Resumo: O artigo pretende
apresentar uma proposta para articulação multidimensional
das classificações para informações relacionadas
aos negócios. O sistema de classificação resultante
tem características tridimensionais, contemplando, na primeira dimensão,
a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE)
para definir o contexto do negócio; na segunda dimensão,
os ambientes de negócio e na terceira, das fontes de informação
propriamente dita, constituindo-se numa alternativa para a construção
de sistemas e serviços de informação que atendam as
demandas dos profissionais da informação.
Palavras-chave:
Informação
para negócio; Fontes de informação; Sistema de classificação;
Classificação de informação.
Abstract: This paper discusses a proposal for a
multidimensional schema for classification of business information. The
resulting classification system has three-dimensional characteristics,
where the first one, representing the context of the business activity,
and is classified according to the National Standard Industrial Classification,
the second one, the business environment and the third one, the sources
of business information. This schema will bring out benefits in the development
of business information systems and services.
Keywords: Business information; Information sources;
Classification system; Information classification.
Introdução
As transformações recentes da economia internacional - liberalização dos fluxos do comércio e de capital, regimes de taxas de câmbio flutuantes, assim como a desregulamentação da economia, a adoção de políticas de austeridade fiscal e o abandono, pelos Estados Nacionais, das políticas de intervenção econômica - foram associadas ao termo globalização, que passou a identificar um mundo em constante mutação. A comunicação rápida dos fatos econômicos e políticos serviu para reforçar essa acepção do termo. No mundo dos negócios, isso significou uma ampliação potencial dos mercados, mas, também, um aumento do risco, com o ambiente de negócios se tornando ainda mais complexo. Para que as empresas e seus gerentes pudessem enfrentar os novos desafios, o uso de ferramentas adequadas, apoiadas sobre informações precisas sobre a realidade, foram alçados à categoria de insumo fundamental e, portanto, estratégico. Assim, torna-se relevante, tanto do ponto de vista empresarial quanto acadêmico, "estudar as formas e meios pelos quais gerentes e outros profissionais obtêm informações a respeito do ambiente externo de suas organizações" (BARBOSA, 2002).
Paralelamente a essas transformações, houve uma forte alteração no ambiente tecnológico internacional, percebida, em geral, pelas transformações ocorridas nas áreas de comunicação e informação, mas que, de fato, significou "uma mudança no paradigma das tecnologias intensivas em capital e energia e de produção inflexível e de massa (baseadas em energia e materiais baratos) para as tecnologias intensivas em informação, flexíveis e computadorizadas" (CASSIOLATO, 1999) As tecnologias de informação e comunicação (TIC’s) formam a base para o que se denominou, também de forma imprecisa, Sociedade da Informação. As TIC’s estão impondo uma "transformação na sociedade moderna em sociedade da informação, era da informação ou sociedade pós-industrial" (SERACEVIC, 1996)[1].
A combinação de maior necessidade de informação para os gestores de negócio com as facilidades de acesso proporcionadas pelas novas TIC’s, especialmente, pela Internet, obrigaram aos usuários a tentar criar critérios sobre a qualidade da informação utilizada. No entanto, devido às próprias facilidades de acesso o que se observou foi uma dificuldade crescente de se encontrar informações relevantes e úteis, nos prazos desejados. Os sistemas produtores de informação vêm se apoiando, cada vez mais, em tecnologias que permitam ao usuário melhorar seus mecanismos de pesquisa, mas persistem problemas cognitivos na organização da informação.
As informações para negócios são insumos da maior importância para a tomada de decisão nas empresas. No entanto, não existe um arranjo ou sistema harmonizado e unificado de classificações, que facilite a sua busca. Especialmente, porque as classificações mais aceitas e empregadas, normalmente de forma estanque e que só adotam uma dimensão, dificulta as necessárias articulações que propiciem o seu uso por gerentes e executivos. Descrevendo a evolução do Serviço de Informação para Negócios (Business Information Service) na década de 1980, o King (1991, p.153) lista uma série de elementos fundamentais na expansão dessa atividade, destacando os novos esquemas de classificação para os negócios, uma vez que até então, vinha sendo usada a classificação de ciência e tecnologia, ou seja, impunha-se uma estrutura de classificação não adequada, o que certamente dificultava a consulta por parte dos usuários.
O objetivo desse artigo é, com base na experiência dos autores como professores da disciplina e como pesquisadores de instituições estatísticas[2] , propor um esquema de classificação para as informações sobre negócio que facilitem a montagem de sistemas e serviços de informação para atender a demanda de informações para negócios.
O texto apresenta a seguinte estrutura: a primeira seção
ressalta a importância das informações para negócio,
e a precedência do monitoramento do ambiente externo aos empreendimentos
por intermédio de um arranjo de classificação que
permita reduzir incertezas. Destaca-se a literatura sobre o assunto no
Brasil, evidenciando-se a percepção dos pesquisadores sobre
os sistemas de informação para negócios e o acesso
dos usuários. Na seção seguinte, procura-se rastrear
a formação dos centros de cálculo envolvidos com a
coleta, a organização e a disseminação de informação,
retratando o desenvolvimento dos esquemas de classificação
que configuram – dão suporte e reforçam - a estruturação
de um campo de conhecimento, assim como a importância das classificações
econômicas como referência nas articulações de
fontes diversificadas de informação para negócios.
A seção três encerra a proposta de operacionalização
de um sistema multidimensional de classificações partindo
do método lógico, primordial aos esquemas classificatórios,
de descrever e dividir as duas outras dimensões incorporadas à
classificação das atividades econômicas. O artigo é
complementado pelas conclusões, onde é dada a visão
tridimensional do esquema proposto.
