DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação - v.2  n.3   jun/01                            ARTIGO 04

DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO E INFORMAÇÃO DE INTELIGÊNCIA ORGANIZACIONAL
Information Dissemination and Organizational Intelligence Information
por Katia de Carvalho





Resumo: A importância da informação e do conhecimento nas organizações,nos espaços das empresas  encontram, uma realidade porque propicia propostas inovadoras e informação passa a ser um elemento estruturante, contribuindo com eficácia, se se considerar que a Gestão do Conhecimento se apóia no valor da informação e na organização de Sistema de Informação e de Conhecimento.
Nas organizações, nas empresas o uso da informação com valor estratégico vem sendo cada vez mais utilizado.  Para garantir um adequado fluxo de informação, a construção de sistemas de informação reforça o acesso ao conhecimento para a tomada de decisões nesses espaços, uma vez que a informação está ligada ao conhecimento do ambiente interno e também do externo.
Nesse sentido, a evolução da tecnologia da informação e da telecomunicação, contribuem significativamente para o desenvolvimento das ações em geral. Convém salientar que a facilidade de acesso as redes e bancos de dados coloca ao alcance de todos uma quantidade de informação cuja absorção total é inviável.  Nesse contexto á necessário pesquisar uma gama de informações expressiva, saber como localizar e analisar fatos relevantes ao contexto.
Dada a necessidade de obter informações cada vez mais rápidas surgem novas tendências que objetivam recuperar a informação de forma acelerada.
Considerando o ambiente das organizações, onde mudanças vem ocorrendo, motivadas pelos atuais padrões econômicos que visam a contenção de custos nas empresas, algumas tendências se destacam: a concorrência,o uso das tecnologias da informação e o contexto, onde as relações entre pessoas estão cada vez mais fragilizadas e os ambientes mais adequados estão se  estruturando, estimulando o compartilhamento.
Neste caso, a disseminação assume um papel de grande relevância no processo, porque no fluxo de disseminação da informação, para decidir e agir, ela necessita ser bem planejada senão a informação não circula e não se completa o processo.
Palavras chave:  Informação, Disseminação, Inteligência Organizacional, Disseminação da Informação
 

Abstract: The importance of information and knowledge in the organizations and companies, finds its reality in those spaces because it propitiates innovative propositions, therefore, information becomes a basic element, contributing with effectiveness, if we consider that knowledge administration supports itself in the value of the information and in the organization of Information System and Knowledge.
In the organizations and companies the use of information with strategic value is being more used at each passing day.  To assure an appropriate information flow, the construction of information systems reinforces the access to knowledge so that decisions are made in those spaces, once that information is tied to the knowledge of the inside and out environment.
In that sense, the evolution of information and telecommunication technology, contribute significantly to the development of general actions. It is convenient to emphasize that the means of access to nets and data banks make available to everyone such amount of information impossible to be absorbed. In that context, it is necessary to research for relevant information, to learn how to retrieve them and to analyze facts relevant to the context.
Due to the necessity of obtaining information much faster at each time, new tendencies appear aiming at the retrieval of the information in an accelerated way.
Considering the organizations environment, where changes have been occurring, due to current economic standards which try to contain company costs, some trends are of importance: the competition, the use of information technologies and the context, where personal relationships are weakening and more suitable environments are being structured, stimulating sharing.
In that case, dissemination plays a relevant role in the process, because in the dissemination of the information flow, in order to decide and act, it must be well planned, otherwise the information does not go around, therefore, it does not complete the process.
Key-words: Information, Dissemination, Organizational Intelligence, Information Dissemination
 


Vive-se um período de revisão de conceitos,  uma fase de transição da humanidade cujas transformações se aceleram nos transportes, nas tecnologias da informação, na comunicação e na configuração de uma nova economia. O mundo empresarial, enfrenta novos desafios e a mobilidade do capital  afeta as áreas de investimento e  as questões que envolvem a empregabilidade  determinam mudanças radicais na organização do trabalho. O desemprego é mundial e visto com matizes mais fortes nos países periféricos.

