O Cívico , O Político , O Eleitoral e A Internet
The Civic, The Political, The Electoral and The Internet
por Michael CornfieldResumo: Embora não ofereça uma relação direta nem com o índice de participação do votante que se excedeu na utilização do indicativo de prosperidade democrática , nem com o comprometimento cívico e político mais abrangente , a Internet é capaz de aprofundar e aumentar a informação daqueles que estão engajados e participam da vida pública.
Abstract: Although it bears no direct connection to the voter turnout rate, that overused indicator of democratic well-being, nor to civic and political engagement more generally, the Internet can enhance the intelligence of those who do engage and participate in public affairs.
Suponhamos que eu lhes garantisse que a instituição casamento poderia ser fortalecida se permitíssemos que as pessoas se casassem pela Internet. Só de pensar, certamente estão rindo, não é mesmo? Acontece que o erro não se encontra no conceito de casamentos online. O cenário do ritual do casamento tem pouco a ver com tudo que deve preceder e acompanhá-lo de tal forma que seja certo e duradouro.
O mesmo se passa com a instituição democracia. Entretanto da mesma forma, tomamos conhecimento de reivindicações tolas a favor das mágicas características da votação online. Aumento na participação! Participação mais abrangente! Eleições mais justas! Uma democracia mais saudável!
O absurdo se avolumou no final de março de 2000, após o Partido Democrático do Arizona ter realizado a primeira eleição pública legalizada, atrelada a um componente online. O presidente do partido anunciava que “esta era a eleição mais abrangente e acessível que já ocorrera”. Baseado em estatísticas que apresentavam um grande crescimento nas participações se comparadas com as primárias de 1992 e 1996, toda essa ostentação ignorou os quatro dias extras concedidos aos cidadãos da abastada parte de importante distinção digital do Arizona, bem como o dinheiro gasto pela companhia buscando patentear sua própria tecnologia online para a eleição ( um gasto improvável de ser duplicado antes que o objetivo de marketing seja atingido).
Esses fatores relatam que a comparação realizada nos anos de eleição presidencial é falaciosa e inútil.
Mesmo sem uma campanha promocional maciça, a noção de que mudanças quer sejam de cunho tecnológico ou de outra natureza no processo eleitoral aumentará o comprometimento cívico e a participação política é historicamente questionável. A lei Motor Voter não impulsionou a participação. Experiências com televisão a cabo também não.
As campanhas de Jesse Ventura e de John McCain foram beneficiadas com o aumento da participação popular; entretanto a campanha de Steve Forbes igualmente técnica e inteligente não se beneficiou, sugerindo então que um outro fator (nossa! Será que foi a pessoa do candidato?) teria sido o responsável. Se quisermos avançar na democracia aproveitando o entusiasmo e a falta de restrições que cercam a Internet hoje, é necessário que consideremos não apenas o ato de votar mas também tudo aquilo que o votar simboliza e a sua culminância. Só é possível apoiarmos a instituição democracia através das inovações online que levem em consideração o amor (espírito cívico), o sexo (fazer campanha) e o relacionamento (a política), bem como a cerimônia na qual os cidadãos e seus líderes comunitários são unidos, até que a morte ou o término de seus mandatos os separe.
Da maneira como as coisas se apresentam aqui, a Internet pode ser de auxílio. Embora não haja uma ligação direta com a proporção da participação do votante que utilizou em excesso o indicativo de progresso democrático não para o comprometimento cívico e político mais geral, mesmo assim a Internet pode aprimorar o conhecimento daqueles que realmente estão engajados e participam da vida pública
De que forma pode a Internet promover decisões mais inteligentes? Vários são os caminhos. Primeiro, ela tem possibilidade de hospedar apresentações da multimídia de forma que os cortejadores do eleitorado possam ser avaliados em outros aspectos além da aparência física. Segundo, propicia que cada pessoa cortejada estabeleça seu próprio ritmo para avaliação dos candidatos e das proposições do sufrágio, embora com o tempo arbitrariamente determinado(o dia da eleição). Terceiro, a Internet capacita ambos os partidos a conduzirem pesquisas de forma que possam se conhecer melhor e não entrem às cegas em uma parceria. Quarto, facilita o feedback durante o período em que estão sendo cortejados, preservando registro para estudo e discussão.
Com efeito, ocorre o excesso de informação, mormente quando obtidas através de esforços falaciosos. Além disso, a Internet não aumenta automaticamente a informação dos seus usuários; vai depender de como o conhecimento foi arquivado. Por estes motivos precisamos estar atentos aos cenários das atividades cívicas e políticas online, ou seja, aos portais de arquitetura e de engenharia da vida pública, mecanismos de pesquisa e sites da Web especializados. É necessário questionar os tipos de comportamento que são encorajados ou não no momento em que competem para se tornarem os intermediários da vida pública.
É hora de assumirmos esse projeto de crítica democrática. Dezenas de empreendimentos com ou sem fins lucrativos; centenas de divisões na Internet de partidos políticos, grupos financeiros, alianças de proteção, e organizações de agências de notícias; e as divisões políticas das companhias que operam os mecanismos de pesquisas e os portais da Web, estão competindo para se tornarem os responsáveis tanto pela união dos candidatos e suas propostas quanto pelos cidadãos. E naturalmente, os candidatos com as propostas fazem o trabalho de persuasão através das suas próprias atividades online.
Como saber o que é certo? O criticismo nos auxiliará a distinguirmos o bom e o mau intermediário.(Vale saber que faço a crítica deles em minha coluna http://www.wwnorton.com/e-2000/campaign.htm). Mas realmente, ninguém pode garantir a segurança dos nossos relacionamentos políticos, como as campanhas nos fazem sentir e qual a mistura de alegria e desespero que enchem nossos corações. Na democracia, como no casamento, as estatísticas e o conhecimento filosófico clamam apenas pelos questionamentos mais enraizados a respeito do compromisso. Cabe a cada indivíduo reunir a coragem, a honestidade, e o despojamento para fazer tais perguntas a si próprio.Maio de 2000
Sobre o autor / About the Author:
Michael Cornfield
Corn@gwu.edu
Professor pesquisador da Graduate School Of Political Management of the George Washington University.
É o responsável pelo projeto Democracy Online, uma pesquisa de dois anos com dotação de U$1.9 milhões, sobre a situação da política Americana na Internet , subvencionada pelo The Pew Charitable Trust.
Dr. Cornfield é um dos fundadores, editor e redator do Campaign Web Review (http://www.campaignwebreview.com), um boletim eletrônico quinzenal.