1. A importância das informações para negócio
As informações para negócios são aquelas usadas pelos administradores e gerentes para a tomada de decisões (CÉNDON, 2002), mas outros autores, na própria definição, destacam ainda mais a sua relevância para as empresas. Assim, Kennington (1991, p. 101), define informações para negócios (business information) como as informações necessárias para a sobrevivência da comunidade de negócios num mundo competitivo. Tal definição indica a associação entre informação e a inteligência competitiva.
O processo de inteligência competitiva (IC) é de extrema importância para as empresas num ambiente altamente dinâmico e concorrencial. A inteligência competitiva é o processo que investiga o ambiente onde a empresa está inserida, com o propósito de descobrir oportunidades e reduzir os riscos, bem como diagnostica o ambiente interno organizacional, visando o estabelecimento de estratégias de ação a curto, médio e longo prazo (VALENTIM, 2003). Com relação às mudanças no ambiente externo, o processo de inteligência competitiva, por meio da prospecção e monitoramento, por meios formais ou informais, obtém informações relevantes a um processo de crítica, tratamento e análise, tornando-se insumos para a criação de conhecimento e tomada de decisão nas empresas. Para isso, é vital que a empresa desenvolva uma estrutura e uma cultura organizacional que facilitem e valorizem esses processos.
O Monitoramento Ambiental possibilita o acompanhamento das informações de condições externas à empresa - informações tecnológicas, comerciais, sobre a concorrência e o mercado, tendências demográficas e econômicas, políticas governamentais sobre tributação, política comercial, política ambiental, com o objetivo de antecipar as tendências e eventos relevantes para o desenvolvimento dos negócios da empresa. Desdobra-se, portanto, em duas partes: a primeira, voltada para o ambiente interno, para levantar as necessidades de informação e a segunda, sobre o ambiente externo, para a identificar as fontes de informação relevantes, estabelecendo um mapa de fontes essenciais aos negócios da empresa.
A importância do ambiente para as organizações está intimamente ligada à Teoria Contingencial, desenvolvida no denominado período Neoclássico da Administração. Segundo essa teoria, as características das organizações eram decorrentes da configuração do seu ambiente externo. Assim, o seu conhecimento passou a ser vital para a compreensão dos mecanismos organizacionais[3].
A visão das organizações como sistemas abertos que processam informação do ambiente foi amplamente discutida nos trabalhos de Choo (2002) e, anteriormente, no trabalho fundamental de Daft e Weick (1984). Segundo eles, as empresas devem desenvolver mecanismos de processamento de informação capazes de detectar tendências, eventos, competidores, mercados, e desenvolvimentos tecnológicos relevante a sua sobrevivência.
O monitoramento das informações procura evitar que as surpresas do ambiente dinâmico atinjam a empresa e as soluções para novos problemas. No entanto, as informações podem causar, por excesso, confusão e incerteza. De acordo com Barbosa (1997), a incerteza é um dos conceitos centrais do processo de busca e uso da informação. A incerteza deve ser vista como a diferença entre a informação necessária e informação disponível para a tomada de decisão, enquanto a equivocação reflete uma condição de ambigüidade em relação à situação, ou seja, não há experiência prévia sobre os sinais que estão sendo captados no ambiente externo. Ainda segundo Barbosa (1997), a sobrecarga de informações e as dificuldades de sua interpretação levam, muitas vezes, uma situação, aparentemente, contraditória: mais pesquisas (e, portanto, mais informações) pretendendo o entendimento da estrutura e dinâmica do ambiente externo. Para melhor compreendê-lo, é natural que ele seja subdividido. Uma das possibilidades envolve seis subdivisões: cliente, concorrência, setores tecnológico, regulatório, econômico, sócio-cultural[4].Com relação às fontes, elas podem ser internas, contatos diretos com o setor de negócios, publicadas e outras. Com relação aos tipos de contatos, podem ser pessoais ou impessoais. Dentre os fatores que influenciam a escolha das fontes de informação sobre o ambiente externo, estão a disponibilidade, qualidade e facilidade de acesso.
No Brasil, o termo ‘informação para negócios’ apareceu recentemente na literatura, o que explicaria, também, a pouca literatura área de informação referente à indústria/empresa (CÉNDON, 2003; JANNUZZI e MONTALLI, 1999), considerada, ainda, de difícil localização. A falta de trabalhos publicados indicaria, também, a falta de conhecimento, por parte dos gerentes e administradores das fontes e serviços de informação. Essa dificuldade é diferenciada em função do tamanho da empresas. Jannuzzi e Montalli (1999) destacam que as informações produzidas no país não são utilizadas pela maior parte das micros, pequenas e médias empresas, enquanto as grandes, em função de sua estrutura não enfrentam as mesmas dificuldades. As autoras alertam, também, para a necessidade das informações estarem corretamente organizadas, destacando que não existe um consenso com relação à terminologia adotada na área. Destacando as denominações mais comumente utilizadas de ‘informações tecnológicas’ e ‘informações para negócio’, assinalam que "a compreensão conceitual dos termos informação tecnológica e informação para negócios depende diretamente do entendimento conceitual que se tem sobre tecnologia e negócios" (JANNUZZI e MONTALLI,1999).
Essas autoras estão, de fato, discutindo um campo específico, que envolveria: os sistemas de informação para negócios, representando a oferta de informações; os usuários de informação, conjunto composto por gerentes, administradores, empresários, assessores e analistas de negócios de uma maneira geral; os serviços de informação estruturados para atender à demanda dos usuários, e um conjunto de definições que comporiam a terminologia da área.
Assim, o campo ainda não teria uma definição clara,
havendo um entrelaçamento e superposição entre os
diversos termos utilizados para definir o campo: informação
tecnológica; informação tecnológica, informação
industrial e informações para negócios. A superposição
de termos e confusão com relação à hierarquia
entre eles aparece, principalmente, em relação ao, termos
informações para negócio e informações
tecnológicas. Em alguns casos,o termo ‘informação
tecnológica’ estaria num nível acima, ficando o termo ‘informação
para negócios" a ele subordinado. É o que se depreende das
definições usadas no artigo de Jannuzzi e Montalli (1999).