As tecnologias da informação influenciam esse contexto e introduzem alterações que atingem a demanda de mão de obra exigindo  novas aptidões,  novos perfis profissionais. Com isto, a exclusão de um número cada vez mais elevado de indivíduos que não se enquadram no padrões exigidos pela nova ordem social e econômica, é significativo.

A tecnologia impõe um  novo ritmo, diferente do passado, quando as mudanças eram mais lentas. Esse é o caso da  imprensa, um incontestável agente de mudanças que surgiu muito tempo depois do aparecimento da escrita.

Na sociedade global,    as relações de trabalho se modificam. Hirst & Thompson afirmam que:
 

...Se o consenso defendido nas décadas de 50 e 60 era de que o futuro pertencia ao capitalismo sem perdedores, seguramente administrado por governos nacionais atuando em conjunto, as décadas posteriores de 80 e 90 são dominadas por um consenso baseado em suposições contrárias, de que os mercados globais são incontroláveis e de que o único caminho para evitar tornar-se perdidos – seja como nação, empresa ou indivíduo é ser o mais competitivo possível...


Acredita-se que o homem adquiriu certos direitos, como, liberdade de escolha, pensamento crítico, preservação de valores como pressupostos básicos para a sua condição futura em uma sociedade plural e profundamente competitiva.

Essas mudanças alteram todo um sistema de relações sociais e as tecnologias da informação, a telecomunicação, passam a promover uma transformação econômica e social expressiva na sociedade.

A importância da informação e do conhecimento nas organizações, nas empresas encontram nesses espaços, uma realidade que propicia propostas inovadoras e informação passa a ser um elemento estruturante, contribuindo com eficácia, se se considerar que a Gestão do Conhecimento se apoia no valor da informação e na organização de Sistema de Informação e de Conhecimento.

Nas organizações , nas empresas o uso da informação com valor estratégico vem sendo cada vez mais utilizada. Para garantir um adequado fluxo de informação, a construção de sistemas de informação reforça o acesso ao conhecimento para a tomada de decisões nesses espaços, uma vez que a informação está ligada ao conhecimento do ambiente interno e também do externo.

Nesse sentido, a evolução da tecnologia da informação e da telecomunicação, contribuem significativamente para o desenvolvimento das ações em geral. Convém salientar que a facilidade de acesso as redes e bancos de dados coloca ao alcance de todos uma quantidade de informação cuja absorção total é inviável. Nesse contexto é necessário pesquisar uma gama de informações expressiva, saber com localizar e analisar fatos relevantes relacionados ao contexto.

Dada a necessidade de obter informações cada vez mais rápidas surgem novas tendências que objetivam recuperar a informação de forma acelerada.

Considerando o ambiente das organizações, onde mudanças vem ocorrendo, motivadas pelos atuais padrões econômicos que visam a contenção de custos nas empresas, algumas tendências se destacam: a concorrência, o uso das tecnologias da informação e o contexto, onde as relações entre pessoas estão cada vez mais fragilizadas e ós ambientes mais adequados estão se estruturando,  estimulando o compartilhamento.

A competitividade introduz novos comportamentos que levam os executivos a uma situação desconfortável e muitas vezes à inadaptação às exigências do mercado. Neste caso, o uso da informação nas organizações é reconhecido em virtude da procura de meios mais competentes para atender as demandas atuais.

O uso da inteligência, na Gestão do Conhecimento, está relacionada aos sistemas de apoio à tomada de decisões visando a administração estratégica da empresa. As denominações que vem sendo utilizadas como sinônimo de Inteligência Competitiva variam desde Veille Technologique, Intelligence Economique, Intelligence concurrencielle, na França até Competitive Intelligence, Business Intelligence e Competitor Intelligence’, nos Estados Unidos.

Gilda Massari afirma que no Brasil as denominações utilizadas são Inteligência Competitiva, Inteligência de Marketing, Inteligência Empresarial e Gestão Estratégica do Conhecimento. O que se percebe é que Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva são cada vez mais complementares.

