Informação Estatística:
demanda e oferta, uma questão de ordem
Statistical Information:
demand and supply, a matter of order *
por Nelson
de Castro Senra
Resumo: Este texto descreve duas ocorrências da demanda em face da oferta, uma ex post e uma ex ante; enfocando a informação estatística. Procura argumentar que afirmação de que, no contexto da informação, a oferta antecede a demanda só vale para a demanda ex post (a que influencia a disseminação). Contudo, influindo na produção e, assim, fundando todo um processo de trabalho, manifesta-se uma demanda ex ante, espaço legítimo da dimensão sociopolítica (ao menos) da informação estatística. Por fim, ressalta-se o imperativo de se antever o mais possível esta demanda ex ante, de modo a não desarranjar ou desorganizar o espaço da oferta (com suas peculiares exigências técnico-científicas); para esta antevisão sugere-se todo um esquema para sua detecção, o que passa por haver uma efetiva coordenação (a par e acima da produção e da disseminação).
Palavras Chave: Informação; Informação Estatística; Demanda (ex ante e ex post); Oferta (etapas de produção e de disseminação); Detecção da demanda; CoordenaçãoAbstract: This text describes two occurrences of demand in order to supply, one ex post and the other ex ante, focalizing statistical information. It tries to argue the assumption that, in the content of information, supply comes before demand, only being worth to ex post demand, which is the one that influences the dissemination. However, having influence in production and, then, stablishing a whole work process, we have the demonstration of a ex ante demand, which is an authentic area of a sociopolitics dimension (at least) of statistical information. Finally, it shows the imperative of foreseeing this ex ante demand, in the way that it doesn’t disarrange or disorder the supply area (with its peculiar technical-scientific conditions), to this foreseeing it suggests a whole project to its detection, which goes to have an effective coordination (in concerne and over production and dissemination).
Keywords: Information; Statistical Information; Demand (ex ante and ex post); Supply (production and dissemination); Detection of demand; Coordination
"Se a oferta alimenta a demanda, é a demanda que estimula a oferta". Eduardo Giannetti"...eu devia saber que, antes de eu imaginar, ela existia; se ela não existisse, eu não teria procurado evocá-la". Gilberto Freyre [2000 – Ano Gilberto Freyre. Centenário de Nascimento]
"Impossível? Nunca me diga essa palavra ridícula". Conde de Mirabeau.
Introdução
É costume dizer-se, entre os especialistas, que no contexto da informação é a oferta que determina a demanda; a oferta seguiria uma corrente contínua e cumulativa, havendo ou não acréscimos na demanda; e mesmo que houvesse acréscimos na demanda, os resultantes acréscimos da oferta não lhes guardariam correlação muito direta e estreita. Esta seria uma condição técnica, meramente operacional, antes que econômica, da oferta; seus gestores teriam um comportamento essencialmente estratégico, voltado apenas para as qualidades produtiva e distributiva dos produtos e serviços de informação [1].Pois é nossa intenção neste texto argumentar que essa afirmação só seria válida em face de uma das duas expressões temporais da demanda, a demanda ex post à oferta, aquela que move a etapa de disseminação, contudo, não valeria para a demanda ex ante à oferta, aquela que move sua etapa de produção, fundando o processo de geração das informações. Em suma, diante da oferta, uma demanda ex post estaria inserida em sua dimensão técnico-científica, dando forma à etapa de disseminação, ao passo que uma demanda ex ante estaria inserida em sua dimensão sociopolítica, dando forma à etapa de produção [2].
Sendo a oferta como é, técnico-científica, tecnológica, em suas duas etapas, tendo que viver com seus prazos próprios, largos e não raro longos, a exigir que os trabalhos iniciados ontem, sejam mantidos hoje, sob pena de não se ter resultados amanhã, é natural que seus gestores não se animem muito com a demanda ex ante, ainda que a saibam sobre suas cabeças, é natural que se voltem para a demanda ex post, procurando sempre atendê-la atenta e satisfatoriamente, até para tentarem compensar a aparente desatenção àquela. Mas, sendo a demanda ex ante uma realidade da qual não se consegue escapulir, mormente com a renovação do liberalismo, quando, com o aumento do número de decisores as decisões se espraiam, ampliando a demanda por informações; de fato, não se lhe escapa, de modo que será melhor enfrentá-la de frente (o que não é simples) do que vir a ser atropelado.
Na verdade, os gestores da oferta nunca ficam de braços cruzados, agindo no sentido da atualização periódica de seus programas de trabalho, contudo, nunca o fizeram e ainda não o fazem afinados com a dinâmica da demanda, aliás, essa dinâmica, que se faz mais e mais visível, tornando a demanda demasiado fluente e fluída, acaba por fazê-los se retraírem, se defenderem de potenciais desarranjos, vendo a tudo como aventura e a todos como aventureiros; paradoxalmente, se fecham, justo quando deveriam se abrir. Pois este texto procura enfrentar o imperativo dessa abertura, sugerindo caminhos capazes de não conflitar com a rigidez técnico-científica inerente à oferta. Estaremos, aqui e agora, tratando da informação estatística, cuja natureza tratamos em seguida [3]; não obstante, salvo melhor juízo, parecerá razoável esperar que tudo o que aqui será dito, mutatis mutandis, também vale para toda e qualquer informação, com ou sem adjetivação.