Segundo as autoras, conceito de informação tecnológica.
No sentido inverso, da ‘informação tecnológica’
está subordinada à ‘informação para negócio’,
este entendido como o termo mais geral, pode-se mencionar a definição
de Lílian Alvarez, que define o conceito como
No primeiro caso, parece haver a influência do amplo conceito
de inovação, conforme definido pelo economista tido como
o principal e definidor dessa área de estudos – o papel da inovação
no desenvolvimento econômico. Ao analisar a importância da
inovação para se compreender os ciclos econômicos,
ele explica que
Dessa forma, o conceito de inovação é amplo
o suficiente para abarcar toda os aspectos da atividade empresarial e ,
uma vez observa-se um uso indiscriminado dos termos ‘inovação’
e ‘inovação tecnológica’, haveria uma justificativa
para a se definir a hierarquia dos termos conforme a primeira abordagem.
Por outro lado, numa visão mais ampla de quais seriam as atividades envolvidas ao se empreender um negócio, as escolhas sobre as tecnologias resultariam apenas uma das escolhas permanentemente colocadas diante dos tomadores de decisão, que também teriam que analisar as informações financeiras, sobre o mercado, sobre o ambiente econômico e social. Essa visão justificaria a hierarquia da segunda abordagem.
Montalli (1996) diferencia os dois conceitos, mas não define a relação hierárquica entre elas, o que não encaminha para a adoção de uma terminologia unificada, embora a definição adotada por ela para informação tecnológica – "Informação utilizada nos processos de aquisição, inovação e transferência de tecnologia, nos procedimentos da metrologia, certificação de qualidade e normalização e nos processos de produção" - indique sua subordinação ao termo mais geral de informação para negócio.
Deve-se destacar que o termo ‘informação para a indústria’ deve ser visto como sinônimo de ‘informação para negócio’, havendo, provavelmente um problema com a nomenclatura em inglês, sua tradução e o envelhecimento e do uso de determinados termos e palavras em português. Anteriormente, o uso do termo ‘indústria’ servia para definir todos os negócios nas diversas áreas. Assim, falava-se em indústria no sentido amplo, no que hoje é representado pelos termos ‘setores de atividade’ ou atividade econômica’. O sentido original foi se alterando e hoje quando se menciona indústria associa-se o termo à indústria de transformação ou indústria manufatureira. Na literatura em língua inglesa, o termo ‘industry’ continua sendo utilizado com o sentido mencionado, podendo-se, por exemplo, encontra o termo ‘service industry’ que no Brasil seria traduzido por ‘atividades de serviços’.
Numa tentativa de definir os tipos de informações necessárias para atender a atividade produtiva, Montalli e Campello (1997) usam as descrições apresentadas em outros trabalhos, como por exemplo, Aguiar (1991, apud MONTALLI e CAMPELLO, 1997), que define as informações necessárias para a análise da dinâmica do mercado na categoria ‘informação para indústria’, sendo elas: 1) informações sobre oportunidades comerciais; 2) tendências de evolução quantitativa e qualitativa do mercado; 3) conjunturas econômicas passíveis de afetar o comportamento do mercado; preços de insumos, de matérias-primas e produtos concorrentes; 4) empresas concorrentes existentes em implantação, ou planos de expansão de outras empresas; 5) empresas existentes fornecedoras de insumos e de matérias-primas e fornecedores alternativos.
Montalli (1996) define a informação para negócios como aquela que subsidia o processo decisório do gerenciamento das empresas industriais, de prestação de serviços e comerciais, nos seguintes aspectos: companhias, produtos, finanças, estatísticas, legislação e mercado. Essa definição é aceita por Brandão (2004); Montalli e Campello (1997), assim como por Céndon (2002, 2003). Na análise sobre as bases de dados de informações para negócios Cendón (2002) considera que estas compõem um subconjunto das Informações Tecnológicas, que englobam ainda as informações mercadológicas (tais como exames de fatias de mercado, dos padrões de consumo e gastos de consumidores, dos estudos de seus comportamento e estilos de vida, em pesquisas de opinião, em informação sobre investimento em propaganda por diversos setores e medidas de audiência de canais de rádio e televisão); informações financeiras (tais como desempenho financeiro de empresas, mercado financeiro e outras informações para investimento, disponibilidade de assistência financeira, taxas de câmbio, custo de crédito etc.); informações estatísticas (tais como recenseamentos, índices econômicos ou a elaboração de estatísticas sobre indústrias); informações sobre empresas e produtos[5] (tais como histórico de uma empresa, diretórios com perfis de empresas e informações sobre fusões e aquisições); informações jurídicas (tais como leis e regulamentação de impostos e taxações) e outras informações factuais e analíticas sobre tendências nos cenários político-social, econômico e financeiro, nos quais operam organizações empresariais.
Buscando uma estrutura que respeite o comportamento e as necessidades
dos usuários, Kennington (1991) propõe a seguinte categorização
para as informações:
Dessa forma, o que foi assinalado por Jannuzzi e Montalli (1999)
continua sendo verdadeiro, mesmo levando-se em conta que há uma
mudança na direção do uso do termo ‘informação
para negócio’ como o preferido para definir, sinteticamente, o campo.
Ainda assim, mesmo se consolidando a terminologia, seu conteúdo
é insuficiente para organizar os elementos e atores envolvidos.
