets would help positioning what it is that one wants to investigate and how this relates to other universes. It is for instance questionable whether the Internet can be studied independently from other ICT's which it may only substitute or refresh. The Internet users community is a not less elusive and volatile object of study. It seems, at least in a cross-cultural perspective, to be hardly amenable to standard methods of investigation. It further only represent a minority fraction of the constituencies which are supposed to evidence "impacts". Impact studies have a natural tendency to try and show the changes between an initial situation, though it is more often than not described in rather vague terms, and a new situation. And to do so as quickly as possible. The result is often disappointing. It is further useless, since it is the process of change by which stakeholders moved from one to the other situation which one needs to understand in order to learn from this endeavour and take more effective action in the future. To make things worst, only a vague attention is paid to the characteristics of the people and their own needs and views, although they are the determining piece of any information or communication system. Based upon experience drawn from a series of impact studies, the paper will try and offer some practical directions to cope with these vexing problems.
Keywords: New Technologies Impact; Internet Impact; Technological Impact Evaluation
 

A necessidade de avaliação
A preocupação com a avaliação do impacto da Internet e, de um modo geral, das Tecnologias da Informação e da Comunicação (ICT), responde a três exigências principais:
.Política
.Gerencial
.Intelectual
Os responsáveis pelas políticas e decisões que aprovam ou dão suporte a programas para o desenvolvimento da Internet gostariam de ter à mão alguma evidência, em apoio a suas próprias teses ou a de outros, quanto aos benefícios que anunciam.Por outro lado, os Luditas do grupo gostariam de mostrar que tais benefícios não são tão óbvios assim nem neutralizam os danos que produzem.
Os gerentes de organizações - com ou sem fins lucrativos - dos setores de informação também gostariam de encontrar, afinal, uma justificativa razoável para a persistência das afirmações de que o seu negócio é o mais importante na economia moderna e a chave do crescimento e do sucesso. Conseqüentemente, também estão interessados em entender melhor o que é e como opera o seu negócio.
Por fim, os estudiosos, por sua vez, lutam com a natureza do seu novo objeto, ou fenômeno, seus efeitos e suas conseqüências potenciais. O público, em geral, não ficaria menos interessado do que os outros com uma explicação razoável sobre o que a Internet é, o que a revolução da Internet representa para eles e como lidar com ela.
Desde os anos 40, nós temos vivido uma série de pretensas revoluções: a revolução da informação, a revolução da mídia , a revolução ICT, a revolução do conhecimento e outra pós-industrial, pós-moderna, pós-o-que-você-quiser e toda sorte de concepções equivocadas sobre situações socio-técnicas complexas e mutáveis. A fascinação pela tecnologia e pela novidade, associada com os enormes investimentos e previsões de lucros ainda maiores, contribuiu para a crença dominantemente afirmativa de que as ICTs e, portanto, a Internet são boas, essenciais e positivas. O que Richard Heeks (1999) jocosamente chama de “fetiche das ICTs contemporâneas”.
O tempo já amadureceu bastante o assunto para que se comece um esforço de esclarecimento, o que certamente não ocorrerá da noite para o dia. De fato, a maior parte das tentativas recentes nessa direção, tal como a de Charles Meadow e Weijing Yuan (1997), foi aparentemente tratada com a mais profunda indiferença. As considerações seguintes estão baseadas parcialmente no trabalho conduzido pelo programa internacional de pesquisa sobre “Impacto da informação no desenvolvimento” financiado pelo International Development Research Center, IDRC, Canadá, especialmente no caso do estudo do impacto das comunicações eletrônicas na África (Menou 1998a). Agradecemos aqui o suporte do IDRC. Nós também nos baseamos nas discussões da conferência eletrônica “Medindo o impacto do desenvolvimento das ICTs” hospedada por Bellanet (http://www.bellanet.org/lyris).

