Resumo: Este artigo pretende investigar e
analisar as relações entre os aspectos da cultura e do
comportamento organizacional diante da adoção de novas
tecnologias no ambiente informacional de uma organização.
Parte-se do pressuposto que uma maneira viável de readequar uma
organização é rever a sua Cultura. Para a
execução destas mudanças, há a necessidade
de buscar novos princípios de gestão mais
flexíveis, dinâmicos e criativos. Para a análise de
um processo de mudança organizacional, como por exemplo, a
adoção de novas tecnologias, a incorporação
da dimensão cultural é importante em dois aspectos:
compreender quais valores básicos estão sendo
questionados, alterados com essas mudanças, e como os diferentes
grupos reagirão ante esse processo. O Comportamento
Organizacional é o estudo das reações e
habilidades humanas dentro das organizações, ou seja,
busca investigar o impacto que indivíduos, grupos e a estrutura
exercem sobre o comportamento dentro das organizações,
com o propósito de utilizar esse conhecimento para promover a
melhoria da eficácia organizacional.
Palavras-chave: Cultura Organizacional;
Comportamento Organizacional; Ambiente Informacional; Gestão da
Informação.
Abstract: This article intends to
investigate and to analyze the relations between the aspects of the
culture and the organizacional behavior when occurs the adoption of new
technologies in the informacional environment of an organization. One
of the viables ways to adjust an organization is to review its Culture.
For the execution of these changes, it exists the necessity to search
new principles of management more flexible, dynamic and creative. For
the analysis of a process of organizacional change, as for example, the
adoption of new technologies, the incorporation of the cultural
dimension is important in two aspects: to understand which basic values
are being questioned, modified with these changes, and as the different
groups will react within this process. The Organizacional Behavior is
the study of the human reactions and abilities inside the
organizations, that is, it searchs to investigate the impact that
individuals, groups and the structure exert on the behavior of the
organizations, with the intention to use this knowledge to promote the
improvement of the organizacional effectiveness.
Keywords: Organizational Culture;
Organizational Behavior; Informational Environment; Information
Management.
1. Introdução
Estudar a cultura organizacional em cenários de
mudança é fundamental para entender os processos que
envolvem as organizações, pois é por meio da
compreensão dos valores básicos da cultura, alterados com
e durante as mudanças, bem como de que forma se comportam os
diferentes grupos diante desse processo.
Partindo-se da origem do termo cultura e de suas várias
significações, observa-se que o termo, em sua etimologia,
deriva-se do verbo colere, que significa cultivar, sugerindo assim uma
idéia de cultivo, do processo de lavrar a terra.
Cultura, em um conceito antropológico e sociológico,
pode comportar múltiplas definições. Não
diz respeito somente a um conceito de práticas e
concepções, mas tem uma dimensão no processo
social, possibilitando diferenciar as pessoas que possuem diferentes
estilos de vida, seja qual for o ambiente.
As primeiras especulações sobre a cultura remontam ao
século IX, estavam ligadas às preocupações
de entender os povos e as nações, de buscar explicar os
diferentes modos de vida encontrados em diferentes países e
civilizações. Estas preocupações surgem em
meio um contexto de grandes expansões políticas e
econômicas das sociedades industrializadas.
A moderna preocupação com a cultura nasceu associada
tanto com as necessidades do conhecimento, quanto às realidades
da dominação política. Segundo Santos (1996,
p.35):
Dentre as obras consideradas clássicas, podem ser encontradas as
seguintes definições de cultura, principiando com a
definição de Sérgio Buarque de Holanda:
Na obra de Fernando Azevedo (1963, p.19), há a seguinte
definição:
Não é incomum acrescentar qualificativos ao termo
cultura. Desta forma, temos cultura nacional, cultura brasileira,
cultura popular, dentre outras. A expressão cultura popular, por
exemplo, pode ser entendida como as manifestações
culturais de classes diferentes da cultura dominante e que está
fora das instituições.
A cultura nacional apresenta-se como uma realidade histórica,
resultado de processos seculares de trabalho e produção,
de lutas sociais, conseqüência das formas como a
nação se produziu. Portanto, a cultura nacional é
mais do que a língua, os costumes, as tradições de
um povo, os quais, de resto também são dinâmicos,
também sofrem alterações constantes.
Segundo Carlos Guilherme Motta, cultura brasileira pode ser
entendida na seguinte conformidade:
O que se pode perceber é que a definição de
cultura não é unívoca. Ao contrário, segue
em várias direções, conforme o seu foco de
atuação.
Por outro lado, não há grandes
contradições, chegando mesmo a existir um possível
ponto de contato entre as definições, como bem destaca
Santos (1996, p.79):
Mesmo não sendo um sistema
fechado, isso não constitui impedimento para que a
cultura seja estudada. Pode-se, por exemplo, indagar quais são
os processos inerentes à dimensão cultural, como se
dá a o desenvolvimento de cada uma de suas áreas e
manifestações; se há e quais são as
instituições ligadas às
manifestações culturais, quais as
concepções existentes nestas, e se há a
possibilidade de se indagar sobre as mensagens políticas
subjacentes.
A partir das grandes transformações ocorridas nas
décadas de 1960 e 1970 do século passado, os estudos das
Ciências Administrativas passam a lançar mão de
outros campos de conhecimento como forma de compreender os
fenômenos administrativo-organizacionais. Uma vez que os
cânones da Teoria Geral da Administração não
eram suficientes para a construção de um quadro
teórico que proporcionasse a compreensão do que ocorria
dentro do ambiente de trabalho, bem como não sanavam os
questionamentos com respostas coerentes às exigências
decorrentes das transformações, tornou-se
necessário recorrer a outras ciências, tais como a
Sociologia, a Psicologia e a Antropologia, como forma de obter uma
maior compreensão das organizações e do
comportamento humano no trabalho.