O termo inteligência, de origem latina, é a capacidade de aprender, compreender, interpretar3 mas também pode significar, serviço de informações se for considerada a sua origem inglesa. Atribui-se a Alden Burton o uso pioneiro do termo, em 1959 e  apesar de ter os primeiros registros, na década de 70-80, vem se desenvolvendo de maneira gradativa a partir  dos anos 90.

A Inteligência Competitiva  oferece um sistema de coleta, tratamento, análise e disseminação sistemática de informação estratégica para organização, tendo em vista a toma de decisão em uma organização. Ela pode ser usada     tática e estratégicamente. Como um captador de sinais, identifica novas oportunidades, ajuda a evitar erros, monitora o meio ambiente, reconhece sinais e os analisa em relação em relação aos interesses e competências organizacionais, permitindo a previsão e o planejamento tecnológico, tático estratégico

As duas correntes no âmbito da Inteligência Competitiva privilegiam áreas de interesse: a corrente francesa, direcionada para o monitoramento tecnológico e também para a competitividade e a corrente americana, voltada para a análise de informações, associada à competitividade na empresa.

As organizações que operam em ambientes competitivos que demandam melhoria de processos, introduzem as tecnologias da informação, ampliam seus novos produtos e utilizam serviços tecnologicamente avançados,  acompanhando de forma regular a evolução tecnológica que influenciam as suas atividades.

Limitar-se a obter grande quantidade de dados, não é mais o que se objetiva mas a informação filtrada que seja de interesse da organização. Entretanto a facilidade de acesso a redes e banco de dados coloca ao alcance de todos uma quantidade de informações cuja absorção total é inviável. Por este motivo a mediação de um profissional da informação torna-se imprescindível,  é necessário pesquisar esse universo de informações, saber localizar e analisar os fatos que parecem  relevantes. Para isto, os sistemas de informação podem ser operacionalizados nesses espaços.

Entre os principais objetivos dos sistemas de informação voltados para a tomada de decisão podem ser citados:
 

- apoiar a gerência nas decisões, nos níveis estratégico e tático, por meio de informações resultantes da observação e análise do ambiente tecnológico externo e da avaliação dos impactos das tendências tecnológicas e sinais de mudança nas áreas de negócio da empresa;
- apoiar a revisão das estratégias tecnológicas e empresariais;
- ampliar e aprofundar o conhecimento sobre as áreas tecnológicas ligadas aos negócios da empresa;
- incentivar a postura estratégica e a visão de futuro nos níveis gerencial e técnico.


O modelo de inteligência mais difundido é aquele que começa com o dado (matéria prima bruta, dispersa), que se transforma em informação (estrutura organizada) e passa a inteligência (a análise promove a informação adequada para a tomada de decisão). Esta coleta, voltada para o uso de informação pública e publicada pode ser encontrada fora dos limites da empresa.

Portanto, o objetivo da inteligência é a informação analisada e de interesse para a tomada de decisão, considerando o ambiente onde atua a empresa.

O Sistema de Inteligência Competitiva compreende a coleta   e uso da informação pública e publicada, necessita de uma base do conhecimento e de informa ção transformada  em inteligência e difusão da inteligência para a tomada de decisão.. A construção de uma base de conhecimento engloba inteligência analisada, fontes humanas (informação informal) e informação pública e publicada (informação formal).

Neste caso, a disseminação assume um papel de grande relevância no processo, porque no fluxo de disseminação da informação, para decidir e agir, ela necessita ser bem planejada senão a informação não circula e não se completa o processo.

Massari define Inteligência Competitiva como “um processo sistemático de coleta, tratamento, análise e disseminação de informação sobre as atividades dos concorrentes, tecnologias e tendências gerais dos negócios, visando subsidiar a tomada de decisão e atingir as metas estratégicas da empresa”.