1. A natureza da informação estatística
As informações estatísticas expressam, na linguagem dos números (que se quer universal), múltiplos organizados, contribuindo distintamente para tornar o mundo ausente e distante, desconhecido, pensável et pour cause governável, o que quer dizer que se nos apresentam a um só tempo como instrumentos de saber e de poder. Assim, as informações estatísticas se oferecem às ações dos que governam, entendendo-se por governar a capacidade que, de uma forma ou de outra, ainda que em forma e conteúdo diferentes, todos temos de agir sobre outros, mormente no momento presente em que as autonomias decisórias mais e mais se descentralizam em termos políticos e administrativos.Mas, as informações estatísticas, por seus processos produtivos, não revelam as realidades, simplesmente, antes e acima de tudo o constróem, a começar da realidade de que a comensurabilidade não é inerente aos fatos, às coisas, às pessoas, mas uma qualidade que se lhes atribui o observador, isso é, as escolhas conceituais e processuais influem nos resultados; em lugar da desejada e desejável objetividade científica tem-se uma possível objetivação. Vale dizer, as informações estatísticas resultam de laboriosos processos de objetivação, transpondo-se sucessivamente as inscrições e as descrições de primeira ordem (os registros individuais) até se alcançar as inscrições e as descrições de ene-ésima ordem (as informações estatísticas), pautando-se em alguma teoria e em alguma equivalência atenta e convenientemente escolhidas.
Tais processos de objetivação começam com a demanda de informações estatísticas referidas a domínios de governo mais e mais variados, expressando geralmente não-coisas no sentido de não serem visíveis ou paupáveis. Depois, para que se possa atender a tantas demandas, de modo a se obter os registros individuais, base de tudo, será preciso coisificar essas não-coisas, o que só será amplamente aceito na medida em que se apoiem em boas teorias, mas mesmo quando apoiadas em boas teorias, não deixarão de ser aproximações das não-coisas cujas mensurações interessam àqueles que governam. Em termos práticos, após a manifestação e a percepção da demanda, afigura-se a oferta através de quatro etapas num processo de pesquisa: começa-se com a etapa de concepção e conceituação, passando-se a duas etapas de organização, uma para a obtenção dos registros individuais (a coleta) e outra para a sua transformação nas estatísticas (o processamento; a crítica e a análise), culminando com a etapa de exploração dos resultados (na forma de discursos renovados sobre as realidades complexas).
Ao longo de todo o processo, traduções e traduções são praticadas, de modo que os resultados alcançados, ao fim e ao cabo, serão simulacros ou aproximações das realidades, o que, contudo, não lhes tira importância nem os faz dispensáveis; o fato é que os números, em si mesmos, independente dos seus processos de geração, povoam nossas vidas; não vivemos sem eles, precisamos deles; e, dentre os números, muito em especial, destacam-se as estatísticas, geradas a partir de processos de pesquisa consagrados, conhecidos e reconhecidos como confiáveis e defensáveis [4]. Como seja, pesquisadores e instituições se completam numa tríade de tempo: o tempo da demanda (ex ante), o tempo da oferta (que em sua etapa de disseminação seguinte à etapa de produção agrega a demanda ex post) e o tempo da coordenação (que perpassa ambos os tempos, o da demanda e o da oferta); cada qual contendo processos distintos de controle de qualidade, e estando, no todo, assentados em seis pilares (cada um, de per se, sendo visto por dois ângulos ou duas facetas).
O quadro sinóptico a seguir permiti uma visualização de todo o processo de geração das estatísticas, a ser desdobrado e detalhado nas próximas seções:
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2. A natureza da oferta (produção e disseminação)
O tempo da oferta está estruturado em duas etapas, produção e disseminação, a um só tempo, seqüênciais (uma base de dados, devidamente estruturada, estará na fronteira entre ambas, sendo o final da produção e o início da disseminação) e simultâneas (essa base de dados, adequadamente estruturada para efeito de disseminação, pressupõe que esta etapa seja pensada junto com a etapa de produção). A oferta, conduzida por pesquisadores capazes em instituições idôneas, configura a dimensão técnico-científica das estatísticas, quando se empenhará, o mais possível, para que os resultados sejam gerados no plano da demonstração (locus do racional), querendo-se intensamente a mais absoluta e completa independência técnico-científica, o que só é possível em parte e jamais no todo [5].Funda-se, na etapa de produção, o pilar da validade (adequação e precisão) e, na etapa de disseminação, o pilar da visibilidade (acessibilidade e aceitabilidade), que se ajustam e se articulam, unindo ambas as etapas, no pilar da continuidade (sistematização e permanência; tendo-se em mente a demanda ex post). Assim, em síntese, as estatísticas tornadas acessíveis de modo sistemático e permanente devem ser aceitáveis, no sentido de refletirem de modo adequado e preciso os domínios de governo emergidos ao tempo da demanda (tendo-se em mente a demanda ex ante).