A partir dessa busca conceitos, como cultura e identidade, foram
recuperados de outras ciências e lançados no espaço
organizacional. Na década de 1980 a Antropologia passa a
auxiliar os estudos organizacionais, como já o faziam a
Psicologia e a Sociologia. Dessa forma, o tema cultura organizacional
tem sido abordado e discutido, seguindo uma base conceitual proveniente
da Antropologia Cultural.
Segundo os conceitos da Antropologia, a cultura é
constituída por um conjunto de significados, ordenados em termos
de representações e símbolos, sendo o mundo social
construído segundo o significado que as coisas, os eventos e as
interações assumem para determinado grupo social. Assim,
a formação da cultura acontece dentro de um processo
histórico, no qual as pessoas, por meio da
interação consigo mesmas, bem como com o ambiente,
vão absorvendo valores, princípios, que ditarão
regras, comportamentos e ações para a sociedade na qual
estão inseridas.
Uma vez que as organizações estão inseridas em
um contexto social mais amplo, estão em constante
interação com seu ambiente externo, assim as
organizações são afetadas e altamente
influenciadas pela cultura social. Esta influência tem um papel
importante no processo que forma a identidade e o padrão das
relações e da cultura nessas organizações.
Para se ter uma idéia da evolução da cultura
dessas organizações, Chiavenato (1999, p.27) traça
o seguinte quadro, que resume as mudanças e
transformações pelos quais passaram as diferentes
abordagens sobre como lidar com pessoas dentro das
organizações no século XX.

Segundo o autor, a Era da
Industrialização Clássica a grande marca
deste período foi a intensificação do
fenômeno da industrialização em amplitude mundial e
o surgimento dos países desenvolvidos ou industrializados. As
transformações eram lentas e o ambiente que envolvia as
organizações era conservador e voltado à
manutenção do status
quo. Nesse contexto, a cultura organizacional voltava-se para o
passado, para a conservação das tradições e
dos valores tradicionais.
Ainda, segundo o mesmo autor, na Era
da Industrialização Neoclássica houve uma
expansão das transações comerciais, que passaram
de locais para regionais, e de regionais para internacionais. Nesse
período, a teoria das relações humanas foi
substituída pela teoria comportamental, a teoria clássica
foi substituída pela teoria neoclássica da
administração, e o modelo burocrático foi
redimensionado pela teoria estruturalista. A cultura organizacional
deixa de privilegiar as antigas tradições, e passa a
concentrar-se no momento presente.
A Era da Informação,
de acordo com o mesmo autor, as mudanças bruscas, imprevistas e
turbulentas tornam-se a marca desta época. A tecnologia da
informação (TI) cumpre o que o Marshall McLuhan predisse
sobre a Aldeia Global,
produzindo um impacto semelhante ao da Revolução
Industrial trouxe a sua época. O trinômio
terra/mão-de-obra/capital traz cada vez menos retornos. No seu
lugar entram o conhecimento, o capital humano e o capital intelectual,
tornando-se fator fundamental à produção do
conhecimento. Nesse novo contexto surge a organização
virtual, que funciona sem limites de tempo ou de espaço. Quanto
às pessoas, estas passam a ser a base da nova
organização. Segundo essa nova concepção,
as pessoas não são mais simples recursos organizacionais
para serem abordadas como seres dotados de inteligência,
personalidade, conhecimentos, habilidades, aspirações e
percepções singulares. Ainda mais: tornam-se parceiros da
organização.
2. Conceitos e
Definições
Um conceito tão amplo como o de cultura, concebido a partir da
interpretação da história do desenvolvimento da
espécie humana como um todo, tem sua aplicação no
âmbito das organizações empresariais, se as
considerarmos como um subsistema em interação com um
sistema maior e mais abrangente. Ao fazer a transposição
do conceito de cultura, concebido pela Antropologia, para o contexto
das organizações, busca-se subsídio para o
conhecimento de cultura organizacional.
De forma a facilitar a compreensão e a
organização deste trabalho, adotou-se a
definição de Schein (1985, p.8-9), a saber:
Ainda segundo o autor, se realmente se quer interpretar a cultura de
uma organização, deve-se ir além da
superfície da organização - além dos
artefatos visíveis e descobrir os pressupostos básicos
fundamentais, isto é, como se dão as
relações que são o centro da cultura de uma
organização.
Para se descrever a cultura de uma organização
é preciso recuperar suas propostas, metas, visão de
mundo, identificar os principais períodos de
formação da cultura. Estes períodos são
marcados por aspectos visíveis (como o layout da
organização, o vestuário), pelos valores (as
pessoas reagem a determinadas situações com
comportamentos padrão, repetitivos), e por
Segundo Robbins (2002, p.500), o fato de se reconhecer que a cultura
organizacional possui propriedades comuns não significa,
entretanto, que não possa haver subculturas dentro das
organizações. Ainda segundo o autor, a maioria das
organizações possui uma cultura dominante e vários
nichos de subculturas. A chamada cultura
dominante expressa os valores essenciais compartilhados pela
maioria dos membros de uma organização. Já as
subculturas tendem a ser desenvolvidas nas grandes
organizações para refletir problemas,
situações ou experiências comuns a alguns de seus
membros. Essas subculturas podem ser definidas por
designações de departamentos e separação
geográfica. O departamento de compras, por exemplo, pode ter uma
subcultura compartilhada unicamente por seus membros.