O que a maioria dos autores constata é que não se  considera a importância do uso da inteligência nos negócios. Em 1980, Porter estabeleceu as bases para estratégia competitiva e dedicou-se a análise dos clientes, concorrentes, fornecedores. Portanto, enfatizou as necessidades do meio empresarial para montar Sistemas de Inteligência sobre o concorrente.

Landislas Farago considera Inteligência, a busca ou coleta de informação; avaliação de informação que aí se transforma em inteligência, disseminação da informação para aqueles que necessitam; contra-inteligência – esconder ou proteger a informação contra operações de inteligência de um adversário.

A avaliação do sistema permite o reconhecimento das necessidades que levam a identificação do que se denomina, Fatores Críticos de Sucesso que  devem ser definidos ainda na fase do planejamento, quando se verificam as necessidades do usuário, as razões que levam ao uso da inteligência.

Massari considera que os Fatores Críticos de Sucesso são as áreas nas quais a boa performance é necessária para assegurar o atingimento das metas.

Para que um sistema de Inteligência Competitiva seja competente é preciso que se considere o valor da inteligência que consiste na análise bem sucedida, aliada a qualidade das fontes utilizadas para que a disseminação endereçada ao usuário, seja estratégica. Vale ressaltar, a necessidade de um bom sistema de segurança, para evitar a sua vulnerabilidade. Na expansão desses conhecimentos, percebe-se algumas tendências.

Enquanto a Inteligência Competitiva compreende a informação segundo a sua dimensão estratégica e utilizada para a redução de incerteza e instrumento de apoio à decisão, a Gestão do Conhecimento tem uma visão mais abrangente, voltada para a organização e capitalização do patrimônio intelectual inerente à empresa.

Na Inteligência Competitiva o conhecimento torna-se fator decisivo. É no ambiente das empresas e das organizações que estão sendo formuladas as políticas que ligam o conhecimento ao uso estratégico da informação.

A disseminação do conhecimento e da informação passa a se desenvolver sob um novo olhar a partir de uma questão singular, informação com valor agregado. Abrem-se novas perspectivas e o elemento de ordem é o desenvolvimento de estratégias de apoio às organizações na tomada de decisão. Em síntese, a Inteligência Competitiva visa a criatividade, a persistência, a fácil comunicação, remetendo para o pensar estratégico. Dois pontos são polêmicos: a ética nas relações interna e externa da empresa e a memória institucional. Estas são questões que merecem ser aprofundadas pelo que representam em sistemas de informações constituídos. Com o universo tão modificado, o profissional da informação passar a ter um papel  redimensionado e ativo.

Quanto à sua organização, o sistema de Inteligência se configura em formato de rede. Duas redes podem ser identificadas, a humana e a eletrônica. Neste aspecto, é necessário ter canais de conhecimento eficazes,  uso de tecnologias da informação no processo de comunicação interna e externa,  na Gestão do Conhecimento e na organização. Deste modo, promove mecanismos mais competentes, acesso ao estoque de inteligência e análise da informação de forma mais acelerada.

A informação após ser analisada, passar a ter valor estratégico. Existem inúmeras metodologias utilizadas para análise, qualitativamente e quantitativamente, entre as mais utilizadas data mining – técnicas de análise automática, benchmarking, entre outras. Para produzir informação estratégica é preciso conhecer as necessidades da empresa inclusive planejar o seu futuro. Entretanto, o futuro é imprevisível. Por este motivo a realização de cenários, procuram identificar as principais forças dos desdobramentos futuros e as relações existentes entre elas sem negligenciar os fatores de riscos e a preparação para possíveis mudanças que possam ocorrer mais adiante.

Considerando a natureza dessa abordagem do uso do conhecimento e da informação de uma maneira tão pontual, faz-se imperativo ressaltar o papel da disseminação da informação e do conhecimento nesse processo. E neste caso, merecem ser destacados  alguns aspectos pertinentes, tais como a mediação exercida pelo profissional da informação, as fontes de informação, a  comunicação informal e o uso da informação.
 