Dando-se curso ao pilar da validade, como adequação entenda-se o assentamento de um marco teórico-conceitual, com o qual espera-se estar traduzindo do desejável ao possível os domínios de governo captados ao tempo da demanda (então, as equivalências, enunciando as identidades entre os diferentes, bem assim, as padronizações, em termos conceituais, espaciais e temporais, deverão ser conhecidas e reconhecidas como de elevada qualidade), e como precisão entenda-se o assentamento de um marco teórico-processual, com o qual espera-se estar definindo um oportuno processo de pesquisa, em suas fases de organização (para obtenção, primeiro, dos registros individuais e, segundo, das estatísticas, elas mesmas), de modo a se garantir as traduções antes referidas. Esse estabelecer da adequação e da precisão, afigurando a etapa de produção, passa pela apropriação de saberes existentes, ou, caso não estejam disponíveis, passa por promover-lhes o surgimento, junto a estudiosos dispostos e capazes, perfazendo autênticos momentos de altos estudos (laboratórios, infelizmente, raros na esfera pública).
A essa altura, vale tecer algumas reflexões sobre o pilar da continuidade (com as facetas da sistematização e da permanência), ainda que o mesmo seja o fecho das etapas de produção e de disseminação, e não apenas da etapa de produção (do pilar da visibilidade deixaremos para falar na próxima seção, ao tratarmos da demanda ex post). Enfim, quer-se com esse pilar marcar que um ambiente em que estatísticas apareçam e desapareçam e em que há apenas algumas das estatísticas necessárias à compreensão das realidades complexas, não agrada e não interessa a ninguém, daí a idéia de que as estatísticas sejam ofertadas de modo sistemático e permanente. Essa situação precisará ser tratada ao tempo em que se estiver definindo a demanda ex ante, ouvindo-se com atenção os gestores da oferta, de modo a evitar-se que os resultados sejam fragmentários e mesmo desconexos (o que passa por haver coordenação, da qual falaremos na conclusão).
Isso posto, antes de passar adiante, convém enfocar os registros individuais que fundam as estatísticas, agregações que são daqueles, transformando-os. Duas são as possibilidades: uma, os registros administrativos, onde os registros individuais já terão sido feitos para alguma finalidade administrativa; outra, os registros estatísticos, onde os registros individuais serão feitos para fins explícita e unicamente estatísticos.
Os registros administrativos nos seguem vida afora e servem para administrar-nos, não raro, em nosso próprio interesse, por exemplo, os tradicionais registros da condição civil (nascimento, falecimento, casamento), os registros escolares, os registros sanitários ou hospitalares, além daqueles que atendem sobremodo aos interesses dos estados, como os registros fiscais, por exemplo, a declaração de bens e rendas; neles todos, revelamos nossa intimidade, a gosto ou a contragosto, sem que nos seja dada, em geral, garantia de sigilo, ao menos de forma explícita (ficando em aberto a difícil questão da privacidade). Como seja, a possibilidade de extrair-lhes estatísticas não é uma tarefa simples e imediata, vez que foram criados para fins administrativos e não para fins estatísticos, ficando-se, então, a depender da extensão (dimensão, alcance, importância) e da intensão (veemência, intensidade, articulação) dos mesmos. Se internos a uma certa esfera de governo serão de mais fácil acesso e manuseio; se externos aos setores públicos exigirão difíceis e delicadas negociações de modo a serem abertos ao manuseio dos produtores (neste caso, quando de posse de atores ou agentes de mercado, esbarra-se com segredos de negócios) [6].
Os registros estatísticos são criados para fins estatísticos, resultando das chamadas pesquisas estatísticas, censitárias ou amostrais; caso a caso, espera-se contar com a boa vontade de inúmeros informantes aos quais se pede que revelem suas intimidades, que se abram aos olhares estrangeiros dos entrevistadores. Subjacente a essa invasão, justificando-a, está o caráter coletivo das estatísticas, ou seja, em seus processos produtivos os registros individuais, embora essenciais, são naturalmente superados. Ora, essa situação processual, tanto tem um sentido positivo porquanto podendo-se assegurar aos informantes que não há riscos em abrir-se aos pesquisadores, demovendo-os de eventuais resistências, quanto tem um sentido negativo porquanto instando-se os informantes a participarem de um jogo em cujo final não se vêm como parte, logo, não lhes sendo claro o que ganham [7].