A subcultura inclui os valores
essenciais da cultura dominante mais os valores
específicos daquele departamento. Da mesma maneira um
escritório ou unidade que fique fisicamente separada do resto da
organização pode assumir uma personalidade diferente,
porém, sem perder os valores essenciais, mas como
modificações que atendam à situação
específica desta unidade.
Caso as organizações não tivessem uma cultura
dominante, e fossem compostas apenas de subculturas, o valor da cultura
organizacional seria sensivelmente reduzido, pois não haveria
uma interpretação uniforme do que representam os
comportamentos apropriados e os não apropriados. É o
aspecto do chamado valor
compartilhado que torna a cultura organizacional um instrumento
poderoso para orientar e modelar o comportamento.
A diferenciação de culturas fracas das culturas fortes
tem se tornado algo muito comum segundo Robbins (2002, p.502). Para o
autor, as chamadas culturas fortes têm um impacto maior sobre o
comportamento dos colaboradores, e relacionam-se mais com a
redução da rotatividade. Ainda segundo o autor, em uma
cultura forte os valores essenciais da organização
são intensamente acatados e amplamente compartilhados. Quanto
mais membros aceitarem os valores essenciais, e quanto maior o
comprometimento, mais forte será a cultura.
Uma cultura forte demonstra um alto grau de concordância entre
seus membros sobre os pontos de vista da organização.
Essa unanimidade de propósitos gera coesão, lealdade e
comprometimento organizacional. Estas atitudes, por sua vez, reduzem a
propensão dos colaboradores a deixar a
organização.
Pelo visto até agora, pode-se afirmar que a cultura
desempenha uma série de funções dentro de uma
organização: como definidora de fronteiras, isto
é, como criadora de distinções entre uma
organização e as outras; como criadora de um senso de
identidade aos membros da organização; como facilitadora
na criação do comprometimento com algo maior do que os
interesses individuais; como estimuladora da estabilidade do sistema
social.
Para Robbins (2002, p.503), a cultura é a argamassa social
que ajuda a manter a organização coesa, fornecendo os
padrões adequados para aquilo que os colaboradores vão
fazer ou dizer. A cultura organizacional ainda se presta a ser uma
sinalizadora de sentido e mecanismo de controle que orienta e dá
forma às atitudes e comportamentos dos colaboradores.
Segundo Freitas (1991), a descrição dos elementos que
constituem a cultura organizacional, seu funcionamento e, ainda, as
mudanças comportamentais causadas por eles são maneiras
de dar à cultura um tratamento mais concreto ou de mais
fácil identificação. Esses elementos fornecem uma
interpretação para os membros da
organização, (no todo ou em parte) onde a passagem dos
significados se dá como uma coisa aceita. Os elementos mais
freqüentemente citados são: Valores; Crenças e Pressupostos;
Ritos, Rituais e Cerimônias; Estórias e Mitos; Tabus;
Heróis; Normas; e Processos de Comunicação.
3. Relacionamento entre Pessoas e as
Organizações
O ser humano, desde há muito tempo, tem o costume de observar o
seu semelhante, de assistir às reações deste, de
analisar o comportamento. Essas observações podem levar
ao aprendizado de determinadas reações mais ou menos
comuns, e que levam à inserção social, bem como a
prever determinadas reações futuras.
Nesse sentido, pode-se afirmar que todos os seres são
estudantes de comportamento. Começando na infância,
observam-se as ações das outras pessoas e se busca
interpretar aquilo que é visto. Mesmo sem o perceber, as pessoas
tornam-se leitoras de outros
indivíduos por toda a vida, uma vez que se observa como os
outros agem e tenta-se compreender o porquê de seus
comportamentos. Mais do que isso, pode-se também tentar prever o
que elas fariam sob determinadas circunstâncias.
Porém, esse tipo de abordagem, que poderia ser denominada de casual e de senso comum, pode induzir a erros
de previsão. Surge a necessidade de um estudo sistemático
sobre algo capaz de prever o que as pessoas são capazes de
fazer. Este estudo sistemático é feito por algumas
ciências que se ocupam do estudo do comportamento. Ainda de
acordo com Hilgard e Atkinson (1976, p. 622):
Segundo Hilgard e Atkinson (1976, p.622), comportamento pode ser
definido na seguinte conformidade:
O comportamento, na maioria das vezes, pode ser previsível
quando se sabe como a pessoa percebe uma situação e qual
a importância que ela dá à situação.
Embora o comportamento das pessoas possa não parecer racional a
um observador, existe uma razão para acreditarmos que sua
intenção o seja, no entanto, racional para elas. O
observador vê o comportamento como não racional porque
não teve acesso às mesmas informações ou
não percebe o ambiente da mesma maneira que a pessoa que
está sendo observada.
Qualquer indivíduo, mesmo que sem nenhuma base
científica, pode afirmar que existem diferenças entre as
pessoas, uma vez que elas não reagem da mesma maneira a uma dada
situação. Contudo, existem alguns traços
comportamentais básicos que sustentam o comportamento de todos
os indivíduos, que podem ser identificados e, então,
modificados para refletir as diferenças individuais.
Alguns comportamentos básicos são muito importantes,
uma vez que são eles que garantem uma previsibilidade. Ao
dirigir um automóvel, o motorista pode antecipar alguns tipos de
conduta dos demais condutores que seguem pela mesma via. Como exemplo,
é quase certo que os outros motoristas vão parar nos
sinais vermelhos, vão dirigir pela mão direita, as
ultrapassagens serão feitas pela esquerda, e ninguém
trafegará exclusivamente pela calçada. Na maioria das
vezes, essas previsões podem se confirmar na prática,
já que existem as leis de trânsito para tornar essa
previsão muito mais fácil.