O que é “impacto”?
Impacto se tornou um modismo que aparece em quase todos os artigos ou palestras sobre as “novas” tecnologias da informação e da comunicação, acrescentando-se à já longa coleção de termos imprecisos usados no nosso campo. Refere-se a uma variedade de fenômenos distribuídos em um contínuo, apresentados de modo tentativo na figura 1 abaixo, que vão da mera novidade aparente a materiais duradouros ou transformações de comportamento a nível individual ou social.
Na extremidade mais baixa do espectro, poderia se dizer que existe um impacto da Internet porque um certo número de indivíduos ou organizações estão usando ou pretendem usar um ou mais dos seus recursos. Então, por exemplo, o fato de um certo número de agências governamentais, em um dado período de tempo, colocar websites em funcionamento é registrado como impacto da Internet, o que autoriza especulações sobre o advento da democracia digital e outras coisas mais. Um pouco mais sólido é o impacto visto como crescimento do número de usuários ou aplicações, isto é, simplesmente, como penetração do produto ou do serviço. Alguns verão um impacto do comércio eletrônico quando as transações totais alcançarem algum número simbólico como, por exemplo, “o primeiro milhão”, enquanto outros esperarão por um montante significativo de transações em um setor particular conduzido por meios eletrônicos. Toda semana nos falam da revolução da Internet, com a última cifra sobre o seu crescimento girando em volta dos 160 milhões de usuários; enquanto outros, como John Dali (1999), nos recorda que isto corresponde somente a uma pálida minoria de uns poucos por cento da população mundial.
A partir disso, alguns buscarão identificar impactos nas mudanças dos padrões de uso, tais como o número de vezes, ou de horas, que recursos específicos da Internet são acessados, a sofisticação da navegação, a adoção de novas ferramentas e técnicas, etc. Assim, o número de empresas usando uma Extranet para controlar a cadeia de fornecimento e o seu grau de integração constituiriam um impacto da Internet, independentemente do uso de EDI [IED - Intercâmbio Eletrônico de Dados] pelas mesmas empresas e outras do mesmo setor. A partir daí, o impacto será procurado na evolução das aplicações usadas. Assim, um setor, no qual é “importante” o número de empresas que usam uma combinação de Internet, Intranet, Extranet e trabalho remoto (telework), apresentará um impacto mais alto da Internet. Indo ainda mais além, se considerará a finalidade das funções ou atividades no uso da Internet e, assim, se verá um maior impacto quando certas atividades domésticas, sociais e produtivas forem realizadas pela Internet.


 

Então, finalmente,  serão considerados os efeitos resultantes. Os impactos serão procurados nas várias mudanças que ocorrem entre os usuários. Em primeiro lugar, nos deslocamentos dos padrões de comunicação, isto é, por exemplo, na substituição de serviços postais por correio eletrônico, ou da telefonia comum por telefonia IP. Mais significativas são as mudanças que afetam os recursos de informação disponíveis para o usuário, ou ainda, sua base de conhecimento, seu comportamento na busca de informação, seus processos de tomada de decisão, os padrões de gerenciamento dos seus negócios ou mesmo da sua organização. Além dessas mudanças de recursos ou comportamentos, se procurarão variações na eficácia ou mesmo na eficácia-de-custo daqueles comportamentos e mudanças. Tais variações podem, além disso, refletir-se em um nível organizacional ou social mais amplo. Assim, a redução do tempo e do custo de uma transação particular através do uso de uma Intranet será chamada de impacto. Um aumento do giro também.
Contudo, esses “impactos” não somente estão ligados com um conjunto dramaticamente complexo de fatores, mais além do mero “uso da Internet”, como podem não alterar durável ou substancialmente a forma com que as pessoas ou as organizações tratam de suas atividades particulares. Em outras palavras, tais mudanças podem ter uma natureza mais transacional do que substantiva. Seria então mais apropriado chamá-las de “efeitos” do que de “impactos”. Uma vez que as ações consideradas resultantes das mudanças acima mencionadas produzam efeitos, estes podem, por seu lado, induzir uma série subseqüente de mudanças, isto é, a adaptação, a adoção e a institucionalização daquelas alterações iniciais. Nesse momento, finalmente, entramos na área que deveria ser conhecida como de impacto, propriamente dita.
De fato, impacto é a colisão de corpos e a alteração resultante disso. Quando ocorre um impacto nenhum dos corpos permanece o mesmo. Nós sustentamos então que o impacto deveria se restringir a mudanças substantivas e duradouras que ocorrem na base de conhecimento, no comportamento, organização ou eficácia dos indivíduos, instituições ou sociedade. Na medida em que a sustentabilidade é um atributo primário da definição acima, poderíamos restringir ainda mais o impacto às mudanças nas habilidades dos atores no tratamento de seus problemas. O que poderia ser formulado do seguinte modo: “Impacto é a mudança na habilidade das pessoas em satisfazer suas necessidades que o efeito do uso da Internet (ou qualquer outro recurso de informação) traz.” (Menou 1998b). Neste ponto, impacto é bastante similar a aprendizagem.
Isso não quer dizer que os outros aspectos, inclusive aqueles na extremidade inferior do espectro, não devam ser considerados. Ao contrário, é mais provável que a sua observação seja uma condição para o rastreamento dos impactos. Ainda mais que existe uma chance limitada de mudanças duradouras nos comportamentos ou nas habilidades sem uma alta penetração. Elas pertencem, contudo, a uma fase onde os dois universos interferem e não àquela em que eles colidem. Seria apropriado, nesse caso, usar consistentemente nomes distintos.
 