 A MEDIAÇÃO: O PAPEL DO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO
A disseminação da informação e do conhecimento depende de modo significativo do mediador, do profissional da informação que cada vez mais se destaca na filtragem da informação  através da comunicação formal e informal. Originariamente, o profissional que atuava nessa área  lidava com o livro, primeiro meio de comunicação importante. Era o bibliotecário. Com o avanço das tecnologias, essa condição se modifica e se incorporam novos suportes novas  atribuições decorrentes da complexidade das mudanças no campo da informação.

O perfil desse profissional se estabelece no ambiente social, pressionado pelas exigências do meio. Francisco da Chagas de Souza questiona o objeto de trabalho desse agente de informação e destaca a função mediadora entre a produção e o consumo de conhecimentoe da informação.

Os profissionais da informação srepentinamente se perceberam surpreendidos com  tantas mudanças, em virtude de viverem enclausurados em seus universos, debruçados sobre suas atividades inerentes à organização de acervos relegando a um outro plano a função precípua da  biblioteca que é de disseminar informação.

 No passado, o bibliotecário era considerado uma pessoa culta. As sucessivas discussões sobre o perfil desse profissional explicam algumas reformas curriculares que vêem ocorrendo no País desde a década de 70 à procura de um perfil profissional mais condizente com a necessidade do mercado. Edson Nery da Fonseca, ao estabelecer uma crítica à formação inadequada e focada na técnica relembra alguns nomes de bibliotecários, homens cultos e de expressão, como Padre Vieira, Ortega y Gasset, Ramiz Galvão. Nessa lista, deve-se acrescentar o próprio Edson Nery da Fonseca.

Posteriormente, transforma-se esse profissional em um trabalhador com competência para garantir a organização racional das suas atividades voltadas para os conhecimentos técnicos em detrimento de uma cultura humanística mais ampla. A ênfase nas técnicas, influenciada pela linha americana, difere da escola francesa que privilegiava as questões culturais e o domínio de outras línguas. Os recentes conselhos profissionais consideram que além do princípio da organização e difusão do conhecimento, a ação do profissional é marcadamente pedagógica, estimula o interesse pelo livro, o hábito de ler, contribuindo para o desenvolvimento intelectual do leitor.

Entretanto,o profissional da informação dessa sociedade global necessita aprimorar a sua formação, dando ênfase para as tecnologias da informação. Exige-se dele uma visão holística, um vasto leque de conhecimento gerais, de línguas, de informática, de comunicação e psicologia.

O que parece estar em questão é um perfil de trabalhador do conhecimento como um indivíduo que vive testando suas experiências,  que é receptivo a novos aprendizados. É um profissional que usa a criatividade para moldar cada experiência.

O trabalhador do século XXI deve distinguir as competências técnicas das relacionais e sociais e sua permanência no trabalho depende somente dele. É fundamental saber comunicar a informação disponível de interesse do planejamento esperado. Entre as competências podem ser citadas criatividade, dinamismo, iniciativa, além do domínio da escrita e da leitura e da cultura da organização, sem esquecer a capacidade. A rápida superação de conhecimentos exige desse novo profissional de informação,que a aprendizagem seja entendida pelo grupo como um processo permanente.
 

FONTES
Cabe a esse profissional, o manejo adequado das fontes de informação, sejam elas de natureza formal ou informal. Para atingir o usuário, as estratégias de disseminação da informação precisam estar apoiadas nos canais de comunicação e nas fontes de informação.

Heloisa T. Cristovão em seu artigo sobre o fluxo de comunicação da ciência, organizou as fontes de informação segundo a tipologia de fontes primária, secundária e terciária, considerando as fontes a partir de sua estrutura e com base  nesse modelo, Massari10 desenvolve o modelo atual do fluxo de comunicação eletrônica.

Vale ressaltar que as fontes, cuja informação vem diretamente do autor, são as fontes primárias e podem ser formais e informais. As fontes secundárias, aquelas referenciadas por outros que não o próprio autor, entre elas, as bibliografias, os resumos, as bases de dados. As fontes terciárias, são as mais distantes do autor, a exemplo das bibliografias de bibliografias e os guias.

