Resumo: Pesquisadores
das diferentes áreas de conhecimento costumam dar preferência
a canais diferentes para comunicar a seus pares os resultados de suas pesquisas.
Essa questão levanta problemas para as agências de fomento
e universidades no estabelecimento de padrões para avaliação
visando concessão de fomento e promoções, que geralmente
privilegiam quantidade de publicações, quase sempre artigos.
Na tentativa de argumentar a favor da necessidade de estabelecer padrões
específicos para cada área, baseados na prática, este
artigo relata levantamento realizado com dados extraídos dos curricula
vitae disponíveis na base Lattes, de 226 bolsistas de pós-doutorado
do Programa de Estágio Pós-Doutoral no Exterior da Capes,
principalmente professores de cursos nacionais de pós-graduação,
que estavam em estágio em 1999. Foram levantados oito anos de produção,
entre 1995 e 2002 e computadas publicações nas seguintes
categorias de documentos: artigos publicados em periódicos estrangeiros
e nacionais, trabalhos apresentados em congressos estrangeiros (ou internacionais)
e nacionais, livros e capítulos de livros. Os dados foram tratados
de modo a mostrar preferências por canais e freqüências
anuais de publicação. Os resultados se aproximam do que diz
a literatura, que atribui aos pesquisadores das áreas de Ciência
Exatas, Biológicas e da Saúde comportamento semelhante, com
preferências para canais periódicos internacionais, e aos
pesquisadores das áreas de Ciências Sociais e Humanas comportamento
também semelhante, onde as preferências são pelos canais
nacionais e livros ou capítulos de livros. A literatura também
diz que engenheiros e pesquisadores das áreas aplicadas ou tecnológicas,
em geral, preferem fazer suas comunicações em congressos,
o que também foi confirmado neste estudo. Mas o levantamento, que
adotou a divisão dos pesquisadores nas oito grandes áreas
do conhecimento estabelecidas pela Capes, mostra especificidades dessas
áreas em relação a pesquisadores brasileiros. Dados
de freqüência de publicação também foram
computados e são brevemente comentados.
Palavras-chave:
Ciência
brasileira; Publicação científica; Canais de publicação;
Padrão de publicação; Áreas de pesquisa; Avaliação
de pesquisadores; Capes; Pós-doutorado no exterior; Produção
científica.
Abstract: Researchers
from different subject areas tend to choose different channels to publish
the results of their research. This fact raises problems when establishing
criteria in which to base judgment for evaluation of research grants applications
and for promotions, usually based in publication quantity, preferably articles.
This study intends to argue for the necessity to establish criteria that
takes into consideration specific traits of each research area, by showing
data related to the publication authored by 226 research fellows of a post-doctoral
Program in foreign universities, maintained by the Brazilian agency Capes.
These researchers, mostly professors at post-graduate programs in Brazil,
different areas, were abroad in 1999. The survey covers eight years, from
1995 to 2002, having collected data on the following types of publications:
articles published in Brazilian an foreign periodicals, papers presented
in Brazilian and foreign (and international) congresses and meetings, books
and books chapters. Groups in each area and frequency of publication are
treated to show channels preferences. Results confirm studies published
on the subject, which says that researchers from the hard sciences, including
medical researchers, have similar communications behavior, preferring to
publish their work as articles in periodicals, whereas researchers from
the social sciences and humanities prefer national channels and books and
book chapters. Engineers and researchers in the technical or applied areas
are said to communicate their results mostly in congresses and technical
meetings. This has also been confirmed. The survey, which adopted Capes's
division of science in eight wide areas, shows characteristic features
of each group, including frequency in publication.
Keywords: Brazilian
Science; Scientific publication; Channels of publication; Publication pattern;
Research areas; Researchers evaluation; Capes; Foreign post-doctoral program;
Scientific production.
Introdução
O estabelecimento de padrões para a avaliação
da produção e produtividade científica de pesquisadores
de diferentes áreas do conhecimento é uma questão
que surge com freqüência nas agências de fomento à
pesquisa e nas câmaras superiores de universidades. A questão
se centra nos critérios que seriam usados para reconhecer excelência
e para estabelecer padrões mínimos aceitáveis para
cada uma das áreas. Há aqueles para quem as regras deveriam
ser iguais para todos, independentemente da área em que pesquisam.