Analisando-se cada um dos aspectos mencionados anteriormente, isto é, o ambiente de negócios e a monitoração ambiental e as fontes de informação para negócios, observa-se que cada uma delas, tomada isoladamente, é insuficiente para que os responsáveis pela busca de informações tenham bons indícios do que e onde procurar. Mesmo porque, as partições propostas não obedecem aos princípios ordenadores para propiciar um arranjo de classificação ou de articulação de diferentes arranjos classificatórios, havendo superposição flagrante das categorias mencionadas. Ou seja, elas não foram construídas com o objetivo de oferecer uma estrutura de classificação para as fontes de informação.
Uma solução inicial seria a definição clara de cada um dos componentes acima mencionados: do ambiente de negócios e das fontes de informação. Ainda assim, restariam como classificações unidimensionais. Logo, o passo seguinte seria a articulação das duas estruturas, chegando-se a uma classificação bidimensional. No entanto, faltava uma dimensão que poderia ser definida como a do contexto: de qual negócio está se tratando? Para tanto, deveria haver uma classificação sobre negócios, que cruzado com as demais, permitiria que os responsáveis pelos serviços de informação nas empresas ou em outras instituições tivessem uma estrutura visível que servisse de guia para as suas buscas.
A próxima seção trata da importância das
classificações para a definição de um campo
de conhecimento e, discute as classificações econômicas
e sua relevância para a estruturação das informações
sobre negócios.
2. O papel das classificações na estruturação de um campo de conhecimento e importância das classificações econômicas
Os esquemas de classificação fazem parte dos mais relevantes instrumentos utilizados para representar o conhecimento de uma área do saber[6], além da capacidade intrínseca de constituírem-se em linguagens de indexação e recuperação de informações.
As classificações dos conhecimentos humanos sobre bases filosóficas geraram as primeiras classificações bibliográficas. Barbosa (1969) atribui a Platão os primeiros grupamentos das ciências humanas sobre tais bases e, permanecendo no campo das classificações filosóficas, Piedade (1977) indica que Aristóteles estabeleceu os princípios que governam os esquemas classificatórios e alerta para a complexidade das operações para descrever e situar os conhecimentos das coisas que cercam os humanos, visto que os conhecimentos são compostos de vários aspectos.
Segundo Batista (2004), a teoria da classificação "tomou por empréstimo à Lógica as técnicas para a construção das estruturas classificatórias, subdividindo classes em subclasses através da aplicação das características de divisão". Tais princípios foram resgatados na Filosofia Clássica, especialmente em Aristóteles e Porfírio. É oportuno ressaltar que a lógica aristotélica é orientada pela ordenação e classificação do concreto, manifestando a tendência de descrever e dividir como um caminho para examinar o mundo experimental nos seus variados aspectos (BRANDÃO, 2005). Ainda de acordo com o autor, tal método de divisão contínuo de um assunto para seu posterior entendimento denomina-se método analítico-sintético, por dividir um problema em tantas partes quantas forem possíveis (análise), posteriormente agrupando-se ou desagrupando-se os elementos dessa divisão de acordo com suas semelhanças ou diferenças (síntese).
Ainda que seja usualmente considerada como um ramo da filosofia, por tratar dos procedimentos corretos de raciocínio, a lógica é aplicável a todas as disciplinas que procuram chegar a conclusões por intermédio do exame de evidências. Assim, como aponta Fernandez (1976), as primeiras classificações científicas das plantas e dos animais foram feitas pelos gregos, na época clássica. Práticas e impregnadas de coerência atenderam às necessidades da humanidade culta ocidental: "a classificação de Aristóteles, proposta no século IV a.C. foi utilizada por cerca de dois mil anos".
Os registros dos sinais históricos da acumulação, ordenamento e controle de informações remontam à Alexandria, cuja arquitetura concebida privilegiava a biblioteca e o museu como duas das mais importantes instituições que serviriam aos negócios do Estado, que lhes provia o funcionamento, definiria a missão e controlaria o acesso. Estas instituições viriam a representar, de fato, uma vontade simbólica de poder. Os vestígios históricos indicam a instituição como um catalisador de conhecimentos, onde os raros leitores desta biblioteca – a maior coleção de livros do mundo antigo – exprimem a exigência de novas formas de visibilidade e domínio do saber. Esta interpretação é reforçada por Latour (2000): "[...] parece que a Biblioteca de Alexandria teria servido de centro de cálculo para uma vasta rede da qual era fonte abastecedora". O que exigiu um projeto intelectual de ordenação, da criação de uma "sintaxe" que deve acompanhar a pura acumulação de livros, inspirados em esquemas de classificação aristotélicos.
O termo classificar foi cunhado por Zedler, em 1733, a partir da combinação das palavras latinas classis e facere, passando a ser empregado para a ordenação das ciências no fim do século XVII (DAHLBERG apud PIEDADE, 1977). No entanto, sabemos que, embora usando tecnologia mais simples, os problemas enfrentados no passado eram tão intrincados como são os atuais. Afinal, naquela época foram reforçadas as bases para a compreensão e organização do tratamento das questões centrais do estudo das classificações. Resultando nos variados usos de cada esquema de classificação, que em si mesmo, constitui um modelo onde os eventos de um determinado fenômeno se ordenam segundo uma definição ou critérios.
Em conseqüência, este modelo se transforma em linguagem científica de referência - ou linguagem documentária, de uma forma geral – que permite a comparação e a análise do fato observado. Segundo Otlet, a documentação é um processo que permite reunir, classificar e difundir "... todos os documentos de toda espécie, relativos a todos os setores da atividade humana" (OTLET apud SHERA, 1980). Embora Barbosa (1972) indique que, com o surgimento dos centros de documentação, serviços de bibliografia e bancos de dados, principalmente, desenvolvidos por empresas, indústrias e órgãos do governo focalizados em seus campos de trabalho, foi-se acentuando o uso de sistemas próprios para classificar documentos muito especializados, "... contribuindo para uma exagerada multiplicidade de especializações, originando uma variedade de novos documentos, informando sobre novas técnicas, teorias, pesquisas, invenções, etc.".