Comparativamente, os registros administrativos apresentam a vantagem (acaciana) de já existirem, de modo que usá-los para gerar estatísticas sugere menor custo e menor prazo. Contudo, uma vez que sua finalidade é administrativa, poderá haver restrições na geração das estatísticas, que ficam limitadas nas fronteiras do possível, a menos que, ao tempo mesmo de suas criações, tenham também recebido a finalidade de ulterior geração de estatísticas, o que é tecnicamente possível, ainda que de complexa execução e de difícil controle político. Entretanto, em tempos de escassez financeiras, que tanto afligem as instituições, e em tempos de vocacionar essas instituições a demandas que, como já dissemos, se fazem e se desfazem com muita fluidez, em ritmo que a oferta não é capaz de seguir, vale o esforço de dinamizar a utilização dos registros administrativos. Isso não implica abandonar os registros estatísticos, que continuarão importantes no xadrez da produção, significa apenas o subtrair-lhes parte do peso que vêm tendo como fonte primeira das estatísticas (uma primazia, aliás, que emerge somente na segunda metade deste século). As pesquisas estatísticas, amostrais ou censitárias, em face de seus custos e de seus prazos, deveriam ser menos usadas, socorrendo-se mais aos registros administrativos, o que exige mudança cultural em tempo de oferta.
3. A oferta (disseminação) e a demanda ex post
Como afirmamos, a oferta estará completa com a disseminação, etapa que, em face à produção, é, a um só tempo, seqüêncial (enquanto uma atividade específica, com saber próprio) e simultânea (sua qualidade pressupõe, como dito, que uma base de dados, ponto de chegada da produção, esteja devidamente estruturada, de modo a se constituir num adequado ponto de partida da disseminação). Dirige-se àquelas pessoas que demandam estatísticas na expectativa de encontrá-las já disponíveis, quando muito esperando conseguir rearrumá-las de modo expedito e rápido; esta demanda ex post não espera influir na produção de uma nova estatística (isso até poderá vir a acontecer, mas não será como fruto da ação de uma ou outra pessoa, individualmente, mas antes, como a expressão percebida de algum vazio temático, até então não percebido). Embora não tenham sido essas pessoas (demanda ex post) que motivaram a oferta, como já afirmamos e ainda reafirmaremos, sua presença é marcante para as instituições de estatística, povoando seus cotidianos; e é para atendê-las, em suas atuações erráticas e varejistas, que se concebe o pilar da visibilidade (acessibilidade e aceitabilidade), dedicando-se a dinamizar e a simplificar as relações de interatividade, isso é, usuário-tempo-informação, e de interconectividade, isso é, usuário-espaço-informação, liberando-as o mais possível da mediação de especialistas [8].Contudo, a disseminação assim concebida, pautando-se numa crescente promoção do auto-atendimento, dificilmente eliminará os modos clássicas de atendimento. É o caso do atendimento padronizado, na forma de produtos e serviços ajustados a uma tipologia de usuários, e é o caso do atendimento personalizado, na forma de produtos e serviços ajustados aos desejos de alguns usuários, com os especialistas em informação assessorando a usuários especiais. Como seja, de modo a ajustar-se e a equilibrar-se esses três modos de atendimentos, será preciso contar-se com uma tipologia de usuários, uma infra-estrutura e uma info-estrutura de informações; como segue.
Quanto à tipologia de usuários, o mais simples será extraí-la também nos vértices do triângulo da demanda, já quando da captação da demanda ex ante (como se verá adiante). No governo estarão os usuários que naturalmente mais influíram na geração das informações que se quer públicas, dessa forma sentindo-se usuários especiais; no mercado estarão os usuários que podem e devem pagar pelas informações adquiridas, em qualquer modalidade de atendimento, sobremodo no atendimento personalizado; na comunidade estarão os usuários cidadãos que deverão receber gratuitamente as informações, como um dever dos estados, no sentido da formação e da consolidação da cidadania. Contudo, os demandantes apostos nos vértices do triângulo da demanda não são homogêneos, nem correspondem diretamente aos usuários ao tempo da demanda ex post, de modo que deverão ser vistos mais de perto através de pesquisas de mercado.
Quanto à infra-estrutura de informações, há um segmento que é invisível e há um segmento que é visível, aos olhos dos usuários. Invisíveis são as infra-estruturas nas quais agem os especialistas em informação, em documentação, em informática, em editoração, viabilizando os atendimentos. Visíveis são as infra-estruturas na forma de redes de bibliotecas e de livrarias, redes telefônicas e redes eletrônicas (internet) postas à disposição dos usuários; serão redes públicas ou privadas (neste caso através de convênios e contratos). Os produtos e serviços criados através da infra-estrutura invisível serão postos à disposição dos usuários através da infra-estrutura visível, primando-se por qualidade e por singularidade, o que implica a presença de especialistas em atendimento, aqueles que estarão em contato com os usuários.
Quanto à info-estrutura de informações, trata-se de ofertar aos usuários um conjunto de informações que lhes facilitem o acesso e que lhes orientem a apreensão das estatísticas, que se quer comparáveis e combináveis, engendrando conhecimento. Enfim, trata-se de dar-lhes ciência, acima e antes de tudo, dos métodos de pesquisa, passando-lhes as lógicas da justificação e da descoberta, e mais, passando-lhes inventários, catálogos, dentre outros. As informações sobre as informações postas a serviço do auto-atendimento e do atendimento padronizado estarão entregues à apreensão direta dos usuários, o que lhes exigirá uma linguagem simplificada; já as informações sobre as informações postas a serviço do atendimento personalizado estarão entregues à apreensão dos diversos especialistas em atendimento, o que lhes exigirá uma linguagem minuciosa e precisa.