Outros advogam adequação às especificidades da cada
área. Entre aqueles que propõem padrões únicos,
os hábitos de comunicação e produção
científica dos pesquisadores das ciências normais,
no sentido do termo usado por Khun (1970), especialmente a Física,
são citados com freqüência como padrão ideal.
Ao proporem os modos das ciências normais ou experimentais como modelo
ideal, os defensores desse ponto de vista esperam que qualquer pesquisador,
independentemente da área a que se dedica, deve ter como meta publicar
em periódicos internacionais e em uma língua de ampla aceitação,
idealmente a língua inglesa. Quanto à quantidade de publicações
em um dado período, um ano por exemplo, os seguidores desse ponto
de vista propõem como critério ideal metas semelhantes para
todas as áreas do conhecimento, novamente tendo como modelo as ciências
exatas ou experimentais.
Integrantes das ciências sociais e das humanidades costumam defender ponto de vista diferente, propondo critérios que respeitem especificidades de cada área, de acordo com temas, abordagens e métodos de pesquisa mais característicos. Argumentam que entre áreas distintas e mesmo dentro de uma única área, as diferenças de enfoque e conteúdo demandam formas de comunicação igualmente diferentes, com características próprias.
Na literatura internacional sobre comunicação científica, parece haver consenso quanto à afirmação que diferentes áreas dão preferência a canais diferentes para comunicar seus resultados. Meadows (1999) escrevendo sobre as diferenças entre as formas de pesquisa e comunicação praticadas pelas diversas áreas do conhecimento, cita a quantidade de artigos publicados em periódicos científicos como uma medida normalmente usada para avaliar a quantidade de informações que um pesquisador comunica. Mas mostra que, nem sempre, a quantidade de artigos publicados reflete a produtividade de autores, e comenta sobre a dificuldade de estabelecer parâmetros para comparação:
Essas preferências de pesquisadores das diversas áreas
se refletem no prestígio ou valor que atribuem aos diversos canais
de comunicação e divulgação. As pesquisas nas
ciências normais ou experimentais, apesar das diferenças entre
elas, são geralmente conduzidas por equipes, se apoiam em paradigmas
universalmente aceitos e produzem artigos não muito longos, que
são enviados para publicação prioritariamente em periódicos
de circulação internacional e em língua inglesa. Nas
áreas classificadas como ciências sociais e humanidades, ao
contrário, as pesquisas, de modo geral, parecem produzir textos
mais longos e não necessariamente publicados como artigos mas também
são importantes os capítulos de livros e livros, freqüentemente
assinados por apenas um pesquisador. Nessas áreas podem conviver
mais de uma abordagem teórica ou várias escolas de pensamento.
Não há, também, uniformidade nos métodos adotados,
havendo espaço para métodos quantitativos, semelhantes às
ciências exatas, métodos qualitativos em suas várias
versões e o uso de diversas combinações. Um terceiro
grupo, formado pelas áreas ligadas á tecnologia e às
ciências aplicadas parecem seguir ainda outros padrões, onde
relatórios e trabalhos apresentados em congresso gozam do mesmo
prestígio que artigos científicos ou capítulos de
livros nas outras áreas. O fato, então, segundo Meadows (1998)
parece ser que a natureza e especificidades de cada área a leva
à adoção de maneiras diferentes de fazer pesquisa,
e, por conseguinte, a forma de comunicação dos conhecimentos
produzidos também serão diferentes. A questão adquire
importância quando se considera que entre os indicadores utilizados
pelas agências de fomento e pelas universidades para conceder fomento
e promoções, aqueles derivados da quantidade de publicações
costumam ser decisivos. Que tipo de publicações seriam, então,
relevante para cada área?
Este trabalho parte do princípio que a prática do conjunto de pesquisadores de cada área deve ser levada em conta no estabelecimento dos critérios. Assim, pretende verificar como se configura a escolha de canais pelos pesquisadores brasileiros e se essa prática confirma as diferenças registradas na literatura. Para tanto, foi escolhido um grupo de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, como descrito abaixo. Não se trata de uma amostra aleatória, mas intencionalmente escolhida, apesar das limitações que isso acarreta para a pesquisa. O grupo escolhido é composto de bolsistas de um programa mantido pela Capes, que financia estágios de pós-doutorado no exterior. A condição de bolsista de pós-doutorado pressupõe pesquisador ativo e por essa razão foi julgado adequado para a intenção deste estudo, mas a limitação inerente a uma amostra intencional deve ser levada em conta na interpretação e extrapolação dos resultados obtidos para outras populações.