No campo socioeconômico, a disposição metódica das informações estatísticas representa um marco estrutural para que os resultados das pesquisas nesta área alcancem seus objetivos, já que a teoria macroeconômica convencional depende de estilizações do funcionamento do Sistema Econômico para a regulação de informações. Assim, requerem uma classificação sistemática para o atendimento de seus propósitos diante da massa de informações produzidas, ancoradas pela teoria econômica por trás do caudal de informações coletadas, organizadas e disseminadas.
O planejamento econômico ganha projeção para os governos sob o impacto do choque da depressão dos anos 30. As sociedades capitalistas e os responsáveis pela condução de política econômica depararam-se com a necessidade de dispor de dados que fornecessem uma visão de conjunto. Assim, o primeiro Sistema de Contas Nacionais, objeto de um documento da Liga das Nações em 1945, desenvolvida pelo Prêmio Nobel de Economia Professor Richard Stone[7] fornece a estrutura conceitual representada pela teoria de política econômica. Por sua vez, a versão original da Classificação Industrial Internacional Uniforme de todas as atividades econômicas – CIIU [8] foi confirmada em 1948.(ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS – ONU, 1949), com a evidente intenção de que para classificar dados segundo o tipo de atividade econômica nas áreas de emprego, da população, da produção, da renda nacional e de outras estatísticas econômicas, um número cada vez maior de países organizasse suas séries estatísticas empregando a CIIU.
No plano internacional, um grande número de organismos tem usado a CIIU em suas publicações e análises de dados estatísticos, como vários órgãos das Nações Unidas, entre eles a Organização para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) e outros.
No Brasil, a Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE – (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE, 2002(a)) é a classificação oficialmente adotada pelo Sistema Estatístico Nacional e pelos cadastros e registros da Administração Pública, em decorrência das ações no sentido de ampliar a padronização das classificações e tabelas usadas pelos aparatos de informação do Estado, a partir dos anos noventa. Desde sua publicação no Diário Oficial da União, em dezembro de 1994, vem ampliando seu uso como referência na produção de informações socioeconômicas.
A construção da publicação original visou, simultaneamente, refletir a estrutura produtiva do país e guardar a comparabilidade, de forma a mais estreita possível, com a Revisão 3 da CIIU – a última versão, à época, desenvolvida e editada pela Divisão de Estatísticas das Nações Unidas (ONU, 1990). Com isso, procurou-se a determinação de uma classificação-padrão de atividades econômicas para uso generalizado pelos produtores de informações econômicas no País, abrangendo tanto o sistema estatístico como os cadastros da Administração Pública, favorecendo a articulação de informações provenientes de diversas áreas. Estruturada em quatro níveis hierárquicos, a CNAE apresenta uma estreita relação estrutural com a CIIU, já que os seus dois primeiros níveis, seções – identificadas por uma letra – e divisões – definidas por códigos numéricos de dois dígitos –, adotam as mesmas notações da classificação internacional, facilitando as comparações com informações internacionais.
Como dispositivos de arranjo e sistematização de informações, captando e organizando informações sobre as ações produtivas, as classificações econômicas acabam disseminadas como linguagens de recuperação, o que exige um trabalho de várias equipes, além de um minucioso conhecimento da área a ser coberta. Sendo possível reconhecer o importante papel das atividades dos centros de produção de estatísticas econômicas na elaboração de informações, na medida em que os dados colecionados e organizados representam idéias que possibilitam configurar o desempenho produtivo da sociedade. Destacando que tais informações afetam diretamente o modo e a qualidade de vida dos cidadãos, os rumos e as estratégias empresariais, as ações e as políticas governamentais e suas implicações para os mercados internos e externos.
Naturalmente, são empregados diferentes tipos de sistemas especializados para cobrirem as demandas de informações empresariais organizadas. Pois, de fato, constata-se que existem várias maneiras em que podem ser classificados os mesmos objetos e idéias, e a escolha da classificação visa a satisfazer às necessidades do usuário, o que dá origem às classificações utilitárias e práticas, como aponta Fernandez (1976). Afinal, uma característica particular da informação é que ela pode ser utilizada em contextos diversos daquele de sua geração.
Assim, a indicação de relações associativas
constitui-se, geralmente, em obstáculo para enquadrar os conhecimentos
ordenados em vários conjuntos fixos e cerrados, não concebidos
com a idéia de possibilidade de comunicação. Em função
das bases hierárquicas de estruturação de linguagens
de indexação, Batista (2004) indica que as dificuldades ou
as impossibilidades de associações ocorrem devido à
corrente do pensamento classificatório que procura enquadrar o conhecimento
produzido em classes estanques, representando áreas do conhecimento
igualmente estanques. Não obstante, existem trabalhos que mostram
que não há uma incompatibilidade insanável[9],
apesar dos desencontros semânticos, léxicos e estruturais
entre dois ou mais instrumentos de classificação.
3. As definições das duas dimensões adicionais: o ambiente de negócios e as fontes de informação
Esta proposta de articulação de classificações segue o método lógico para cada um dos novos esquemas de classificação envolvidos, por intermédio da definição e divisão. A estrutura de cada um dos novos arranjos é dada pelas categorias[10] – obtidas por divisão - que compõem as duas dimensões incorporadas à classificação nacional de atividades econômicas - CNAE, compreendendo: um arranjo de classificação para os ambientes de negócios e outro para as fontes de informação para negócios.