Isso posto, três pontos merecem destaque. Um, o imperativo de se oferecer aos usuários os recursos do geoprocessamento, como um valioso instrumento para combinar-se e visualizar-se dados, facilitando sua significação com vistas a se fazerem informação. Dois, o imperativo de se oferecer aos meios de comunicação produtos e serviços especiais, facilitando a divulgação de novidades, tanto aos usuários costumeiros, quanto aos usuários eventuais. Três, o imperativo de se oferecer, cada vez mais, estudos e análises explicativos das realidades complexas (o fato é que a mágica dos números tende a bastar menos, a ser menos sedutora, tantos e vários são os usuários) [9].
4. A demanda ex ante e a oferta (produção)
Finalmente chegamos ao cerne deste texto, tratando da demanda ex ante, aquela que funda a oferta em sua etapa de produção. Pois essa demanda ex ante, por seu caráter estrutural e estruturante, geradora de todo um processo de trabalho, dispendioso e demorado, precisa ser o mais possível prevista e antevista. Pois, dessa demanda ex ante resultará o pilar da pertinência (relevância e abrangência), ou seja, as estatístivas que passarão a integrar um programa de trabalho devem ser de ordem a cobrir um abrangente espectro de temas relevantes capazes de permitir a exaustiva compreensão de uma certa realidade. Por fim, uma vez que essa realidade é complexa, dificilmente sendo apreendida a partir de uma ou outra estatística isolada, é muito natural que se as queira comparáveis e combináveis, de modo a bem exaurir um certo tema, o que expressa o pilar da utilidade (comparação e combinação). Então, afigura-se nesse momento a dimensão sociopolítica, com certeza, interdependente à dimensão técnico-científica das estatísticas.4.1 O triângulo da demanda
A demanda ex ante das estatísticas (públicas) virá de atores ou agentes postos em um dos vértices do que vimos chamando de triângulo da demanda, a saber: o governo, o mercado (as empresas), a comunidade (ou a sociedade) [10]. A demanda do governo é, com certeza, a mais volumosa e a mais diversificada; o governo deseja e necessita informações, primeiro, para melhorar a qualidade da gestão pública, o que lhe cabe promover, em favor de todos, segundo, para estimular o desenvolvimento sócio-econômico junto às empresas em mercado , terceiro, para promover e consolidar a cidadania ao estimular e viabilizar a atuação social das comunidades organizadas.Então, assim sendo, serão os atores ou agentes do governo que, uma vez que o integram, terão clareza dessa demanda expressa no âmbito do próprio governo, terão a maior e melhor visão do todo. Além disso, em se tratando de informações elaboradas por entidades públicas, serão esses mesmos atores ou agentes de governo que terão clareza das possibilidades de atendimento às demais demandas, expressas pelos atores ou agentes do mercado (as empresas) e da comunidade (ou sociedade). Mas, se a demanda do governo apresenta uma distinta visibilidade, até porque se a estará observando de dentro, o mesmo não pode ser dito das demais demandas, dado que se as estará observando de fora; por demais, em que pese esse predomínio da demanda de governo, olhando a si mesmo e aos demais demandantes a partir de sua perspectiva particular (com vistas à realização das atividades acima anotadas), não há como ignorar que há demandas independentes nos interesses autônomos dos atores ou agentes do mercado e da comunidade.
Como seja, enquanto praticando a detecção da demanda do governo, do mercado e da comunidade, três difíceis questões estarão presentes: primeira, a identificação dos atores ou agentes em cada vértice do triângulo a serem ouvidos; segunda, a identificação dos desejos e necessidades desses atores ou agentes, no que tange às estatísticas; terceira, a identificação das reais possibilidades e das não menos reais limitações em atender com qualidade e presteza aos desejos e necessidades devidamente relacionadas. Por difícil que seja, a demanda ex ante, fluída e fluente, por pautar a oferta, precisa ser atentamente percebida, captada e anotada, num esforço continuado ao longo do tempo.
4.2 A detecção da demanda
Pessoas diligentes e dedicadas, afeitas à oferta, de modo a terem presente suas limitações e restrições operacionais (nas etapas de produção e de disseminação), deverão ser postas a serviço da percepção, da captação e da anotação da demanda (até mesmo de uma demanda apenas latente). Leva-se à detecção da demanda a dimensão técnico-científica inerente à oferta, com certeza restritora de um antendimento amplo e geral da demanda, mas fazendo-o cuidadosamente sem retirar à demanda sua peculiar natureza sociopolítica, sem impor-lhe artificialmente uma natureza técnico-científica.Trata-se de uma atividade naturalmente especializada (própria a profissionais de informação), ademais de muito difícil e exigente, na medida em que a demanda quase nunca se apresenta transparente [11]. Assim, procurando-se promover um equilíbrio no triângulo da demanda, imaginou-se um esquema abrangente de detecção da demanda, observando-a em três tempos, os tempos passado, presente e futuro. Como será visto, trata-se de se dar uma nova feição aos centros de documentação (ou, mais simplesmente, às bibliotecas) das instituições envolvidas, em suas relações internas, mutatis mutandis, estaremos diante de uma atividade de inteligência competitiva [12].