As fontes formais, são aquelas que tem uma forma, são representadas em suportes físico (papel, filme) em suporte eletrônico, disquete, CD ROM, são fontes estruturadas. Quanto as  fontes informais são as que não tem estrutura, a informação é transmitida oralmente (conferência, aula) e em suporte eletrônico, na Internet (chats, correio eletrônico, listas de discussão).

A Inteligência Competitiva reconhece a importância da comunicação informal, mais ágil e pontual.  Massari afirma que entre as fontes mais citadas, segundo dados do Futures  Group, em 1997, estão 88% publicações, 82% internet; 82% empregados de empresa e 92% fornecedores ou clientes. Henri Dou estabelece 40% - fontes formais; 40% de fontes de origem informal; 10% de especialistas e 10% de exposições e feiras, o que perfaz um total de 60% de fontes de natureza informal.

Nesse caso, a informação informal é considerada  de maior valor estratégico porque são atuais e mais relacionadas ao presente  e ao futuro, sendo a filtragem de informações, imediata, o que não acontece com a fonte de informação formal..Indaga-se até que ponto a memória da organização não está em jogo e fica estabelecido a necessidade de preservar a memória das organizações

Deste modo, vale ressaltar a importância da comunicação informal no crescimento de novos processos de disseminação da informação.

Entre os meios de acesso à fonte informal de informação, podem ser valorizados contatos telefônicos, contatos pessoais e eletrónicos, via Internet, por e-mail. Quanto aos sites, eles oferecem bases de dados estruturadas e são considerados de natureza formal.

Outras fontes são utilizadas no ambiente da empresa, as bases de dados de informação bruta, importantes porque a partir delas são produzidos os boletins de notícias distribuídos na empresa. Acrescente-se os perfis dos concorrentes, de mediana significação, os relatórios, onde já se agrega valor à informação e tem impacto estratégico. Entretanto, análise minuciosa da informação, seguida dos resumos mensais de inteligência, são fontes de grande  interesse da alta hierarquia da empresa.

Em suporte eletrônico, a Intranet é considerada instrumento preferencial para disseminar inteligência na organização pela possibilidade de estabelecer a comunicação instantânea, promovendo o compartilhamento da informação e uso da automação durante o processo, destacando-se o fluxo de dados, informação e inteligência.

Entre as fontes mencionadas devem estar disponíveis notícias, relatórios, estudos sobre concorrentes, clientes e tecnologias utilizadas, diretórios de especialistas, bases de dados e demais tipos de informações.

Percebe-se que a disseminação da informação nesse ambiente, difere do que se processa na forma tradicional. O usuário vai em busca da informação disponibilizada enquanto no sistema tradicional a informação é disseminada para o usuário.

A comunicação informal permite o acesso as informações de modo instantâneo e os contatos podem também ser impressos, preservando, dessa maneira, a informação. Graças as tecnologias de informação, tornou-se possível revolver as tarefas repetitivas e assegurar a confiabilidade e a velocidade pertinentes, dando maior ênfase às técnicas de controle e desenvolvimento de sistemas.

Vale lembrar que a Revolução Industrial libera o homem das atividades físicas e Revolução da Informação transfere para a máquina parte da atividade intelectual do ser humano. As mudanças são mais profundas, às vezes, radicais. O mundo moderno enfatiza o princípio da produção da informação em detrimento da ordenação do conhecimento. As novas tecnologias da informação proporcionam maiores possibilidades à disseminação da informação.

Mesmo não sendo um tema novo, a comunicação informal vem se tornando cada vez mais importante, pela sua flexibilidade e por ser controlada diretamente pelo usuário. Por este motivo mais dinâmica. Ela é um processo que permite a comunicação interpessoal de modo direto, através de telefones, reuniões, conferências.