3.1 Classificação dos ambientes de negócios
Ambiente do mercado ou da concorrência – o que está
a jusante do negócio
A definição de mercado não é trivial, pelo
menos na teoria econômica. Para muitos, o mercado designa um grupo
de compradores e de vendedores em contato próximo, sendo o primeiro
grupo ofertante de bens e serviços e o segundo, composto por indivíduos
interessados em adquirir esses bens. No entanto essa discrição
é bastante simplificada e não dá conta da sofisticação
e complexidade das transações envolvidas nas transações
desse tipo[11]. No entanto, para efeito dessa proposta
de classificação, o mercado será definido como a relação
entre compradores e vendedores dos mesmos bens ou de bens substitutos,
em uma determinada sociedade. Envolve, portanto as empresas produtoras
e seus canais de comercialização e distribuição
e empresas produtoras de bens substitutos. Essas características
dos bens serem competidores e substitutos entre si dependem tanto de suas
características físicas quanto das preferências dos
consumidores[12]. Uma vez que a maior parte dos produtos
são substitutos imperfeitos, as ações de marketing
das empresas atuam sobre a percepção dos consumidores, no
sentido de tornar menos plausível a substituição.
O marketing atua para segmentar os mercados.
Ambiente dos fornecedores de bens e serviços na forma de matérias
primas e insumos - o que está à montante do negócio
São aqui clarificados todos os fornecedores de bens e serviços
que integram o processo produtivo do negócio em estudo. Os bens
e serviços podem ser classificados como fundamentais se são
integrantes obrigatórios da cadeia produtiva, e suplementares nos
demais casos. São portanto os bens de uso corrente na produção
e excluem os bens de investimento ou bens de capital.
Ambiente tecnológico
Esse ambiente envolve as atividades científicas e tecnológicas
e correspondem ao esforço sistemático, diretamente relacionado
com a geração, avanço, disseminação
e aplicação do conhecimento científico e técnico
em todos os campos da Ciência e da Tecnologia. A pesquisa e desenvolvimento
experimental compreendem o trabalho criativo, realizado em bases sistemáticas,
com a finalidade de ampliar o estoque de conhecimento, inclusive o conhecimento
do homem, da cultura e da sociedade, assim como o uso desse estoque de
conhecimento na busca de novas aplicações. Compreende três
atividades (OCDE, Manual Frascati, 1993, p.29): a pesquisa básica,
a pesquisa aplicada e o desenvolvimento experimental (dirigidos para a
produção de novos materiais, produtos ou equipamentos, para
a instalação de novos processos, sistemas ou serviços,
ou para melhorar substancialmente aqueles já produzidos ou instalados).
Os investimentos, com a introdução de novas máquinas e equipamentos no processo produtivo, são considerados atividades inovativas[13]. Fazem parte desse ambiente as instituições de pesquisa e desenvolvimento, os laboratórios de metrologia e certificação e os fornecedores de máquinas e equipamentos.
Ambiente dos recursos humanos
Esse ambiente engloba todas as atividades relacionadas com a captação
e treinamento da mão-de-obra necessária ao funcionamento
do negócio. O mercado de trabalho possui características
institucionais únicas em razão dos instrumentos legais, sobretudo
éticas que dão proteção a essa mercadoria especial
que é a força de trabalho. Do ponto de vista do negócio,
existe um mercado de trabalho em torno da empresa, assim como organizações
que fornecem serviços de treinamento da mão-de-obra, além
das instituições regulares de ensino. No entanto, a concorrência
entre as empresas por mão-de-obra especializada vai além
da concorrência descrita anteriormente no mercado de bens e serviços
sendo, na verdade, muito mais ampla. Os sindicatos dos trabalhadores e
as instituições que intermedeiam a recolocação
dos indivíduos e realizam pesquisas salariais fazem parte desse
ambiente.
Ambiente da infra-estrutura e logística
Esse ambiente se relaciona com condições que afetam a
competitividade dos negócios, direta ou indiretamente. Embora alguns
dos serviços prestados por empresas de transporte ou telefonia possam
ser tratados no ambiente referente aos fornecedores de bens e serviços,
a avaliação sobre a infra-estrutura básica – energia,
comunicações, transporte e armazenamento – vai muito além
das relações de curto prazo embutidas nas transações
comerciais correntes.
Ambiente econômico
Por suas características o ambiente econômico é
um dos mais importantes para o sucesso dos negócios. Ele engloba
toda a política macroeconômica, as regras tributárias
e da concorrência, as condições gerais de negócios
com o exterior. As medidas de política econômica, mesmo quando
localizadas ou específicas a um determinado setor, terminam por
afetar as condições de negócio. As Políticas
Industriais, Tecnológicas e de Comércio Exterior (PITCE)
e as políticas de acesso ao financiamento são elementos importantes
nesse ambiente. Outras vertentes da política industrial, como a
política regional de desenvolvimento, a política de incentivo
à pesquisa e desenvolvimento estão aqui consideradas. As
principais instituições que atual nesse ambiente são
públicas, como os ministérios e agências.
Ambiente sócio-demográfico
Esse ambiente engloba as principais características sociais
e demográficas da sociedade na qual o negócio está
instalado. São informações sobre educação,
saúde, organização social e política, distribuição
da população (regional, por faixa etária, etc.) que
afetam a realização dos negócios de uma forma mais
indireta, porém mais permanente. Alguns aspectos culturais podem
ser associados a esse ambiente, embora seja muito difícil mensurar
determinados comportamentos. Com essas características, encontram-se
os acompanhamentos feitos por instituições internacionais
sobre o ambiente de negócios e das atitudes com relação
à corrupção[14].