A demanda do tempo passado virá da análise cuidadosa de documentos tornados públicos, quer tenham origem no setor público, quer tenham origem no setor privado. Para tanto, há que se debruçar nos programas de governo, nos planos estratégicos, nas propostas de orçamento, nos relatórios apresentados a organismos internacionais, dentre outros; há que se procurar identificar as tendências dos mercados e das comunidades expressas na imprensa, na academia, no legislativo, enfim, nos debates públicos; há que se detectar situações setoriais, nem sempre comuns com as questões gerais, situações que falam de perto à atuação dos decisores temáticos, com seus ambientes particulares de diálogo. Ainda que se esteja tratando de um ambiente passado, esta detecção atuará como um balizador da atualidade do programa de trabalho em curso, ademais, não menos valiosa será a aquisição de sensibilidade pelos profissionais de informação envolvidos.
A demanda no tempo presente será revelada quando da definição mesma das políticas públicos e dos programas privados (uma vez mais, não se atendo apenas aos valores do governo, mas também aos valores do mercado e da comunidade); trata-se de superar a análise de documentos, que apresenta um caráter estático, mais ou menos a posteriori dos acontecimentos. Para tanto, será preciso marcar presença nos debates ao tempo da elaboração das políticas públicas; nada mais oportuno e legítimo do que se ter especialistas em informação presentes nos espaços de decisões de governo, de modo a poderem expressar vivamente as possibilidades e limitações das informações, levando-as a um maior e melhor uso, mas, antes de tudo, de modo a sentirem de perto os desejos e as necessidades de informações no vivo instante em que as demandas são manifestadas [13]. Conquistar presença nesses espaços nunca será tarefa simples, exigindo persistência e constância, sendo fruto da credibilidade e da legitimidade das pessoas e das instituições [14].
A demanda no tempo futuro será revelada pela participação em congressos, seminários, conferências, colóquios e jornadas, voltados a exprimir as tendências das informações, onde as demandas futuras se insinuam. Dessa forma, indo-se além da análise no passado e da atuação no presente, imagina-se uma atuação em eventos e mesmo as suas promoções e seus patrocínios, de modo que atores ou agentes representativos do triângulo da demanda possam discorrer suas visões de presente e de futuro, dessa forma dando-se antecipação aos desejos e necessidades de informação referidas aos espaços nacional, global e local; trata-se de um exercício futurístico, a ser vivido sem qualquer receio ou temor. Enfim, por mais frágil que seja, talvez esta detecção seja de fato a mais importante, a que mais possa antever surpresas desagradáveis, desarticuladoras.
4.3 O plano geral da oferta
Convém notar que por meio deste esquema, os atores ou agentes do mercado e da comunidade estiveram presentes, direta ou indiretamente, ainda que o processo tenha sido animado por atores ou agentes do governo. Mas, de modo a assegurar-se um desejável equilíbrio no triângulo da demanda, retirando dos atores ou agentes do governo (que animaram o espaço político da demanda) qualquer presunção de darem a forma final ao programa de trabalho que fundará a oferta (em sua etapa de produção), convém que se submeta as demandas detectadas a um Conselho Estratégico de Informação, a ser formado por representantes legítimos e autênticos de todos os vértices do triângulo. Do debate nesse fórum, dar-se-á a forma final ao programa de trabalho a ser executado, associando-lhes as responsabilidades e apondo-lhes os recursos.Temas vários terão emergido, cobrindo diferentes domínios de governo (público e privado), sendo exemplos possíveis: "a apreensão da realidade econômica pressupõe reflexões sobre a importância do conhecimento, enquanto um transformador da produtividade", "a noção de equilíbrio ambiental mais e mais vem mudando as antigas noções de desenvolvimento econômico, povoando as atenções com um bem viver", "o desemprego, em proporções alarmantes, sugere um atento repensar do mercado de trabalho, com um novo papel para a educação e o treinamento", "na cidade, surgem com nova força, as velhas questões de uso do tempo com o espraiar do espaço urbano, de lei e ordem com o recrudescer do crime, de uso do solo com o ocupar do espaço urbano", "o novo perfil etário da população repõe as questões do jovem e do idoso, sugere um repensar da educação, da saúde e da doença", dentre outros [17].
Contudo, mesmo diante de um tal programa de trabalho, expressão de uma legítima dimensão sociopolítica associada em traduções sucessivas a uma dimensão técnico-científica, não há como não continuar a detecção da demanda, tendo-se em conta seu caráter volátil em face de fatos que se fazem e se desfazem com muita rapidez. Por tudo isso, vale repetir, há de se ter presente, sempre, duas fortes marcas da oferta: primeira, a processo produtivo tem um tempo certo para começar a apresentar resultados, tendo-se muito pouca liberdade para abreviar-lhe a duração, vale dizer, a produção iniciada ontem só terá fruto amanhã; segunda, a produção iniciada ontem, se descontinuada hoje, em favor de uma ou outra demanda, nem amanhã terá fruto, com o desperdício do tempo e dos recursos aplicados, vale dizer, uma nova demanda, ainda que deva ser analisada no sentido de ser atendida, não pode e não deve sê-lo ao arrepio do trabalho corrente.