Nesse sentido, pelo fato da maioria dos ambientes de convívio
social possuir leis, que podem ser escritas ou não, pode-se
afirmar que é possível antever alguns comportamentos, sem
haver, contudo, cem por cento de acertos.
Locais de encontros fortuitos de pessoas como shopping centers,
supermercados, consultórios médicos, elevadores, ou em
locais de situações estruturadas como salas de aula,
igrejas ou empresas possuem códigos de conduta até certo
ponto observáveis. Em qualquer lugar do mundo, ao entrar no
elevador, geralmente as pessoas se viram de frente para a porta, sem
haver, no entanto nenhuma regra escrita em lugar algum.
Da mesma maneira que é possível prever-se o comportamento
dos motoristas, para os quais existem as leis de trânsito,
também se pode prever o comportamento das pessoas no elevador,
local onde existem poucas regras estabelecidas. Dessa forma, o
comportamento é geralmente previsível, e o seu estudo
sistemático é uma forma de realizar previsões
razoavelmente acuradas.
Quando se fala em estudo
sistemático, há uma referência ao exame dos
relacionamentos, à tentativa de atribuição de
causas e efeitos e em basear as conclusões em evidências
científicas - ou seja, em dados coletados, sob
condições controladas, medidas e interpretados de maneira
razoavelmente rigorosa, o que muitas ciências já o fazem,
conforme atesta Skinner (2000, p.17):
O estudo sistemático substitui a intuição, ou seja,
aquela sensação
que muitas pessoas trazem sobre o
que move as demais pessoas. Deve-se ter bem claro que a
abordagem sistemática não significa necessariamente o
abandono daquilo que se aprendeu de maneira não
sistemática. Ao contrário, pode-se mesmo afirmar que
muitas das descobertas científicas apenas reafirmam o senso
comum.
3.1 Comportamento Organizacional
O termo mais amplamente utilizado para denominar a disciplina que
estuda as habilidades humanas dentro das organizações
é Comportamento Organizacional.
Segundo Robbins (2002, p.6):
Ainda segundo o autor, o fato do comportamento organizacional ser um
campo de estudos, significa que se trata de uma área de
especialidade, com um corpo comum de conhecimentos. Ele estuda
três determinantes do comportamento das
organizações: indivíduos,
grupos e estrutura. O comportamento
organizacional aplica o conhecimento obtido sobre as pessoas, os grupos
e o efeito de estrutura sobre o comportamento, para fazer com que as
organizações trabalhem mais eficazmente.
Para resumir essa definição, pode-se dizer que o
comportamento organizacional se preocupa com o estudo do que as pessoas
fazem nas organizações e de como esse comportamento afeta
o desempenho dessas empresas. Como esse campo de estudo está
voltado especificamente para situações relacionadas com o
emprego, enfatiza-se o comportamento relativo a funções,
trabalho, absenteísmo, rotatividade, produtividade, desempenho
humano e administração.
Segundo Robbins (2002, p.7), o comportamento organizacional inclui
tópicos básicos como motivação,
comportamento e poder de liderança, comunicação
interpessoal, estrutura e processos de grupos, aprendizado,
desenvolvimento de atitudes e percepção, processos de
mudanças, conflitos, planejamento do trabalho e estresse no
trabalho.
Para melhor se entender a origem desta disciplina e seu contexto
atual, é interessante que se faça trace um quadro de
referência histórica para o estudo da
administração e do comportamento organizacional.
A problemática de integração entre o
indivíduo e a organização não é
nova, uma vez que as primeiras preocupações surgiram
ainda na Grécia Antiga. Foi principalmente da década de
1930 do século passado para cá, que ficaram mais
nítidos os interesses antagônicos entre o trabalhador e a
organização, e a necessidade de uma harmonia industrial
baseada em uma mentalidade voltada para as relações
humanas.
Com o advento de novas concepções sobre a
organização e o homem surgiram novas dimensões
para o problema. Chiavenato (1981, p.123) salienta os seguintes
aspectos sobre as organizações:
Em outros termos, o relacionamento entre indivíduo e organização nem
sempre é um relacionamento cooperativo e satisfatório,
muitas vezes é um relacionamento tenso e conflitivo. Enquanto os
indivíduos buscam suas satisfações pessoais
(salário, lazer, conforto, horário mais favorável
de trabalho, oportunidade de carreira e segurança etc.), as
organizações, do mesmo modo, têm necessidades
(capital, equipamentos, potencial humano, lucratividade, oportunidade
de mercado etc.).
Dentre as necessidades organizacionais sobressai-se a de elemento
humano, recurso indispensável e inestimável. Assim, a
interdependência de necessidade do individuo e da
organização é imensa, pois tanto as vidas como os
objetivos de ambos estão inseparavelmente entrelaçados.
Enquanto o individuo traz habilidades, conhecimentos, capacidades e
destrezas, juntamente com sua aptidão para aprender e um
indefinido grau de desempenho, a organização por sua vez
deve impor responsabilidade ao individuo algumas definidas e outras
indefinidas, algumas dentro ou abaixo da sua capacidade atual, mas
sempre como um desafio.
Ainda sob a perspectiva histórica, três pessoas foram
particularmente importantes para a promoção de
idéias que acabaram tendo uma grande influência na
determinação da direção e das fronteiras do
estudo do comportamento organizacional: Adam Smith, Charles Babbage e
Robert Owen.
O que se pode perceber foi que, apesar das sementes do comportamento organizacional,
terem sido plantadas há mais de 200 anos, como afirma Robbins
(2002, p.591), a prática e a teoria desta disciplina surgem
essencialmente no século XX.