Entre as modalidades mais conhecidas pode-se destacar a comunicação entre pesquisadores, esses grupos se amplia cada vez mais  com a utilização da Internet, e o tema ganha uma nova discussão. Convém salientar que é por volta dos anos 60, que Derek Solla Price utilizou a expressão novos Colégios Invisiveis,, inspirado em Robert Boyle, cientista  inglês que no século XVII utilizou o termo para denominar um grupo de pesquisadores de diversas instituições. Esse grupo se transformou  no Royal Society of London

A Inteligência Competitiva   admite as redes humanas e as eletrônicas. As redes humanas, formadas  por aqueles que decidem, gerentes, observadores e especialistas Os que decidem  utilizam a inteligência para atingir os seus objetivos, os  especialistas validam e  analisam a informação e os observadores são aqueles que coletam os dados identificados.

Neste sentido, os Colégios Invisíveis, as redes humanas exercem funções relevantes no que tange  à disseminação da informação e do conhecimento direcionada a grupos constituidos.

Portanto, as funções de mediação tem nessa sociedade um papel preponderante.. Vem à tona a necessária interação eficiente entre o  ser humano e os software, visando a organização dos espaços de informação. A convivência de softwares e hardwares e códigos contribuem para a montagem de infra-estruturas que se direcionam para o que parece ser o ponto nevrálgico : a filtragem, a seletividade da informação e consequentemente o uso da informação. O elemento humano representado pelo profissional da informação e pelo usuário são protagonistas dessa aventura  e se beneficiam  da revitalização de novas estratégias de disseminação.

Outro aspecto de extrema importância é o uso da informação que tem uma estreita relação com os processos de disseminação da informação e do conhecimento. Trata-se de  um processo complexo e pode ser afetado de diferentes maneiras. Assim sendo, características culturais podem afetar a absorção do conhecimento e da informação. Durante o processo,  é importante  ter visibilidade do que se quer comunicar, do conteúdo, dos meios de comunicação, mais ou menos eficazes,    em relação ao contexto e ao usuário. Tais aspectos, interagem entre si, promovendo a compreensão e o uso da informação em diferentes níveis qualitativos.

Fatores preponderantes e que influenciam as organizações do futuro podem ser relacionados: a velocidade das mudanças, o conhecimento mais abrangente sobre a concorrência,, tendências a terceirização de serviços, formação de redes de trabalhadores, o tele-trabalho, o compartilhamento nas funções de liiderança constituida na empresa, na organização.

A mediação nos sistemas de informação, voltados para a tomada de decisão, exigirá do profissionais de informação, niveis de educação cada vez mais exigentes , sugerindo a educação continuada como uma atividade permanente.
 

NOTAS
[1] Não há
 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CRISTOVÃO, Heloísa. Da comunicação informal à comunicação formal: identificação da fonte de pesquisa através de filtros de qualidade. Ciência da Informação. Rio de Janeiro, v. 8, n. 1, p. 3-36, 1979.

FARAGO, Ladislas. War of Wits: the anatomy of spionage and intelligence. 1954. Apud MASSARI, Gilda .

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da língua portuguesa. 2 ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1988.

GARCIA TORRES, D. Arturo. Conferência realizada no Seminário sobre Gestão do Conhecimento. Salvador, Fundação Luís Eduardo Magalhães, 24.04.2001

BARRETO, Aldo Albuquerque. A formação de recursos humanos para otimizar a indústria de produção do conhecimento no Brasil. Ci.da Inf., Brasília, v.19(2):113-119, jul-dez.,1990.

HIRST, Paul & TOMPSON,Grahame. Globalização em questão: a economia internacional e as possibilidades de governabilidade. Petrópois, Vozes,1998.

MASSARI, Gilda. Sistemas de inteligência Competitiva. 1959.

 PORTER, Michael E. Estratégia competitiva: técnicas para análise de indústrias e da concorrência. Rio de Janeiro, Campus, 1986.

SOUZA, Francisco das Chagas de. Biblioteconomia no Brasil: profissão e educação. Florianópolis, UFSC, Associação Catarinense de Bibliotecários, 1997.
 


Sobre a autora / About the Author:
Katia de Carvalho
Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação
Instituto de Ciência da Informação, UFBa.