Conclusão
A relação entre a oferta (disseminação) e a demanda ex post, de um lado, e a relação entre a demanda ex ante e a oferta (produção), de outro lado, não se fez no livre jogo das forças de mercado, mas antes como algo animado a partir de um olhar da oferta. Ora, para que tudo isso se faça e se o faça com eficiência e eficácia, há que se contar com uma entidade coordenadora, especializada, já que a expontânea coordenação de mercado não se manifesta; por essa coordenação, funda-se o pilar da integridade (credibilidade e legitimidade), entendendo-se a credibilidade na linha da atenta sustentação da vertente técnico-científica e a legitimidade na linha da atenta sustentação da vertente sócio-política, construindo-se uma inquestionável interdependência entre ambas na prática de um diálogo franco e aberto. Essa coordenação não se faz num tempo seqüencial à demanda e à oferta, sendo antes um tempo que lhes perpassa, levando-as à harmonia, na busca de uma identidade desejável mas no respeito às diferenças.Coordenar pressupõe um querer, um saber e um poder; é mais do que um ato de vontade, mesmo que de boa vontade, não sendo suficiente que se o saiba fazer; pressupõe sobremodo, necessariamente, um ato de manifesta vontade política. Coordenar é reger uma orquestra; como ao regente, ao coordenador incumbirá definir o programa a ser executado, a partitura a ser executada; par a par, cada músico tocará seu próprio instrumento, mas, como trabalhadores de conhecimento, os músicos desejavelmente virtuosos devem ser vistos como sócios e não como subordinados; podem até ser sócios juniores, mas não numa relação de subordinação ou de superioridade; no limite, devem ser chamados a participar da definição do programa a ser executado. Então, imagina-se uma coordenação ancorada no diálogo e no debate, difíceis muitas vezes, mas, absolutamente necessários, pautando-se no imperativo da construção de consensos.
Os limites da coordenação dependerá, claro, da extensão do mandato que se lhe deseje atribuir: credenciar, certificar, atestar; fiscalizar, controlar, penalizar; recomendar, aconselhar, colaborar. Mas, ainda que o poder da coordenação possa variar, vindo a ser mais ou menos incisivo, importa que em seu exercício se resguarde as liberdades e as identidades, que em seu exercício se pratique a argumentação na diuturna construção de um convencimento democrático. Nesse sentido, o modus vivendi (modo de agir ou viver) e o modus faciendi (modo de se relacionar) no seio da coordenação deverão ocorrer no contexto de uma rede ou cadeia de alianças, buscando-se um equilíbrio entre a liberdade inerente às redes, com o aprisionar inerente às cadeias, tendo-se em mente o evitar que os resultados do processo de trabalho sejam fragmentados ou mesmo desconexos [18].
Notas:
[1] Veja-se, de Aldo de Albuquerque Barreto, dentre outros textos, em especial, “A oferta e a demanda da informação: condições técnicas, econômicas e políticas” (Ciência da Informação, Brasília, vol. 28, n. 2, maio/agosto 1999; www.ibict.br/cionline).
[2] As expressões ex ante e ex post foram trazidas à economia por Gunnar Myrdal, Prêmio Nobel de Economia, em suas análises de investimento, poupança e consumo. Aqui, as usamos para caracterizar a demanda que se manifesta ou que se percebe, respectivamente, antes e depois da oferta.
[3] Ao adjetivarmos a informação, dizendo-a estatística, a vemos como um dado estatístico (o que é da ordem da sintática), saído de um emissor, que ganhou significado ou significação em sua recepção (o que é da ordem da semântica), com a intenção última de gerar conhecimento (o que é da ordem da pragmática). Assim, temos presente que se oferta dados estatísticos e se demanda informações estatísticas, tanto mais se conseguindo completar com eficácia todo um ciclo de comunicação quanto mais se consiga antever com eficiência a demanda ex ante, como se verá ao longo deste texto.
[4] Dentre vários textos do autor, veja-se em especial “Informação estatística: política, regulação, coordenação” (Ciência da Informação, Brasília, v. 28, n. 2, p 124-135, maio/ago, 1999).
[5] Atente-se para o fato de que, para além de haver um ponto de partida eminentemente sociopolítico, como se verá adiante, os processos de pesquisa vivenciados estão cheios de incertezas, indecisões, inseguranças muito humanas, o que não há como evitar. Hoje em dia está claro que a pretendida neutralidade e objetividade científica não existe nem mesmo nas ciências físico-naturais, menos ainda nas ciências humanas ou sociais (nas quais se enquadra a geração das estatísticas); dessa forma, temos que nos empenhar para alcançarmos uma objetivação defensável entre os pares
[6] Veja-se do autor, o texto “A questão dos registros administrativos vis-a-vis a geração de estatísticas”. Revista Brasileira de Estudos Populacionais, Campinas, v. 13, n. 2, p. 199-205, jul./dez. 1996.