Os estudos de comportamento organizacional hoje precisam ser
tratados a partir de uma perspectiva contingencial, ou seja, aplicada
ao comportamento organizacional, a teoria da contingência
reconhece que não existe uma
única melhor maneira de administrar pessoas em uma
organização, nem um conjunto único de
princípios que possam ser aplicados universalmente. Como teoria
madura, a atual pesquisa sobre comportamento organizacional está
voltada para o aprimoramento das teorias já existentes.
Robbins (2002, p.9) também afirma que o estudo do
comportamento organizacional é uma ciência aplicada que se
apóia na contribuição de diversas outras
disciplinas comportamentais. As áreas predominantes são a
Psicologia, a Sociologia, a Psicologia Social, a Antropologia e as
Ciências Políticas. Dessa forma, o estudo do comportamento
organizacional é complexo porque os seres humanos são
complexos. Como há diferenças entre as pessoas, a
possibilidade de fazer generalizações simples e precisas
é limitada.
O ponto de partida para um estudo do comportamento organizacional
é levar-se em conta as pessoas, uma vez que estas passam a maior
parte de seu tempo vivendo ou trabalhando dentro de
organizações. A produção de bens e
serviços não pode ser desenvolvida por pessoas que
trabalham sozinhas. As organizações são
constituídas por pessoas ou seja as pessoas nascem, crescem,
são educadas, trabalham e se divertem dentro da
organização enfim se comportam (CHIAVENATO, 1981, p.70).
Robbins (2002, p.19) sugere um modelo de comportamento
organizacional, no qual há três níveis de
análise que, segundo o autor, são análogos a
blocos de construção, uma vez que cada nível
é construído sobre o nível anterior. O conceito de
grupo sai do nível básico do indivíduo; são
sobrepostas limitações estruturais sobre os níveis
do indivíduo e do grupo para que se chegue ao nível do
comportamento organizacional.
Para o autor, as variáveis
dependentes são os fatores-chave que se pretende explicar
ou prever e que são afetados por outros fatores. A produtividade, o absenteísmo, a rotatividade e a satisfação com o trabalho
são freqüentemente enfatizadas como as variáveis
dependentes básicas no comportamento organizacional. Mais
recentemente, uma quinta variável - a cidadania organizacional - foi
incluída nessa lista. Na seqüência, um detalhamento
de cada uma das variáveis
dependentes.
Ao se determinar os principais determinantes da produtividade, do absenteísmo, da rotatividade, da cidadania organizacional e da satisfação com o trabalho
chega-se às Variáveis
Independentes. Robbins (2002, p.23) sugere a
organização destas variáveis em três
níveis:
Em síntese, pode-se afirmar que o comportamento organizacional
é um campo de estudo que investiga o impacto que os
indivíduos, os grupos e a estrutura têm sobre o
comportamento dentro de uma organização, e depois utiliza
esse conhecimento para ajudar as empresas a trabalharem com mais
eficácia. Mas especificamente, o estudo do comportamento
organizacional enfoca como melhorar a produtividade, reduzir o
absenteísmo e a rotatividade e aumentar a cidadania
organizacional e a satisfação com o trabalho.
O campo do comportamento organizacional utiliza o estudo
sistemático para melhorar as previsões sobre
comportamento que seriam feitas de maneira intuitiva. Mas, como as
pessoas diferem umas das outras, o comportamento organizacional precisa
ser analisado a partir de um cenário contingencial, no qual os
modelos organizacionais são mais flexíveis e
orgânicos, utilizando variáveis situacionais como
moderadoras dos relacionamentos de causa e efeito.
4. Cenários de Mudança
Nessa época de mudanças rápidas e constantes, o
estudo do comportamento organizacional torna-se uma ferramenta
útil para se lidar com as mudanças, e para se aprender
formas de estimular a inovação tecnológica [1].
Segundo Chiavenato (1999, p.320), a mudança é um
aspecto essencial da criatividade e inovação nas
organizações de hoje. A mudança está em
toda parte: nas organizações, nas pessoas, nos clientes,
nos produtos e serviços, na tecnologia, no tempo e no clima. A
mudança representa a principal característica dos tempos
modernos.
Ainda segundo o autor, a mudança envolve
transformação, interrupção, ruptura,
dependendo de sua intensidade. Ela constitui um processo composto de
três etapas: descongelamento, mudança e recongelamento.
Chiavenato (1994, p.75) define estas três etapas na seguinte
conformidade:
Segundo Daft (2002), as mudanças na estratégia, na
estrutura, nas tecnologias e nos produtos não acontecem por si
mesmos, e as que acontecem em cada uma dessas áreas envolvem
também mudanças nas pessoas. Os colaboradores devem
aprender a utilizar as novas tecnologias ou comercializar novos
produtos ou trabalhar eficazmente em uma estrutura baseada em equipe.
Num mundo em que todas as organizações podem adquirir
novas tecnologias, a motivação, as habilidades, e o
comprometimento dos colaboradores podem garantir a vantagem
competitiva. O sistema de Recursos Humanos pode ser projetado para
atrair, desenvolver uma força de trabalho eficiente. Por vezes,
para obter uma nova maneira de pensar, é necessária uma
mudança nos valores e normas subjacentes à cultura
organizacional.
Mudar a cultura organizacional modifica fundamentalmente a maneira
como o trabalho é realizado numa organização, ou
seja, isto resulta numa alteração do comportamento dos
colaboradores.
A tecnologia da informação pode aumentar o poder e a
motivação dos colaboradores por propiciar-lhes as
informações completas de que necessitam para realizar bem
os seus trabalhos, permitindo-lhes compartilhar idéias com
colegas e oferecendo-lhes oportunidades para propor novas maneiras de
fazer as coisas. Isto pode aumentar o poder intelectual da
organização e permitir que a empresa passe para um
nível mais alto de competitividade. Ainda segundo Daft (2002), a
tecnologia da informação e a administração
do conhecimento são componentes essenciais das
organizações bem sucedidas.