 
 

O que é a Internet sobre a qual falamos?
A Internet se tornou algo assim como um termo genérico. Embora seja usado comumente em várias ocasiões não é nada fácil entender a que se refere. É a rede global? É uma rede qualquer baseada nos protocolos TCP/IP? Excluimos aí o correio eletrônico baseado em UUCP? Será um recurso particular tal como correio eletrônico, conferência eletrônica ou a web? Será uma combinação desses recursos e, nesse caso, quais e quantos deles deveriam ser considerados para que a menção à Internet fosse apropriada? Algum elemento particular tem um impacto específico, diferente daquele do conjunto completo de componentes?
Deveríamos trabalhar dentro de um universo tecnológico com fronteiras e componentes claramente identificados, como sugerido por John Daly (4/ 5/ 1999) ou deveríamos focalizar um conceito de espaço(s) de comunicação particular(es) como sugerido por Sam Lanfranco (3/ 5/ 1999)? É tão difícil oferecer uma definição da Internet quanto especificar os seus componentes merecedores de consideração em estudos de impacto. Ainda mais que cada tecnologia particular muda rapidamente, e todas as tecnologias se combinam ou se fundem a um ritmo não menos veloz. De fato, é a versatilidade das tecnologias digitais e a sua habilidade de produzir ”infinitas” formas de saída a partir de uma simples entrada o que as faz, juntamente com as biotecnologias, revolucionárias, como marcou Sandra Braman (1999).
Seria mais simples, então, admitir uma definição geral da Internet como uma rede digital. E, a partir daí, especificar quais as formas reais que estão sendo consideradas em um estudo particular, de preferência começando por uma lista padrão de formas elementares conhecidas, por exemplo, correio eletrônico, web, etc. Em seguida se poderiam indicar, usando possivelmente uma lista padronizada de atributos, tais como a proposta por Andrew Finn (1999)  [1], as características-chave daquelas formas, em particular, a sua amplitude de acesso e o tipo de conteúdo. Pode se esperar que, em um certo número de ocasiões, não será apenas difícil, mas inadequado, separar inteiramente a Internet da sua família, as tecnologias da informação e da comunicação. Por exemplo, este é o caso quando consideramos o material de aprendizagem acessível tanto pela Internet como também através de CD-ROMs, cassetes de áudio, fitas de vídeo e televisão.
A rede digital, assim definida, poderia ser comparada às propriedades físicas gerais de um universo. Podemos chamá-la de seu campo de comunicação. Mas o que será exatamente este universo? A rede digital pode estar presente e, possivelmente, ser utilizada em uma variedade de universos definidos como relevantes para o estudo de impacto pelas entidades que os habitam e por suas funções principais. Em outras palavras, poderíamos considerar como universos ou espaços, para usar a terminologia de Lanfranco, o espaço individual, o espaço familiar, o "espaço de trabalho" ["workspace"] e o espaço de participação social. Esses quatro espaços podem ter uma importância variada segundo os atores e circuntâncias. Eles também se superpõem mais ou menos extensivamente. Podem ser considerados como os “espaços básicos” a serem explorados em estudos de impacto da Internet ou similares [2], como mostrado na figura 2. Cada um desses espaços é suscetível de assumir uma extensão espacial que vai de uns poucos metros ao cosmos inteiro [3]. Cada um deles pode, igualmente, comportar uma dimensão temporal de uns poucos minutos até a eternidade [4].


Até agora, independentemente da definição ou do âmbito empregados, os estudos de impacto têm considerado a Internet como um espaço autocontido. As outras formas de comunicação possíveis aparecem no quadro quase que exclusivamente sob a perspectiva da sua substituição ou como testemunho do passado. O que pode ser algo limitado. Mesmo quando as comunicações digitais forem pervasivas em relação a todos os espaços e se tornarem amplamente dominantes, é difícil imaginar que não haverá lugar para as comunicações analógicas, pelo menos enquanto tais espaços sejam habitados por seres humanos e outros organismos vivos naturais, isto é, não manipulados geneticamente. Por enquanto e por algum tempo ainda, espera-se, a comunicação tem lugar tanto na rede digital, ou no campo digital, quando ele existe, como no analógico. Os intercâmbios entre os dois vão muito além da substituição ou da competição. Por exemplo, há muito que o papel dos contatos pessoais e da interação física nas comunicações mediadas pelo computadores têm sido evidenciadas. Tentar entender o impacto de Internet sem reservar um lugar apropriado naquele quadro para as outras formas de comunicação que ocorrem em função dos mesmos eventos ou necessidades é, no mínimo, míope. A conjunção entre essa esfera dual de comunicação e os espaços básicos é, assim, o universo a ser estudado.
Dependendo do âmbito e do propósito particulares de um estudo, pode ser útil, além disso, especificar o universo indicando um número de dimensões ou atributos. Entre estes, podemos considerar de interesse, na maior parte dos casos, as funções principais realizadas pelos atores. Esse atributo pode ser condensado em quatro categorias básicas que terão um caráter permanente em qualquer esquema de observação:
.Comunicação
.Administração/ Decisão
.Produção ou troca de bens e serviços tangíveis
.Criação ou troca de bens e serviços intangíveis (por exemplo, pesquisa, aprendizagem, criação artística, etc.)
Definiremos, então, nosso objeto como ”Um espaço social, em um dado tempo e lugar, que opera através de campos analógicos e digitais de comunicação”. Os outros atributos básicos, tanto do(s) espaço(s) social(ais) como dos campos de comunicação, serão especificados segundo a necessidade.