3.2 Classificação das fontes de informação para negócios
Informações Estatísticas
A palavra estatística vem do alemão statistik e,
originalmente, referia-se à ciência do Estado, ou seja, a
descrição das coisas relevantes ao Estado e à tomada
de decisão de seus governantes, tais como a sua população
e o seu território (SENRA, 1999)[15]. No presente
caso, na qual se deseja definir as fontes de informação para
negócio, as informações estatísticas serão
definidas como aquelas obtidas a partir de pesquisas situadas dentro de
um campo teórico, utilizando técnicas estatísticas
reconhecidas na comunidade científica, seguindo as normas, metodologias
e classificações internacionais. Em função
dessas características, estão normalmente associadas ao sistema
de produção de estatísticas oficiais ou o que se denomina
comumente, de Sistema Estatístico Nacional[16].
Informações Financeiras
As informações financeiras se relacionam, principalmente,
com as atribuições do Banco Central do Brasil (BACEN). Essa
instituição é responsável pela política
monetária e cambial, ou seja, pela estabilidade da moeda, controle
do crédito e dos fluxos de capital estrangeiro e pela estabilidade
do sistema financeiro. Portanto, é a instituição que
ordena o Sistema Financeiro Nacional. No entanto, há outras instituições
que também estão classificados nesse ambiente, com funções
normativas na área de investimentos financeiros[17].
Informações históricas e biográficas
Nesse caso, não há uma instituição que
responda pela normalização e fiscalização de
atividades que produzam essas informações. Elas podem ser
agrupadas em: a) História da comunidade, região ou município
onde o negócio se realiza; b) História da empresa; c) Biografia
dos empresários, executivos e dirigentes.Há uma relação
entre a história de uma região e de suas empresas, conforme
os estudos sobre clusters e arranjos produtivos locais[18].
Informações sobre produtos e serviços
Embora a descrição remeta para as informações
estatísticas, as informações aqui classificadas se
caracterizam por não estarem relacionadas, na maior parte das vezes,
com as classificações oficiais. As informações
produzidas pelas entidades patronais, como por exemplo, os sindicatos e
as federações de indústria, são muitas vezes
cercadas de cuidados estatísticos e poderiam ser classificadas no
primeiro grupo. No entanto, muitas vezes, a definição dos
sindicatos e se relaciona com um conjunto de setores de atividades que
não tem correspondência com a classificação
oficial e não podem, por exemplo, serem comparadas com resultados
de outros países[19].
Informações regulatórias
São informações que, em última análise,
criam obrigações e restrições relacionadas
ao funcionamento do negócio. Envolvem a legislação
das três esferas de governo, como por exemplo, a legislação
tributária e ambiental, a legislação trabalhista,
os códigos de postura, dentre outras. Toda a legislação
referente às normas de concorrência, às normas técnicas
e metrológicas estão aqui classificadas. Quando a empresa
pretende atingir os mercados externos, fica sujeita à legislação
è as normas de outros países.
A principal característica dessas informações é que o seu não cumprimento leva o infrator a ser punido, ou seja, embora não haja um ou poucas instituições que produzam as informações mencionadas, todos os órgãos envolvidos têm capacidade e poder de fiscalização e punição.
Informações bibliográficas
São informações sobre a literatura produzida sobre
os diversos aspectos que envolvem a produção econômica,
ou seja, um empreendimento ou negócio. Ela pode ser de texto completo
ou de referência, ou ainda, científica ou não científica.
Trata-se de informações de apoio à pesquisa científica
e à condução dos negócios.
Informações de outro tipo, não classificadas
anteriormente
São informações eventuais ou obtidas de fontes
secundárias que, normalmente, não permitem sua recuperação
posterior (televisão ou rádio), ou que terminam por remeter
a uma das classificações anteriores.
Conclusão
A combinação das três dimensões mostradas acima permitiria a construção de um sistema de classificação com 3 dimensões, constituindo-se na figura geométrica correspondente ao vértice de um cubo (FIG. 1). As dimensões podem variar nos níveis mais desagregados de cada classificação, em uma infinidade de combinações.
FIGURA 1 – Estrutura tri-dimensional de classificação das fontes de informação.
Para facilitar a visualização, utiliza-se um exemplo, no QUADRO 1. O título da atividade – ‘Fabricação de calçados de couro (código 19.31-3)’ - corresponde à classificação econômica (CNAE), sendo as duas dimensões adicionais dispostas nas linhas e colunas. Deve-se destacar que se fosse ser montado o mesmo exemplo para a classificação de atividades ‘Fabricação de calçados de plástico (código 19.33-0)’, provavelmente haveria muita superposição de informações,mas haveria diferenças significativas à montante da cadeia produtiva, pois os insumos são produtos de diferentes indústrias. Da mesma forma, haveria alterações nos fornecedores de máquinas e equipamentos, nas normas técnicas que regem a produção e na formação da mão-de-obra. Os produtos das duas atividades seriam concorrentes e a evolução da conjuntura econômica afetaria, de forma distinta, as duas atividades, que apresentam uma diferente estrutura de preços e de demanda. Portanto, a classificação proposta atenderia esses aspectos, fornecendo uma estrutura adequada para as informações, contribuição de elevado valor para os analistas interessados na área.