4.1 As Ondas de
Inovação Tecnológica
A tecnologia da informação vem contribuindo para a
mudança dos cenários organizacionais, mais notadamente no
que se refere ao aumento da capacidade de processamento, da estrutura e
dos fluxos de informação, uma vez que as
organizações estão percebendo como os
computadores, as redes, a inteligência artificial, e outras
tecnologias da informação podem capacitá-las a se
destacar naqueles mercados cada vez mais competitivos e globais.
A história empresarial mostra que as empresas estão
sempre mudando, buscando sua adaptação a fim de responder
de maneira satisfatória às exigências do seu
ambiente e acompanhar a evolução da sociedade para ter
sucesso.
Uma das principais características do mundo capitalista
é a capacidade de apresentar constante mudança no
processo produtivo. Segundo Pochmann (2003), não sem motivo, o
avanço da fronteira tecnológica transforma-se
recorrentemente na forma de potencializar o processo de
acumulação de capital e de eliminação dos
concorrentes. Muito embora a inovação tecnológica
tenha presença constante ao longo do desenvolvimento
econômico, pode-se observar que certos momentos históricos
concentram um conjunto de modificações
tecnológicas, com capacidade de alterar radicalmente não
apenas o processo produtivo, mas também a
conformação de toda uma sociedade.
A rápida difusão de uma nova onda de
inovação não só modifica a base
técnica responsável pela dinâmica do ciclo de
acumulação de capital, mas também termina por
influenciar os mais distintos processos de produção e de
trabalho, a partir do aumento dos lucros, dos ganhos de produtividade e
da queda dos preços, com destaque para os segmentos modernos e
mais dinâmicos.
Em relação aos três últimos
séculos, pelo menos duas grandes ondas de profundas
inovações, que podem ser chamadas de revolução tecnológica
(POCHMANN, 2003) ou de Revolução
Industrial (CASTELLS, 1999).
Ambos os autores concordam com o fato de que tanto a primeira onda de inovação,
iniciada pouco antes dos últimos trinta anos do século
XVIII, como a segunda onda de
inovação, ocorrida cerca de cem anos depois, foram
marcas constitutivas da profunda modificação nas bases
técnica e material do capitalismo contemporâneo, capaz de
assegurar novos ciclos de acumulação de capital.
A segunda metade do século XVIII apresentou saltos
quantitativos e qualitativos na capacidade na capacidade de
produção, especialmente a partir do surgimento de novos
materiais, como o carvão mineral substituindo o carvão
à lenha; de novos produtos, como o ferro derretido com coque, a
energia a vapor; e, ainda, da mecanização das
indústrias têxteis e de vestuários.
A produção ganhou bastante impulso especialmente pela
mecanização e pelo transporte a vapor, a divisão
do trabalho sofreu pronunciada transformação, com efeitos
significativos tanto na estrutura ocupacional quanto no conteúdo
dos novos e velhos postos de trabalho.
A busca da redução de custos e da
maximização de lucros, através da
elevação da produtividade do trabalho na grande empresa,
resultou na substituição dos métodos de trabalho
artesanais pela mecanização.
Segundo Pochmann (2003), a subordinação do trabalhador
ao ritmo da máquina não apenas torna aquele um
apêndice do equipamento, como também degradou o
conhecimento necessário ao processo produtivo, ampliando cada
vez mais a intensificação do trabalho. Dessa forma, a
simplificação das tarefas tornou-se cada vez mais
possível, através do processo de
mecanização e de implementação de uma nova
divisão do trabalho, responsável pela
ocupação de mão-de-obra menos qualificada.
Ainda de acordo com Pochmann (2003), com a primeira revolução
tecnológica, responsável pela ampla
modernização produtiva, o trabalho teve
inserção mais subordinada ao ritmo de expansão das
atividades econômicas.
Entre 1870 e 1910, chamada por Pochmann (2003) de segunda revolução
tecnológica, pode-se constatar uma radical
modificação na divisão do trabalho, o que
coincidiu justamente com a descoberta de novos materiais, como o
aço e o petróleo, a energia elétrica, o motor a
combustão, o telégrafo, o telefone, entre outros.
O uso do aço veio revolucionar todo o material de engenharia
existente até então. Mas isso somente se tornou
possível com o uso do processo
bessemer, criado por Henry Bessemer, para produção
do aço, constituindo a base para a difusão de um novo
material na construção. Nos Estados Unidos, por exemplo,
em vinte e um anos, entre 1867 e 1898, o custo da tonelada de
aço caiu de 170 dólares para 15 dólares (POCHMANN,
2003).
Em relação à energia elétrica, o
processo de descobrimento também ocorreu estimulado por
várias contribuições de cientistas e pesquisadores
de várias nações, como Thomas Edson, Alexandre
Bell, George Westinghouse, Samuel Morse, Werner Siemens, e não
apenas da Inglaterra, como na primeira
revolução tecnológica. Para se ter uma
idéia do avanço do uso da energia elétrica, em
1889 os Estados Unidos possuíam 17 mil motores elétricos
industriais; dez anos depois, havia 4 milhões de motores
elétricos industriais.
O uso do telefone, juntamente com o da energia elétrica,
transcorreu rapidamente, o que resultou na generalização
do uso da iluminação e da telefonia nas cidades, locais
de trabalho e moradias.
Outra inovação de fundamental importância foi a
difusão no uso do motor a combustão interna, o que
permitiu inaugurar uma nova fase nos transportes terrestres, com
automóveis, caminhões, tratores e motocicletas;
aquáticos, com navios, barcos e lanchas; e aéreos, com
aviões e helicópteros.