O que procurar?
Pelo que tem sido discutido até agora, parece que estamos procurando por mudanças no espaço(s) social(is) designado(s) como resultado do intercâmbio entre os campos de comunicação digital e analógico. Mais precisamente, gostaríamos de verificar se ocorrem mudanças nos recursos, comportamento, organização, realizações ou habilidades dos atores no(s) espaço(s) considerado(s).
Do mesmo modo que tentamos estabelecer uma matriz de objetos e atributos que pudessem ser usados para delinear mais precisamente qual é a Internet que está sendo estudada, seria útil começar aqui por uma série padronizada de áreas de impacto, que podem ser:
.Física
.Intelectual
.Profissional
.Econômica
.Cultural
.Social
.Política
Enquanto que o sentido comum e alguma evidência empírica indicam a provável interação e, às vezes, interdependência daquelas áreas, focalizar uma ou outra delas é mais sensato do que tentar dominar de forma abrangente o impacto da Internet. Isso não nos exime de investigar a amplitude total das áreas, mas ao fazê-lo separadamente e usando métodos mais apropriados para cada uma delas provavelmente obteremos resultados mais efetivos. É digno de atenção que as mudanças físicas não têm atraído até agora muita atenção, mesmo sob o limitado aspecto da insalubridade. Quando a geração que agora cresce com computadores e com a Internet começar a apresentar deficiências psicomotoras será, de novo, tarde demais. É dada excessiva atenção às mudanças comportamentais com o prejuízo das físicas.
Donald Lamberton (1995) insistia que a maior parte das discussões sobre a infraestrutura da informação deixava de lado três aspectos fundamentais da cena: os fluxos e estoques de informação, o capital humano e o capital organizacional. Concordamos plenamente e, por isso, sugerimos que seria apropriado focalizar a atenção na criação, manutenção e ampliação daquelas três entidades. Poderíamos acrescentar ainda uma quarta, agora chamada “capital social”, e que seria provavelmente melhor descrita com o nome de cultura.
Ainda que se concentrem nos vínculos presumidos entre o uso da Internet e as mudanças nos espaços considerados, a maior parte dos estudos de impacto dão lugar a uma variedade de outros fatores, considerados ora como atributos dos dois objetos principais, ora como fatores ambientais, condições, exterioridades, etc. Alguns exemplos recentes ilustram isso. McCreadie e Rice (1999) abordam as facetas do processo de busca de informação e as influências e constrições no acesso à informação [5] . Ramarapu e colaboradores (1999) consideram um conjunto de variáveis contextuais, condições de operação, variáveis de processo de grupo e resultados relacionados tarefa/ grupo [6] , o que, de fato, tende a parametrizar todos os aspectos do contexto individual e social. Klobas (1999) testou certo número de modelos de uso de informação e provisoriamente os reformulou em um novo, chamado de comportamento planejado em contexto, que integra sete conjuntos de fatores [7]  que governam o uso dos recursos da rede. Essas representações refletem a integração do Ambiente de Uso de Informação, de Robert Taylor, no esquema preliminar de avaliação de impacto desenvolvido na primeira fase do programa sobre o Impacto da Informação no Desenvolvimento, e a ênfase colocada no que então chamamos de hierarquias aninhadas ligando uso da informação, ação e resultados (Menou 1993).
Assim como as esposas, nas biografias dos grandes homens [8] , as pessoas são freqüentemente os elos perdidos dos modelos ou esquemas. Até certo ponto podem ser encontradas, mas quase inevitavelmente reduzidas a um conjunto de atributos em relação ao sistema, à tarefa ou à situação, em acréscimo a características demográficas amplas. É digno de consideração que alguém esteja já há cinco anos na inteligência competitiva e usando a web em seus negócios há três anos, quando se comparam os benefícios que essa pessoa pode desfrutar com os de outra menos experiente. Não se faz justiça ao fato de que uma delas pode ser muito inteligente e a outra não, mesmo quando graduada por uma melhor escola. Há algum tempo atrás (por exemplo, Menou 1995, 1998b), defendemos que os atributos das pessoas, que chamamos provisoriamente de “atributos ativadores de conhecimento”, deveriam ser um componente-chave em qualquer modelo de impacto. Nós os agrupamos em dois conjuntos distintos de atributos, “estrutural” e “situacional”. Ambos conjuntos tentam retratar características pessoais que sejam intrínsecas e independentes das tarefas e situações, ainda que os valores que assumem em um momento particular sejam de algum modo influenciados por estas. Os atributos estruturais são aqueles mais permanentes e estáveis. Os atributos situacionais são aqueles que parecem variar mais segundo as circunstâncias. Incluímos sete “atributos estruturais”: aptidão, personalidade, cultura, emotividade, lógica, imaginação, capacidade heurística da base de conhecimento; e sete “atributos situacionais”: prontidão, capacidade, apropriação, habilidade de desempenho, mediação, propensão a mudança, objetivação (i.e., o proceso que separa as entidades das pessoas que as representam: a presidência não se confunde com o presidente) de instituições e processos. Alguns estudos teóricos e empíricos esparsos apontaram a maior parte desses atributos, mas lhes falta uma arquitetura e um papel definido para um modelo de impacto. A falta de espaço não nos permite discuti-los aqui.
Por um lado, seria útil consolidar tais listas de condições e de outros fatores, separando as que são fatores externos, realmente, daqueles que são simples atributos das duas entidades centrais e que, por isso, deveriam permanecer associadas àquelas nos modelos. Por outro lado, e mais importante ainda, parece que o uso da Internet, ou de informação em geral, não parece ter qualquer efeito, a menos que exista uma combinação dos atributos e fatores externos apropriados. Isso tem sido mostrado ou sugerido em alguns projetos no programa de impacto IDRC (Menou 1999). Antes que: “o que é o impacto da Internet no espaço A?”, a questão deveria ser: “o que, além do uso da Internet, está levando a mudanças no espaço A?”. Um dos projetos de impacto IDRC, pesquisando com o modelo LISREL o papel da informação no êxito dos pequenos negócios, mostrou o papel auxiliar da informação, ao mesmo tempo que demonstrava a aplicabilidade do LISREL em tais estudos (Vaughan 1999).
Permanece a questão das ”mudanças no espaço A”. Na maior parte das vezes, os estudos de impacto parecem predeterminar, deliberada ou inadvertidamente, quais as mudanças que devem ocorrer ou que realmente são esperadas. Entre os benefícios pressupostos podemos citar: a economia de tempo, o aumento da visibilidade internacional, o êxito do negócio, a participação, etc. Provêm, todos eles, da idiossincrasia cultural da estrutura técnica dos países industrializados. Esse preconceito pode ser encontrado na maior parte dos indicadores. O que apóia, por exemplo, a noção de que uma expectativa de vida maior, além dos 50 anos, é um “progresso”? No programa de impacto IDRC, nós optamos decididamente por uma abordagem participante e ascendente na seleção de atividades pertinentes e problemas relacionados a serem investigados, na indicação e validação dos benefícios e das perdas. Uma vez que muitos estudos de impacto da Internet são provavelmente desenvolvidos por (ou em conjunto com) organizações que, de algum modo, promovem a Internet, pode se temer que eles não irão mais além do que faz a pesquisa de mercado, em sua adoração pelo fetiche ICT.
Mesmo permitindo que os impactos negativos sejam mostrados, o seu estudo sofre do que Edgar Morin chamou de “a patologia do conhecimento”, que ele explica como uma conseqüência dos princípios de disjunção, redução e abstração (Morin, 1990, p.18). De fato, tal patologia é uma patologia do pensamento “científico” ocidental. Ela impõe particularmente uma forte separação entre os valores de uma medida. Um objeto deve ser único e medido de forma singular. Ele é positivo ou negativo. Infelizmente, nos sistemas vivos reais, a maior parte dos fenômenos são tanto positivos como negativos, pretos como brancos, satisfatórios e frustrantes, etc. Kandath e colaboradores (1999) oferecem alguns exemplos esclarecedores dos paradoxos e contradições na comunicação ligadas à mudança social. Daí a idéia de que os impactos seriam melhor representados ou medidos ao longo de uma escala bidimensional, mostrando ao mesmo tempo valores positivos e negativos, tal como na figura 3. Ao invés de se tabularem e/ou computarem valores para operações aritméticas, eles deveriam ser mapeados para uma apreciação holística mais sensorial, na qual os prós e os contras não se separassem, mas se combinassem nas posições relativas das linhas em torno do ponto neutro.

