A Sociedade da Informação na Europa:
trabalho e vida na era da globalização
The Information Society in Europe:
work and life in an age of globalization
editores: Ken Ducatel, Juliet Webster e Werner Herrmann
http://www.rowmanlittlefield.com/
Este livro discute de forma detalhada o conceito de sociedade da informação trazendo à tona uma variedade de aspectos quanto à sua possível contribuição social.
O livro procura mostrar porque os intelectuais europeus têm hoje a dianteira das discussões e do debate das dimensões sociais da revolução introduzida pelas tecnologias intensas de informação e comunicação. Os editores indicam que a idéia de uma sociedade de informação surgiu com Fritz Machlup em 1962, que fez uma tentativa de mapear a produção e a distribuição de conhecimento em setores da economia nos Estados Unidos.
Aqui não concordamos com os editores e com sua limitada visão do mundo da informação e da sua história .
Pensando na construção de uma sociedade da informação, recordamos Paul Otlet. Já em 1934, preocupado com o fato de que a informação deveria retornar a sociedade, escreveu o Traité de Documentation (Brussels, 1934). Seus trabalhos com Henri-Marie Lafontaine permitiram a classificação decimal universal (UDC). São tantos os conceitos teóricos derivados do grupo de Bruxelas que, hoje, se estudam como os precursores do sonho de uma escrita universal, que reuniria, com uma visão hipertextual, todos os documentos do mundo.
Esqueceram, os apressados editores, o nome de Vannevar Bush, que, como responsável pelo Comitê Nacional de Pesquisa depois Office for Scientific Reserach and Development nos EUA , agregou cerca de 6.000 cientistas americanos e europeus para direcioná-los para o esforço da guerra. Em 1945, Bush escreveu "As we may Think" no periódico Atlantic Monthly sobre o problema da informação em ciência e tecnologia e possíveis instrumentos para sua organização e controle. Sua grande preocupação ao propor um aparato de armazenamento e recuperação, o Memex, e uma nova teoria para organizar a informação como associação de conceitos do texto "como nós o pensamos" era o retorno da informação à sociedade. Theodore Nelson, do Projeto Xanadu, criador do Hipertexto, se inspirou nas idéias de Bush. Os estudos de Fritz Machlup são importantes, mas muito mais quantitativos do que conceituais.
Este é um livro interessante e importante, pois traz a visão
de vários autores sobre o tema, embora, em seu conjunto, privilegie
as condições de infraestrutura de acesso à informação.
Esquece que o acesso, por universal que se deseje, não produz a
disponibilidade fundamental da informação. Esta implica
a apropriação da informação pelos indivíduos
que habitam a sociedade, convivendo com toda convergência digital
que ela possa ter. Uma sociedade só se viabiliza como uma sociedade
de informação, quando a maior parte de seus componentes podem
articular o significado dos conteúdos de informação
em proveito próprio e da sua odisséia de cidadania.
Não se esgota, nunca, em um espectro fantasmagórico,
constructo de "backbones", computadores e tubos de raios catódicos.
Sumário
* Information Infrastructures or Societies?
Ken Ducatel, Juliet Webster, and Werner Herrmann
* Part I: Space, Economy, and the Global Information Society
* Regional Development in the Information Society
James Cornford, Andrew Gillespie, and Ranald
Richardson
* The Use of Information and Communication Technologies in Large Firms:
Impacts and Policy Issues
Mark Hepworth and John Ryan
* Small Firms in Europe's Developing Information Society
Mark Hepworth and John Ryan
* Part II: Work and the European Information Society
* New Organizational Forms in the Information Society
Gerhard Bosch, Juliet Webster, and Hans-Jurgen
Weissbach
* Today's Second Sex and Tomorrow's First? Women and Work in the
European Information Society
Juliet Webster
* Toward the Learning Labor Market
Ken Ducatel, Hanne Shapiro, Teresa Rees, and
Claudia Weinkopf
* Part III: Life in the Information Society
* Health and the Information Society
Jorma Rantanen and Suvi Lehtinen
* Information and Communication Technologies in Distance and
Lifelong Learning
Gill Kirkup and Ann Jones
* Information and Communication Technologies and Everyday Life:
Individual and Social Dimensions
Leslie Haddon and Roger Silverstone
* Computer-Aided Democracy: The Effects of Information and
Communication Technologies on Democracy
Pierre Chambat
Sobre os editores
Ken Ducatel é do Instituto de Estudos Tecnológicos
Prospectivos
(Institute for Prospective Technological Studies - IPTS),
Centro de Pesquisa Conjunta da Comissão Européia em Sevilha,
Espanha,
e da Universidade de Manchester, Reino Unido
Juliet Webster é pesquisadora no Trinity College, Dublin, Irlanda.
Werner Herrmann é chefe da Unidade para Educação
e Cultura da Comissão Européia,
Bruxelas, Bélgica, e professor visitante da Universidade do
Texas, EUA
at Austin.
Publicado por
Rowman & Littlefield Publishers, Inc.
$27.95 dolares
capa mole, ISBN 0-8476-9590-5, 336pp
$81.00 dolares
capa dura, ISBN 0-8476-9589-1,
336pp
recensão escrita por Aldo
de Albuquerque Barreto
O Desafio da Cientometria:
o desenvolvimento, medida e auto-organização das comunicações
científicas
The Challenge of Scientometrics:
the development, measurement and self-organization of scientific
communications
por Loet Leydesdorff
Segunda Edição, uPublish, USA 2001
ISBN 1-58112-681-6
http://www.upublish.com/books/leydesdoff-sci.htm
Pode ser adquirido no site acima o livro texto de 344 paginas, brochura
por US$ 25.00
Existe a opção de se baixar o texto no formato .pdf
por US$ 9.00
A segunda edição do estudo de Leydesdorff é o resultado de alguns anos de pesquisa e colaboração com especialistas em cientometria, filósofos, historiadores, e especialistas em sociologia da ciência . Mostra uma visão dos estudos de análise da estrutura do texto escrito e seu diagnóstico morfológico com a finalidade de, operando de maneira automatizada, extrair informações tanto para a análise da gestão estratégica da informação como para fornecer subsídios para a construção de instrumental de busca. Em sua intenção básica procura fornecer subsídios técnicos e teóricos para a construção de agentes inteligentes, indispensáveis no cenário atual da ciência da informação.
O livro substitui alguns conceitos, ditos leis, que foram elaborados em outra época, na qual a biobliometria se utilizava de uma configuração técnico-operacional determinada pelas possibilidades então existentes na tecnologia da informação. As mudanças na tecnologia da informação ocorridas durante os últimos anos reorganizaram todas as atividades associadas à ciência da informação. Devido à sua interação intensa com a tecnologia, a ciência da informação redefine o conteúdo e a prioridade de seus objetivos, práticas e metodologias continuamente.
As medidas de recuperação e precisão, por exemplo, da maneira como foram enunciadas no final da década de 60 para avaliar o armazenamento e a recuperação de conjuntos de documentos em diferentes linguagens de indexação, já não existem mais. Aquelas medidas, operacionalizadas em sistemas de tempo linear e unidirecionados, estabeleceram um importante marco de julgamento teórico, técnico e conceitual em sua época. Hoje não fazem qualquer sentido, envelheceram e foram redefinidas por outras medidas de rendimento operacional, junto com direcionamentos diversos, que a área teve que seguir. Aquelas medidas constituem uma importante parte da história da ciência da informação, e nada mais.
recensão escrita por Aldo
de Albuquerque Barreto