Paralelo a isso, a simplificação de tarefas e o
esvaziamento do conteúdo do trabalho mudaram a face da
organização do trabalho, abrindo a possibilidade para o
emprego de mão-de-obra menos qualificada, segundo Braverman [2] (1981, apud
POCHMANN, 2003).
O capitalismo passa um novo período de aprofundamento nas
descobertas técnicas e científicas nas duas
últimas décadas do século XX. As
inovações nos campos da informática,
telemática, novos materiais, e biotecnologia impulsionam a
transformação do padrão de
organização da produção e do trabalho nas
mais diversas atividades econômicas.
Segundo Pochmann (2003), diante das novas possibilidades
constituídas e de suas perspectivas, alguns autores têm
procurado tratar do conceito de terceira
revolução tecnológica na forma de distintos
entendimentos, tais como: revolução da informática
(HARVEY, 1992; CORIAT, 1988), sociedade informática e/ou da
informação (SCHAFF, 1995; LOJKIME, 1995), a sociedade do
tempo livre e/ou a sociedade do conhecimento (MASI, 1999), e a economia
em rede (CASTELLS, 1999).
Em grande medida, registra-se a presença de uma verdadeira
convergência desta terceira
onda de inovação nos meios de
comunicação, capaz de alterar profundamente os modos de
produção, de trabalho e de vida. O aparecimento e
desenvolvimento do computador e a sua mais recente
associação junto aos meios de comunicação
já existentes, como a televisão e o telefone, confirmam a
passagem para um estágio superior na produção de
informações e comunicações.
O aparelho telefônico tem passado por um aprimoramento
tecnológico sofisticado. Basta lembrar que o telefone, embora
tenha sido inventado em 1876, foi usado somente na segunda metade do
século passado como comunicação intercontinental,
a partir da instalação de cabos telefônicos
submarinos. Em 1956, o primeiro cabo telefônico possibilitava
tão somente 89 ligações simultâneas.
Já em 1988, com a instalação do primeiro cabo
telefônico de fibra ótica intercontinental, a capacidade
passou a ser de 40 mil ligações simultâneas
(POCHMANN, 2003).
Em relação ao computador, que ao final do
século XX constitui uma tecnologia mais recente de
comunicação, nota-se que desde os anos 1960 as
modificações no computador tem sido amplas. Em 1967, um
computador moderno da IBM, com o custo de quase 168 mil dólares,
podia armazenar 13 páginas de texto. Vinte anos depois, o
computador pessoal Pentium
era capaz de realizar mais de 200 milhões de cálculos.
Além da ampliação da capacidade de processamento
do computador, a sua miniaturização o tornou um bem de
consumo durável cada vez mais massificado. Assim, o acesso ao
computador através de seu uso em rede (Internet) possibilitou um
novo salto nas comunicações.
As inovações tecnológicas não trilham
caminhos separados: como a possível convergência entre as
três principais tecnologias de comunicação
(telefone, televisão e computador), potencializa-se um novo
estágio em termos das comunicações minimizando o
poder da geografia através da redução da
distância.
A atual revolução tecnológica caracteriza-se
não pela centralidade de conhecimentos e
informação, mas pela aplicação desses
conhecimentos e dessa informação para a
geração de conhecimentos e de dispositivos de
processamento/comunicação da informação, em
um ciclo de realimentação cumulativo entre a
inovação e seu uso.
Portanto, a nova sociedade emergente desse processo de
transformação é capitalista e também
informacional, embora apresente variação histórica
considerável nos diferentes países, conforme sua
história, cultura, instituições e
relação específica com o capitalismo global e a
tecnologia informacional.
A revolução tecnológica atual vem causando uma
mudança no cenário competitivo das
organizações. De acordo com Fleury (2003), com o objetivo
de alcançarem maiores índices de competitividade, as
organizações têm utilizado variada e complexa gama
de tecnologias. Por isso, novas tecnologias podem ser encontradas em
vários ambientes, com reflexos diferentes em cada um deles, em
virtude das peculiaridades inerentes a cada contexto. Desde o
planejamento de novos produtos, da reorganização de
processos produtivos, passando pela adoção de novos
modelos de gestão administrativa, as novas tecnologias têm
sido adotadas como atalhos para o alcance de melhores resultados.
Esse fato vem exigindo rápidas e contínuas
adaptações na postura estratégica dessas empresas,
para sobreviver e crescer. A mudança tecnológica acaba
tendo um forte impacto psicológico e sociológico, pois
obriga as pessoas a pensar novas maneiras de gerenciamento, bem como
novos padrões de eficiência e produtividade.
Nesse sentido, na medida em que o universo das empresas é
extremamente heterogêneo, não é tarefa das mais
fáceis definir parâmetros de implementação e
de monitoramento de novos elementos de tecnologia, tais como a
digitalização, a virtualização, a
interligação por redes, o intercambio eletrônico de
dados, dentre outros elementos. Isto se deve ao fato do aprendizado ser
cumulativo, ou seja, está em constante processo de aprendizagem
interativa entre seus agentes econômicos e sociais.
Ainda segundo Fleury (2003), para a análise de um processo de
mudança organizacional, como por exemplo, a adoção
de novas tecnologias, a incorporação da dimensão
cultural é importante em dois aspectos:
Os gestores buscam investir em novas tecnologias de
informações partindo da crença que a
corporação do futuro será uma empresa altamente
computadorizada, e a sua competitividade e sobrevivência
dependerão de como ela usará a automação,
segundo Martin (1991); utilizam-nas para ações
estratégicas e para planejar e alcançar uma ou mais das
três funções independentes:
Nesse aspecto, as informações têm
importância crescente para o desempenho da empresa. Elas
apóiam a decisão, como fator de produção,
exercem influências sobre o comportamento das pessoas e passam a
ser um vetor importantíssimo, pois podem multiplicar a sinergia
dos esforços ou anular o resultado do conjunto destes.