O Levantamento
No Brasil, os cursos de pós-graduação têm
sido responsáveis por parte significativa da pesquisa publicada.
Pode-se dizer que as duas principais agências nacionais de fomento
à pesquisa, Capes e CNPq, e a principal agência estadual de
amparo à pesquisa, FAPESP, do Estado de São Paulo, são
ao mesmo tempo as principais incentivadoras e balizadoras da produção
científica nacional, por meio de seus vários programas de
financiamento. Um desses programas, Programa de Estágio Pós-Doutoral
no Exterior, mantido pela Capes, que concede bolsas a pesquisadores que
desejam fazer estágio pós-doutoral no exterior, foi escolhido
como fonte para identificação dos autores. O grupo escolhido,
sujeitos
desta pesquisa, em sua maioria professores de cursos de pós-graduação,
são os bolsistas que estavam cumprindo estágio em instituições
estrangeiras no ano de 1999, total de 226, provenientes de vários
Estados brasileiros (Quadro 1). A base de Curricula
Vitae Lattes, mantida pelo CNPq, serviu de fonte para o levantamento
dos dados sobre os autores e sua produção. Essa base, na
qual todos os professores de universidades brasileiras, especialmente as
públicas, e demais pesquisadores brasileiros com alguma projeção
nacional mantém seus curricula vitae atualizados, está
disponível a qualquer interessado, na Plataforma Lattes [1].
O período estudado compreende oito anos, entre 1995 e 2002. Ou seja, quatro anos antes e quatro anos depois do ano do estágio. Todas as publicações de autoria desses sujeitos, registradas nesse período, foram computadas.
Quanto ao tipo de publicação, foram computados, separadamente, artigos publicados em periódicos nacionais e em periódicos estrangeiros, livros e capítulos de livros, trabalhos apresentados em congressos nacionais e em congressos estrangeiros.
Quanto às áreas de conhecimento, foi adotada neste trabalho a classificação estabelecida pela CAPES, que agrupa as ciências e especialidades científicas e tecnológicas em oito grandes áreas do saber. Se de um lado isso tornou viável a classificação dos pesquisadores por grande área do conhecimento, por outro lado talvez tenha levado a algumas simplificações excessivas, com o risco de ter-se colocado em uma mesma categoria pesquisadores cujos interesses específicos, afiliações paradigmáticas e métodos de pesquisa sejam diferentes a ponto de influenciar hábitos de comunicação. Apesar deste risco, a decisão de usar apenas as oito categorias foi mantida, dada a dificuldade de classificar os sujeitos apenas com base nas informações disponíveis na base Lattes. Muitas vezes a área de formação básica, o departamento ou instituto onde o professor/pesquisador está lotado, o título da departamento acadêmico ou laboratório onde cumpriu estágio de pós-doutoramento e os títulos de seus trabalhos e dos periódicos onde publicou tornavam a classificação em área específica bastante difícil. A adoção da classificação da Capes facilitou muito essa tarefa.
O Quadro 2 mostra a divisão dos sujeitos,
226 pesquisadores, pelas oito grandes áreas do conhecimento estabelecidas
pela CAPES. Na coluna do meio estão as algumas das principais áreas
incluídas em cada Grande Área, como identificadas nos documentos
fornecidos pela Capes. Os dados estão organizados em ordem decrescente
de sujeitos por área. Note-se que os dois maiores grupos são,
respectivamente, os pesquisadores das Ciências Exatas e da Terra
e das Ciências Humanas. Vale notar, também, a diferença
da quantidade de sujeitos entre as áreas. A razão dessa distribuição
desigual não foi objeto deste estudo, mas levanta questões
interessantes: a existência de grupos maiores para certas áreas
seria característica da área (necessidade de estudar fora,
existência de redes ou grupos internacionais que se preocupam com
determinado tema, necessidade maior de buscar atualização,
por exemplo) ou de política das agências de financiamento,
ou essa distribuição estaria simplesmente refletindo a realidade
das comunidades científicas brasileiras?