[7] Sobre a geração dos registros estatísticos veja-se do autor, o livro “O cotidiano da Pesquisa” (São Paulo: Ática, 1989. Coleção Princípios 171. 71 p).
[8] Veja-se Aldo de Albuquerque Barreto, em especial, “Perspectivas da Ciência da Informação” (Revista de Biblioteconomia, Brasília, v. 21, n. 2, p. 155-166, jul./dez. 1997).
[9] A este terceiro aspecto, dois pontos devem ser postos. Primeiro, observe-se que a feitura de estudos e análises mais cedo ou mais tarde implicará em mudanças no perfil dos recursos humanos envolvidos, seja para fazerem os estudos e análises diretamente, seja para melhor poderem dialogar com a comunidade acadêmica associada. Segundo, observe-se que, em decorrência da elaboração de estudos e análises, redefinem-se os elementos que atuam na rede ou cadeia de alianças, sobremodo facilitando o mobilizar de aliados capazes de garantir as forças internas e externas envolvidas.
[10] Veja-se de Ladislau Dowbor, o texto “Capitalismo: novas dinâmicas, outros conceitos” (São Paulo em perspectiva, São Paulo, v. 12, n. 2, p. 64-76, abri./jun. 1998).
[11] Naturalmente, métodos de participação (observação e organização e divulgação) deverão ser explicitados e/ou desenvolvidos, tendo por base o saber inerente aos profissionais de informação.
[12] Um bom exemplo disso (dessa mudança no papel das bibliotecas no interior das instituições) é a excelente publicação “Notas sobre Polídica Estadística en el mundo” criada em boa hora pelo INDEC – Instituto Nacional de Estadística y Censos, da Argentina, sob a eficiente coordenação de Lelia Boeri de Cervetto. Seu primeiro número é de julho de 1994, continuando até o presente (mas, que fique claro, não trata da detecção da demanda, mas como o nome indica enfoca a questão da política estatística).
[13] Neste caso, as pessoas presentes não serão os profissionais de informação, em senso estrito, uma vez que em geral serão os dirigentes das instituições. Mas, é de se supor que eles tenham, se não pleno domínio do contexto da informação, ao menos sensibilidade para o que vimos falando, sendo capazes de perceber e de registrar a demanda de estatísticas subjacente a esses ambientes.
[14] A esse propósito, de Ivan Fellegi, veja-se os textos “Characteristics of an effective statistical system” (International Statistical Review, v. 64, n. 2, p. 165-197, 1996) “Statistical Services – preparing for the future” (Aguascalientes, México: INEGI, 1998. 80 p).
[15] As chamadas Conferências Nacionais de Estatística (a par com as Conferências Nacionais de Geografia, às vezes chamadas de Geociências), promovidas regularmente pelo IBGE, melhor se definiriam em seus escopos se se enquadrassem nessa detecção futura da demanda. Sempre será dito que isso é inadequado ou mesmo impossível, mas... claro que não o é.
[16] A assumida interdependência da dimensão sociopolítica à dimensão técnico-científica, em algum momento, deverá trazer a tona as possibilidades e as limitações conceituais e processuais (neste caso, inclusive sobre a disponibilidade de recursos humanos, financeiros e tecnológicos).
[17] Estes temas foram arrolados a partir de um pensar livre do autor consigo mesmo, não se tendo feito maiores reflexões sobre os mesmos, com quem quer que seja. Vistos dessa forma, expressam mais do que o conteúdo dos discursos (observados nos tempos passado, presente e futuro), na verdade, fazem emergir também os contextos de utilização das informações estatísticas demandadas.
[18] A propósito deste tema veja-se a tese doutoral do autor, “A coordenação das estatísticas nacionais. O equilíbrio entre o desejável e o possível” (UFRJ/ECO e CNPq/IBICT, fev. 1998).
Rio de Janeiro, maio / junho de 2000
500 anos da chegada ao Brasil de Pedro Alvares Cabral (1500 – 2000)
Instituto Osvaldo Cruz: um século de ciência (1900 – 2000)
2000 - Ano Gilberto Freyre - Centenário de Nascimento
175 anos do nascimento do Imperador D. Pedro II (1825 – 2000)
160 anos da maioridade do Imperador D. Pedro II (1840 – 2000)
Sobre o artigo / About the Paper:
As opiniões aqui expressas são pessoais, podendo não coincidir com a visão das instituições com as quais o autor mantém vínculo, em especial com as do IBGE.
Sobre o autor / About the Author:
Nelson Senra
senra@ibge.gov.br ncsenra@alternex.com.br
Pesquisador (IBGE) e Professor (IBGE / ENCE – Mestrado).
Doutor em Ciência da Informação (UFRJ / ECO). Mestre em Economia (FGV / EPGE).
Economista (UCAM).