Um elemento crucial, e muito mais desafiador, está na
habilidade da liderança das empresas para adaptar a cultura da
organização de modo a tirar proveito das novas
tecnologias, com o intuito de transformar informação em
conhecimento, de maneira a implantar a fórmula
"geração/disseminação/apropriação"
do conhecimento como meio de atingir a excelência organizacional.
A informação para tomada de decisão e a
garantia da qualidade dos produtos e serviços oferecidos pelas
organizações envolve a busca dirigida para objetivos diferenciados. Dentre
eles, destacam-se: questões de pesquisas relacionadas à
melhoria contínua de processos e atividades, bem como quanto
à inovação e avaliação de
tecnologias para formação de competências em
mercados concorridos.
Por fim, as fontes
à disposição das organizações
apresentam-se em diversos suportes, do meio impresso ao digitalizado.
Com o avanço das tecnologias de informação tem
ocorrido um esforço enorme no sentido de aumentar a oferta de
fontes em meio eletrônico.
Segundo Drucker (1999), desde o surgimento das novas ferramentas de
processamentos os homens de negócios tanto têm exagerado,
como também subestimado a importância das
informações na organização. Chegou-se ao
exagero de se aventar a possibilidade de se gerar "modelos de
negócios" por computador, que poderiam tomar decisões e
até mesmo dirigir grande parte da empresa. Por outro lado, as
novas ferramentas foram vistas apenas como o meio para se fazer melhor
aquilo que os executivos já estavam fazendo para administrar
suas organizações.
Por outro lado, conceitos e ferramentas são mutuamente
interdependentes e interativos, um causando a mudança do outro.
Isso acontece agora com o que é denominado de
organização, e com as ferramentas denominadas de informação. Estas
capacitam e impulsionam a ver as organizações de forma
diferente, havendo uma marcante agregação de valor
às informações, por permitir reprojetar o que os
administradores terão de gerir (DRUCKER, 1999).
Para que as organizações ajustem-se rapidamente
às mudanças, é preciso dispor de
informações de qualidade, oportunas e confiáveis
para que possam dar suporte adequado às decisões. Desta
forma, o valor da
informação pode ser medido pela maneira como ela
ajuda os tomadores de decisões a atingirem os objetivos e metas
da organização.
Assim, deve-se estar atento à organização dos
recursos da informação, identificando-se não
só as necessidades de informações, mas, inclusive,
a tecnologia disponível para gerenciá-las.
Nesse sentido, a tecnologia de informação, destaca-se
como um recurso cada vez mais fundamental de competitividade
empresarial, oferecendo um amplo leque de oportunidades, especialmente,
quando aliadas às tecnologias de comunicações.
Diante desse quadro, são fundamentalmente as
características da organização que irão
determinar as formas e os meios a serem adotados na análise das
informações e no desenvolvimento de sistemas de
informação, partindo do princípio que existe uma
interdependência entre informação e
organização. Mas, apesar da importância e
necessidade da informação, persistem alguns desafios para
que os sistemas de informação sejam a mola propulsora das
organizações.
Considerações Finais
As Organizações cada vez mais se dão conta que a
informação é um recurso estratégico que tem
custo, preço e valor. Desta forma, existe a necessidade dela ser
gerenciada assim como os recursos financeiros, materiais e humanos.
Esta crescente necessidade de gerenciar a informação
leva em conta também os aspectos humanos e da tecnologia da
informação.
Observa-se que um número crescente de Instituições
de pequeno, médio e grande porte, de cunho privado ou
governamental, se vêem obrigados a adotar Programas de
Gestão da Informação, visando ao desempenho de
suas atividades no processo de tomada de decisão, para se
engajar nas dinâmicas das transformações mundiais.
Desta forma essa discussão aborda aspectos relevantes
relacionados à Cultura da organização levando
assim ao melhor entendimento dos processos de mudanças e
de que forma as Pessoas se comportam nesses diferentes grupos.
Em uma época de mudanças rápidas e constantes,
o estudo do comportamento organizacional torna-se uma ferramenta
útil para se lidar com as mudanças, não apenas
para se aprender formas de estimular a inovação
tecnológica, como também para a centralidade de
conhecimento e informação, e aplicação
desses conhecimentos e dessa informação, formando um
ciclo de realimentação cumulativo entre a
inovação e sua adaptação. Assim
informações eficazes podem ampliar talentos de pessoas
competentes e o desenvolvimento efetivo da tecnologia.
[1] Inovação
tecnológica - Compreende a introdução de
produtos ou processos tecnologicamente novos e melhorias significativas
que tenham sido implementadas em produtos e processos existentes.
Considera-se uma inovação tecnológica de produto
ou processo aquela que tenha sido implementada e introduzida no mercado
(inovação de produto) ou utilizada no processo de
produção (inovação de processo). (OCDE,
2003).
[2] BRAVERMAN, H. Trabalho e
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Sobre as autoras / About the Authors:
Cássia R. B. de Moraes
cassiabassan@tupa.unesp.br
Mestre em Ciência da Informação, Professora
Assistente da Unesp - Tupã e da Fatec - Garça
Bárbara Fadel
bafadel@terra.com.br
Doutora em História Social. Professora Assistente Doutora do Programa de Pós-Gradução em Ciência da Informação da FFC - Unesp - Marília e da Uni-FACEF de Franca