Procedimentos
Os dados foram coletados em 2003, nos curricula de cada sujeito identificado
como tendo sido bolsista da Capes em 1999, no Programa de Estágio
Pós-Doutoral no Exterior. Esses dados foram processados e
analisados com o auxílio do software SPSS. Os 226 bolsistas produziram
(registraram em seus curricula) um total de 6239 documentos. Em
média, portanto, seriam 27,60 documentos por indivíduo. Mas
a distribuição de documentos publicados por pesquisador,
como seria de esperar, não é homogênea, mesmo dentro
de uma mesma área. A distribuição por tipo de documento
e por área está representada no Quadro 3.
Quadro 3 - Total de documentos por tipo e grande área do
saber
Os dados foram reunidos por tipo de publicação e por área para atender a intenção do estudo, de mostrar preferências de canais de publicação por área. A análise dos dados foi realizada com o objetivo de verificar e comparar a distribuição dos tipos de publicação escolhidos pelos sujeitos, em cada área.
Para diminuir possíveis distorções, já que número de pesquisadores por área difere, assim como a produção de cada um, foram consideradas, na análise, as medianas para cada conjunto de dados (freqüência de tipo de publicações por grande área) e desprezados os valores extremos e outliers (aqueles pesquisadores que publicaram muito mais ou bem menos que os demais). Os gráficos mostrados a seguir, destacam, nas caixas, os dois quartis centrais. O traço dentro das caixas representa a mediana. Os traços para fora das caixas representam a distribuição dos dados nos primeiro e quarto quartis. A amplitude interquartílica (diferença entre o terceiro e o primeiro quartil) foi usada como indicação de homogeneidade da preferência pelo canal, de forma a completar a informação obtida pela mediana. Quanto mais baixa a amplitude, mais homogêneo é o comportamento do grupo em relação a escolha do canal. Como o que interessa neste estudo é a prática mais comum, estas medidas foram julgadas adequadas.
Resultados
Artigos publicados em periódicos estrangeiros e em periódicos
nacionais
Nas Figuras 1 e 2
estão representadas a quantidade de artigos publicados pelos sujeitos
em periódicos estrangeiros (Figura 1) e nacionais
(Figura 2), em cada área do saber, nos oito anos
em estudo. Nestes e nos demais gráficos, os números no eixo
horizontal, logo acima da identificação de cada área,
correspondem ao número de sujeitos nessa área, que aparece
detalhado também no Quadro 2.
Examinando a Figura 1, vemos que a posição das medianas para periódicos estrangeiros confirma a literatura, mostrando que este canal é o mais usado pelos pesquisadores das Ciências Exatas, Biológicas, e da Saúde, e bem menos usado pelos pesquisadores das Ciências Sociais Aplicadas, Lingüística, Letras e Artes Ciências Agrárias e Humanas. Os dados sobre os pesquisadores das Engenharias mostram usam intermediário, quando comparado ao das demais áreas. A amplitude entre os quartis, que mostra a dispersão dos dados, é mais baixa para Lingüística, Letras e Artes, Ciências Sociais Aplicadas e Ciências Humanas indicando maior homogeneidade no número de publicações registradas por pesquisador.
A Figura 2 mostra as medianas para periódicos nacionais e, com exceção das Ciências Agrárias e Ciências da Saúde inverte, grosso modo, a ordem da Figura 1. A posição das Ciências Agrárias parece confirmar resultado de levantamento feito por Velho (1990), no qual pesquisadores brasileiros indicam preferência ou costume de publicar em periódicos nacionais. A amplitude dos dados mostra muita dispersão para seguintes quatro áreas: Ciências Agrárias (22,00), Lingüistica, Letras e Artes(18,00) Ciências da Saúde (11,00) e Ciências Humanas (9,00), indicando variações no número de publicações por pesquisador. O gráfico da Figura 2 mostra a direção dessas variações. A posição das medianas dentro das caixas dá idéia da distribuição dos pesquisadores por produção nos dois quartis centrais. Da mesma forma, os traços em baixo e acima das caixas representam a amplitude total das publicações por pesquisador nos quartis extremos.