 

Quem são e onde estão os usuários da Internet
Não fossem as coisas suficientemente complicadas, identificar e rastrear os usuários da Internet é tudo, menos uma tarefa fácil.
Muitos estudos optaram por considerar usuários pertencentes a uma configuração institucional particular, por exemplo, faculdades e estudantes de instituições acadêmicas. Outros se vinculam a um serviço particular, por exemplo, visitantes de um certo website ou assinantes de um grupo particular de notícias ou de discussão. Poderíamos tentar observar uma comunidade mais aberta,  visando os assinantes de um serviço de acesso à Internet, ou pelo tratamento de uma amostragem de pessoas ou instituições em uma área geográfica ou setor particular. Pode-se mesmo tentar observar os usuários em um país ou região específica em qualquer combinação das abordagens acima. Em qualquer caso, independentemente do método de amostragem aplicado, é quase impossível evitar as conseqüências da conveniência como critério de seleção dos entrevistados, ou da predominância das vozes dos “viciados na Rede”, como Harry Bruce (1995) sublinhou. Em muitos casos, os usuários são identificados através de uma conta da Internet. Mesmo onde elas são individuais, em sua maior parte, é muito difícil estabelecer uma conexão precisa entre uma transação e uma pessoa, ou um cão, de acordo com o famoso desenho animado (o cão, no terminal, diz: "On Internet nobody knows you're a dog - Na Internet ninguém sabe que você é um cachorro"). Mas a questão se torna verdadeiramente intratável quando a maior parte das contas é coletiva, como ocorre na África (Menou, 1998a). Além disso, os usuários tendem a migrar bastante freqüentemente de uma conta para outra, o que não é muito problemático para estudos de uso, mas que é devastador para estudos de impacto que necessitam ser, no mínimo, repetidos durante um período relativamente longo, ou, mais ainda, longitudinais. Parece, à primeira vista, ser natural basear-se nos provedores de serviços para o acesso inicial aos usuários. Contudo, muitos deles objetam que, como devem proteger a privacidade de seus usuários ou clientes, não podem divulgar listas ou outras informações pedidas com propósitos de amostragem. Conseqüentemente, tal informação não está nem mesmo disponível de um modo utilizável. O mundo cibernético e o mundo real interferem entre si também de uma forma não tão facilmente previsível. Por exemplo, a inatividade de uma conta num determinado período pode dever-se a uma variedade de circunstâncias, tais como viagem, pressão de trabalho, ruptura na rede local, incapacidade de pagar as contas de telefone, tempestades que destróem as linhas de força ou de telefone, etc. Isso pode resultar em que as contas mais ativas, selecionadas anteriormente dos dados de tráfego em um estudo particular, se tornarão repentinamente inativas e fora de alcance. Obviamente, claro, é natural e conveniente tentar realizar levantamentos pela Internet. Contudo, a habilidade e propensão a responder questionários distribuídos por correio eletrônico e a precisão das respostas [9]  mostraram-se dependentes do ambiente e da cultura. Em nosso estudo na África, descobrimos que uma discussão presencial era freqüentemente necessária. Mas, em qualquer caso, a conexão entre endereços eletrônicos e físicos não é direta [10], e as complicações dos levantamentos de dados tradicionais não podem ser evitados. Se o que se trata, como é o caso freqüentemente, é de mudanças em uma comunidade que inclui usuários e não-usuários da Internet, por um lado, e uma variedade de papéis e posições estão representados naqueles dois conjuntos, um estudo de impacto teria que encontrar tanto os não-usuários como os usuários e cobrir, se não todas, pelo menos as mais importantes categorias de agentes. Não somente um fenômeno é tanto positivo como negativo para alguém, como o que é positivo para um agente é possivelmente negativo para outro. A equipe de funcionários pode gostar, por exemplo, da facilidade e liberdade de comunicação trazida pelo correio eletrônico, que, por sua vez, talvez sejam muito menos apreciadas pelos supervisores. Portanto, a avaliação final deve contemplar todas essas contradições.