As Figuras 3 e 4 representam a produção em trabalhos publicados em anais de congressos estrangeiros (inclusive internacionais) e nacionais. A posição baixa das medianas para algumas áreas deve ser vista com cautela. É cada vez mais comum que os congressos não mais publiquem os trabalhos na íntegra, mas apenas os resumos e os resumos publicados não foram computados neste levantamento. A decisão de não computar os resumos baseou-se no fato que, em geral, eles não são levados em consideração nas avaliações pelas universidades e agências de fomento. Há a expectativa que os trabalhos apresentados em congressos, muitas vezes em andamento, irão resultar em artigo que seria publicado, algum tempo depois do congresso, em periódico reconhecido na área. Infelizmente esse fato - a publicação de resumos em vez dos trabalhos completos - não foi lembrado quando da coleta de dados, pois para a intenção deste levantamento teria sido interessante. De qualquer forma, confirmando a literatura, os dados mostram que para as Engenharias, os anais de congressos são canais prestigiosos e frequentes na comunicação da área - as medianas são altas para congressos estrangeiros (9,00) e nacionais (10,00). Mas os valores das amplitudes dessa área também chama a atenção: 18,50 para trabalhos em anais de congressos estrangeiros e 32,50 em anais de congressos nacionais. O caso das Ciências Agrárias é interessante: mediana é alta para congressos nacionais (10,00), assim com também foi para artigos nacionais (18,00) (Figura 2), mas baixa para congressos estrangeiros (1,00) com também para periódicos estrangeiros (1,00). As Ciências Agrárias também apresentam valor alto para a amplitude entre quartis para publicações em congressos nacionais (19,00), mas não em estrangeiros (4,00). Nas demais áreas, as amplitudes são relativamente baixas para congressos estrangeiros e mais altas para congressos nacionais.
As Figuras 5 e 6 representam a publicação de livros e capítulos de livros pelos pesquisadores das oito áreas. Os dados mostram que esses canais são significativos apenas para três áreas, Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas e Lingüística, Letras e Artes. Os pesquisadores das Ciências Exatas e da Terra, Biológicas e Engenharias, segundo os dados, recorrem muito pouco ao canal Livro, pois não só a mediana é baixa como também a amplitude. Comparando-se os resultados obtidos para Livros com os obtidos para Capítulos de Livros, nota-se algumas semelhanças nas medianas, mas a amplitude é mais acentuada neste último para todas as áreas com exceção das Ciências Exatas e da Terra que permanece em zero.
Figura 1 - Artigos publicados em periódicos estrangeiros
por Grande Área do Saber
Figura 2 - Artigos publicados em periódicos nacionais por
Grande Área do Saber
Figura 3 - Trabalhos apresentados em congressos estrangeiros e internacionais
por Área do Saber
Figura 4 - Trabalhos apresentados em congressos nacionais por Área
do Saber
\
Figura 5 - Livros por Grande Área do Saber
Figura 6 - Capítulo de Livros por Grande Área do Saber
O Quadro 4, abaixo, reúne as medianas para todas as áreas, de forma a permitir comparação com mais facilidade. Em vermelho estão os valores mais altos, que refletem a preferência pelo tipo de publicação, para cada área. Deve-se lembrar que os pesquisadores com produção muito diferente dos demais (outliers) não foram incluídos no cálculos, para não distorcer os resultados, uma vez que o que interessa neste estudo é o comportamento mais comum de cada grupo. Assim, os valores iguais a zero não significam que não houve publicação naquele tipo de canal, mas que número significativo de integrantes do grupo não o utilizou, levando a mediana para baixo. O dado de amplitude mostrado nas figuras 1 a 6, e a posição dentro da caixa nos gráficos dão idéia da ocorrência de publicações dentro de cada grupo.
Segundo o Quadro 5, então:
- pesquisadores das Ciências da Saúde preferiram periódicos nacionais mas também publicaram significativamente em periódicos estrangeiros; capítulos de livros aparecem como uma distante terceira opção, enquanto congressos e livros aparecem apenas marginalmente;
- pesquisadores das áreas de Engenharias confirmaram a literatura, dando clara preferência aos congressos, nacionais e estrangeiros. Em segundo e terceiro lugar aparecem os artigos em periódicos estrangeiros e nacionais, mas bem abaixo dos congressos;
- os pesquisadores das Ciências Agrárias deram preferência aos canais nacionais, tanto periódicos (em primeiro lugar) e quanto congressos. Os outros canais foram todos utilizados, mas pouco;
- pesquisadores da área de Ciências Sociais Aplicadas deram preferência aos periódicos nacionais e aos livros, e publicaram também, mas menos, nos periódicos estrangeiros, congressos nacionais e capítulos de livros. Apenas marginalmente publicaram nos anais de congressos estrangeiros;
- pesquisadores das áreas de Ciências Humanas e de Lingüística, Letras e Artes apresentaram preferências semelhantes: o canal mais freqüente são os periódicos nacionais seguido dos capítulos de livros. Mas diferem um pouco a partir daí: as preferências dos pesquisadores das Ciências Humanas são, pela ordem, congressos nacionais, livros e periódicos estrangeiros enquanto Lingüística, Letras e Artes deram preferência aos livros seguido de periódicos estrangeiros e depois congresso nacional. Pesquisadores das duas áreas publicaram apenas marginalmente em anais de congressos estrangeiros.
Quadro 4 - Quadro das medianas - produção por pesquisador
por área e tipo de publicação no período
1995-2002
Quantidade de artigos por área
Além do tipo de canal preferido por pesquisadores de cada área,
a outra questão em discussão nos comitês da avaliação
costuma ser a quantidade de publicação, por tipo, em determinado
período, geralmente um ano. Com base nos dados obtidos no levantamento,
mostrados anteriormente no Quadro 3, acima, foi
calculada a media aritmética para cada área, dividindo-se
o total de publicações pelo número total de pesquisadores
da área e depois pelo número de anos que o levantamento cobriu,
8 anos. Note-se que esta dado levou em consideração todos
os pesquisadores de cada área (Quadro 5).
Quadro 5 - quantidade média de publicação individual
por tipo de publicação, por ano, no período 1995-2002
A representação gráfica deste Quadro
5, na Figura 7, deixa mais clara a diferença
de preferências mostrada pelo grupo estudado.
Figura 7 - Freqüência anual de publicação
por pesquisador, por área e tipo de documento
Comentários finais
Este levantamento teve como fonte de dados um grupo intencionalmente
escolhido, dadas as suas características: a condição
de bolsistas de pós-doutoramento pressupõe um certo amadurecimento
na carreira científica e uma disposição para a pesquisa
e auto aprimoramento. O ano de 1999 como ano base para a escolha deveu-se
ao fato de permitir período significativo para publicação,
antes e depois do estágio. Apesar dessas vantagens, a escolha de
uma amostra intencional traz limitações para generalização
para todo o universo de pesquisadores brasileiros. Outra limitação
foi a escolha da divisão das ciências em oito grandes áreas.
Apesar de semelhanças entre as áreas científicas que
compões cada grande área, sabe-se que há, também,
diferenças importantes entre elas, capazes de influenciar preferências
e escolhas de canais de publicação. Talvez em outro estudo
deva-se fazer diferença entre, por exemplo, Matemática e
Física, ou Ciência da Informação e Comunicação.
No entanto, a intenção do estudo foi de exemplificar, com
dados reais, o comportamento geral dos grupos. Ainda que não se
possa generalizar os comportamentos observados, pode-se argumentar que
pesquisadores de diferentes áreas tem preferências próprias,
diferentes, que devem ser respeitadas quando do estabelecimento de critérios
de avaliação. Finalmente, considerando que os resultados
deste estudo revelou comportamento mediano da cada grupo, os valores obtidos
devem ser tidos como padrões mínimos. O estabelecimento de
critérios de qualidade e excelência deveriam, pois, ser fixados
acima deles.
Notas
[1] http://lattes.cnpq.br/
e http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/
Referências Bibliográficas
KUHN, Thomas S. The structure of scientific revolutions. 2ed.
enlarged. Chicago: The University of Chicago Press, 1970.
MEADOWS, A J. Communicating research. San Diego: Academic Press,
1998.
MEADOWS, A J. A comunicação científica.
Brasília, Briquet de Lemos/Livros, 1999.
VELHO, Lea. Sources of influence on problem choice in Brazilian University
Agricultural Science. Social Studies of Science, v. 20, p. 503-507,
1990.
Sobre a autora / About the Author:
Suzana Pinheiro Machado Mueller
mueller@unb.br
PhD, Professora Titular
Departamento de Ciência da Informação e Documentação
Universidade de Brasília