Quando e como fazer “estudos de impacto”?
Com a exceção talvez dos Estados Unidos, a experiência dos usuários da Internet é relativamente nova. Assim, é muito difícil que se distanciem das transações e da ferramenta mesma para considerar as relações destas com os problemas tratados. Ainda mais difícil é a apreciação sobre quais mudanças ocorreram ou são esperadas, assim como sobre o seu valor. O resultado é alguma tautologia do tipo: “o correio eletrônico é bom porque eu posso manter trocas baratas, efetivas e rápidas com meus colegas e isso é essencial para o meu trabalho”. Bem, sim, mas quão essencial? Será que não se realizavam negócios eficazes antes? Isso não quer dizer que é muito cedo para se fazerem estudos de impacto. Ao contrário, sentimos com bastante intensidade que o trabalho visando a avaliação do impacto deveria começar o mais cedo possível, idealmente no primeiro minuto em que o serviço se tornou disponível, ou ainda antes, como veremos abaixo. Deveríamos contudo ter em mente que os dados sobre o impacto não serão obtidos senão depois de vários anos [11] e, provavelmente, serão necessários 10 ou mais anos antes que descobertas confiáveis possam ser feitas.
Os estudos de impacto se baseiam freqüentemente em uma comparação simplista entre a situação inicial, isto é, antes da Internet, e a situação em algum momento “depois”. Infelizmente, em muitos casos, a situação anterior é conhecida apenas em termos muito superficiais. Também é freqüentemente descrita a posteriori, através das recordações dos que respondem quando são perguntados: “O que você fazia quando você não tinha acesso à Internet?”. Essas não são necessariamente as fontes mais confiáveis. Os estudos de impacto deveriam, então, desenvolver um esforço significativo na investigação cuidadosa da situação inicial anterior àquela em que o uso da Internet se torna um lugar comum.
A abordagem “antes-depois” tem um defeito ainda mais radical. Ela nos apontará, talvez, quais as mudanças que ocorreram, mas dirão muito pouco sobre como e porque ocorreram. E isto é, precisamente, o mais importante no caso de um estudo de impacto para formular políticas. Essa limitação torna-se mais séria ainda, se nós admitirmos que a abrangência exigida da análise é o conjunto total de fatores, incluindo aí os atributos e as condições dos espaços e funções estudados. Por tudo isso, os estudos de impacto precisam estar baseados em observações permanentes. O que, por seu lado, requer que os membros da comunidade, ou os intermediários dentro dela, sejam treinados para realizar observações eficazes. Na maior parte dos casos, pode ser necessária uma combinação tanto de auto-observação como de observação por terceiros, de forma a se obter a cobertura e a “objetividade” requeridas ao mesmo tempo em que minimizam as restrições para todos os participantes. Nas conclusões de seu trabalho de revisão esclarecedor, John Leslie e Kenneth Kraemer (1998, p. 210) propõem cinco princípios que poderiam guiar as pesquisas:
.Focalização nos principais adotantes
.Amostragem de 'sites' extremos na aplicação de uma política (isso ao se estudarem políticas, embora, em nossa opinião, essa advertência se aplique a todas as condições-chave em qualquer tipo de estudo)
.Uso de levantamentos censitários
.Concentração em estudos de longo prazo
.Uso de uma combinação de métodos e medidas
Só nos resta aderir a tais princípios, uma vez que correspondem às nossas próprias observações nos estudos de impacto no IDRC. Isso, ainda que tenhamos colocado ali os estudos de longo prazo em primeiro lugar, com o nome de estudos longitudinais. Embora a necessidade de dados de tipo censitário não possa ser descartada, a viabilidade dos recenseamentos significativos é mais questionável, dada a magnitude dos recursos que eles exigem.
O foco nos adotantes iniciais, tanto da Internet como de inovações nos seus negócios, é, claramente, uma abordagem adequada na obtenção de signos de mudança, quando uma pesquisa não pode alongar-se por muito tempo ou, então, testar hipóteses antes de se comprometer em um estudo de longo prazo. Deve-se, contudo, estar alerta para a distorção assim induzida. O que pode ser equilibrado, talvez, pela inclusão de um grupo de controle de não-usuários ou de usuários comuns.
Não é menos essencial a advertência em defesa do uso de uma combinação de métodos e de medidas. A razão principal para isso é que ainda não sabemos quais métodos - e sob que condições -  seriam os apropriados. Eles deveriam, assim, ser testados cuidadosamente e seus resultados compartilhados com a comunidade de pesquisa da Internet. Uma segunda razão diz respeito às limitações da maior parte dos métodos e às distorções que podem ser encontradas tanto nos investigadores como nos indivíduos pesquisados. Qualquer oportunidade para uma avaliação transversal dos dados é assim digna de ser aproveitada. Até agora, o levantamento parece ter sido o método mais largamente usado. Métodos antropológicos, combinados com uma arquitetura geral de pesquisa-ação, poderiam ser mais satisfatórios. Assume-se que o propósito do estudo é entender o que ocorre, antes que oferecer resultados rápidos e imprecisos em apoio a teorias ou planos predeterminados.

Conclusão
A Internet penetrará todos os espaços e atividades em todas as comunidades humanas. A literatura sobre o assunto já prolifera a um ritmo comparável ao do próprio crescimento da Internet. Os estudos sobre a Internet e sobre seu impacto, em particular, continuarão a multiplicar-se, necessariamente. O efeitos naturais dessa dispersão serão agravados por alguns fatores tais como:
.A falta de esquemas e modelos conceituais estabelecidos;
.A fraqueza das definições e seu uso inconsistente;
.A variedade dos métodos usados;
.A variedade das abordagens;
.A singularidade dos estudos;
.A escassez de estudos verdadeiramente longitudinais.
Como conseqüência disso, o que já é o caso no campo das investigações sobre o uso da informação, a construção de um corpo de evidência, pelo acúmulo de resultados dos vários estudos, permanecerá como uma tarefa titânica. O assunto é, além disso, tão complexo que ninguém pode esperar seriamente fazer sozinho uma grande descoberta, por mais impressionante apoio e financiamento que tenha, o que nos dias de hoje, de qualquer modo, não passa de um desejo. Será, antes, pela acumulação paciente de evidências parciais específicas obtidas numa variedade de “espaços” que se pode esperar progredir, passo a passo, em direção a um melhor entendimento das mudanças que a Internet produz na vida das pessoas. Para isso, contudo, os estudos deveriam ser razoavelmente coerentes.
Visando tentar limitar os danos, podemos sugerir algumas iniciativas, tais como:

.Estabelecer um inventário válido dos grupos de pesquisa relacionados e facilitar sua conexão em rede.

. Construir e manter um portal [clearinghouse] ou uma ponte [gateway] para facilitar o acesso à literatura relacionada e, se possível, a uma biblioteca digital.

.Construir e manter um portal [clearinghouse], uma ponte [gateway] ou um banco de dados de forma a facilitar o acesso aos resultados dos vários estudos.

.Promover um esforço cooperativo para:
.Coligir, clarificar e, se possível, reconciliar os vários modelos e esquemas;
.Inventariar, rever e indicar métodos adequados para estudos de impacto;
.Construir e manter uma agenda de pesquisa;
.Facilitar a interação entre grupos de pesquisa, indústrias da Internet e organizações de usuários, tendo em vista o desenvolvimento de estudos combinados ou comparativos.

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Notas:


[1] Os dez atributos que ele considera são: Tipo de conteúdo, Direcionalidade, Grau de não-simultaneidade, Tipo de conduto, Representação analógica/ digital, Número de pontos de acesso, Tipo de conexão, Largura de banda, Armazenamento, Interface do usuário.


[2] Muitos estudos sobre o impacto da informação e das telecomunicações na educação falam de um “espaço de aprendizagem”. Isso deveria ser considerado mais como a função básica da “criação e troca de bens intangíveis” (ver abaixo), já que a aprendizagem ocorre simultaneamente nos quatro espaços básicos.


[3] A construção de um servidor [host] baseado em satélite para conexões da Internet no espaço foi anunciada recentemente na mídia.


[4] O que é bem longo retrospectivamente, mas que pode ser bem curto prospectivamente, considerando o tempo de vida incerto dos objetos digitais.


[5] São quatro, as facetas: contexto, situação, estratégias e resultados; e seis séries de restrições: física, cognitiva, afetiva, econômica, social e política.


[6] Variáveis contextuais são: suporte tecnológico, estrutura de grupo, fatores pessoais e características da tarefa; Condições de operação são: condições do grupo e da tarefa, estágio no desenvolvimento do grupo, redes sociais existentes e razões de pertinência ao grupo; Variáveis de processo de grupo são: padrões de interação de grupo, características de decisão, características comunicacionais, características interpessoais, estrutura imposta pelo sistema utilizado; Resultados relacionados a tarefa/grupo são: padrões predominantes após o trabalho do grupo, características do resultado, atitudes dos membros do grupo frente aos resultados e  implementação resultante.


[7]  Confiança, habilidades e influência social, qualidade da informação percebida, usabilidade [usability], atitudes frente aos resultados do uso, controle percebido do uso, uso pretendido.


[8] Segundo um ensaio de Françoise Xenakis.


[9] De fato, verdade ou precisão não são nada garantidas nas respostas às questões que dizem respeito à imagem pública e particular das pessoas e das organizações sob quaisquer circunstâncias.


[10] Isto não é um privilégio dos “países em desenvolvimento”. Um levantamento recente do uso da Internet no ensino acadêmico na França, considerando uma lista de universidades admitidas como ativas nesse campo em um relatório oficial, produziu uma taxa de resposta de 30% que relataram não usar a Internet.
 

[11] Três anos a partir da implementação do serviço parece ser o mínimo, com o foco nos adotantes iniciais.
 

Links: http://www.soi.city.ac.uk/informatics/is/mjm.html


Sobre o artigo / About the Paper:
         Tradução modificada do artigo de mesmo título publicado em Nicolas, D. & I. Rowlands, eds., The Internet: its impact and evaluation. Proceedings of an international forum held at Cumberland Lodge, Windsor Park,16-18 July 1999. London, ASLIB, 2000, In print. Agradecemos a cortesia da ASLIB ao permitir a publicação da tradução.


Sobre o autor / About the Author
    Michel J. Menou
   Michel.Menou@wanadoo.fr - www.soi.city.ac.uk/informatics/is/mjm.html
    PhD, Visiting Professor of Information Policy
    Department of Information Science, School of Informatics, City University, Northampton Square, London.
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