QUADRO 1 - Exemplo de aplicação
do esquema proposto (não é obrigatório o preenchimento
de todos os campos)
|
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| Ambiente |
|
||||||
| Estatísticas | Financeiras | Históricas e
Biográficas |
Sobre produtos e serviços | Regulatórias | Bibliográficas | Outras | |
| Mercado ou da concorrência | Consumo de calçados por faixa de renda- IBGE | Volume de crédito ao consumidor (operações de crédito- pessoa física) BACEN | História das regiões produtoras. Ex.: Pólo de calçados de Nova Serrana | Perfil dos países importadores- ABI- CALÇADOS | Normas sobre o conforto- CTCCA; ABNT | Literatura técnica- ABI- CALÇADOS | Revistas sobre tendências da moda |
| Fornecedores de bens e serviços | Produção de couro na agropecuária- IBGE | Taxa de juros para o financiamento do capital de giro- BACEN; IPEAD | História das regiões produtoras. Ex.: Pólo de calçados de Nova Serrana | Componentes para calçados- ASSINTECAL | Normas sobre os insumos- CTCCA; ABNT | Literatura técnica- ABI- CALÇADOS | Revistas sobre tendências da moda (uso de novos materiais) |
| Tecnológico | Importação de máquinas para a indústria de calçados- MDIC | Taxa de juros para investimento- BNDES; Financiamento de pesquisa aplicada- FINEP | Evolução e tecnologia de fabricação de calçados- CTCCA | Fornecedores de máquinas- ABRAMEC | Normas técnicas- CTCCA; ABNT | Literatura técnica- CTCCA; ABNT |
|
| Recursos humanos | Emprego formal no setor- MTE |
|
|
Treinamento específico de mão-de-obra- CTCCA | Normas de segurança e saúde no trabalho- MTE | Literatura técnica- CTCCA* ; ABNT | Cursos especializados (Ex.: Design) |
| Ambiente da infra-estrutura e logística | Exportações de calçados por porto- MDIC | Agências bancárias nas principais regiões produtoras de calçados- IBGE |
|
Laboratório de ensaios- CTCCA | Rede metrológica do INMETRO | Bibliotecas especializadas- CTCCA | Feiras Comerciais Couromodas |
| Econômico | Crescimento da demanda agregada- IBGE | Taxa básica de juros- BACEN | Evolução do setor no Brasil- IEL; CNI | Exportações brasileiras de calçados- ABI- CALÇADOS | Normas sobre o fechamento de câmbio nos contratos e exportação- BACEN | Análises setoriais- BNDES; IPEA |
|
| Sócio- demográfico | Crescimento da população jovem- IBGE | Operação de crédito com cursos livres, inadimplência, pessoa física- BACEN |
|
Postura da população diante do consumo de marcas falsificadas- IBOPE | Legislação sobre a aquisição de produtos piratas- MJ | Análises sobre os padrões de consumo da população- IPEA |
|
Endereços das fontes:
IBGE – http://www.ibge.gov.br;
IPEA – http://www.ipea.gov.br;
BACEN – http://www.bacen.gov.br;
BNDES – http://www.bndes.gov.br;
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior (MDIC) - O Sistema de Análise das Informações
de Comércio Exterior (ALICE) http://aliceweb.desenvolvimento.gov.br;
Ministério do Trabalho e Emprego - Relação Anual
de Informações Sociais – RAIS http://www.mte.gov.br
;
Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis
de Minas Gerais – IPEAD https://www.ipead.face.ufmg.br;
Associação Brasileira das Indústrias de Calçados
ABICALÇADOS- http://ww.abicalcados.com.br;
Associação Brasileira das Indústrias de Componentes
para Couro, Calçados e Afins ASSINTECAL - http://ww.assintecal.org.br;
Centro Tecnológico do Couro, Calçados e Afins – CTCCA
http://ctcca.locaweb.com.br;
Ministério da Justiça – MJ; IBOPE Opinião, Opinião
Pública, Consumo, Grupo IBOPE - Pesquisa sobre consumo de produtos
piratas publicada em 13/06/2005 http://www.ibope.com.br;
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas
http://www.abnt.org.br;
Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade
Industrial - INMETRO - http://www.inmetro.gov.br;
Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP - http://www.finep.gov.br;
Instituto Euvaldo Lodi - IEL/CNI - http://www.iel.cni.org.br/;
Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas
e Equipamentos para os Setores do Couro, Calçados e Afins ABRAMEQ
- http://www.abrameq.com.br;
Couromodas - http://www.couromoda.com;
Pólo de Calçados de Nova Serrana - http://www.novaserrana.mg.gov.br/cid_historia.php.
Esse trabalho inicial responde às preocupações dos autores como professores e pesquisadores na área. A preocupação com a terminologia já havia sido apontada por outros autores como, por exemplo, Jannuzzi e Montalli (1999). No entanto, a proposta aqui apresentada pretende ir além dessa questão, uma vez que, mesmo resolvendo-se a definição sintética do campo através de um termo que unifique a literatura e a pesquisa na área, não se aborda a questão da insuficiência da classificação unidimensional na estruturação de uma classificação para o campo. A proposta de uma classificação tridimensional significa um avanço na organização dos serviços de informação.
Ainda assim trata-se de uma proposta preliminar, a ser criticada e ampliada, especialmente no tocante a incorporação de outros atributos da informação à discussão.Esse processo poderá ou não levar à incorporação outras dimensões. Considera-se, desde já, relevantes as discussões em torno dos aspectos: informações públicas (no sentido de serem acessadas por qualquer interessado, ainda que mediante pagamento) X informações de uso restrito; informações gratuitas X informações pagas; informações de curto prazo (conjuntura) X informações estruturais, dentre outras.
Conhecer a demanda das informações para negócio por parte dos gerentes e executivos é uma parcela relevante da montagem de um sistema de informações que atendam as preocupações de um sistema produtivo moderno. Analisando o comportamento dos gerentes com base em estudos sobre o comportamento seu comportamento informacional, Kennington (1991) cita um estudo (TAULOR, R.S., VALUE-ADDED BUSINESS ENVIRONMENT, MACMILLAN, 1987) que mostra que os principais usuários de informações não são os executivos encarregados dos processos de decisão nem os empresários, mas aqueles na posição de assessoria e aconselhamento. De acordo com ele, se isso for verdade, a estratégia para a prestação de serviços de informação deveria ser alterada. A compreensão sobre o mercado desse tipo de informação não é muito profunda uma vez que se pensa nos usuários dos serviços existentes de forma geral e não como um grupo com interesses particulares bem definidos (p.103). Outra questão relevante levantada por ele é a necessidade de se entender a ligação entre o acesso e a disponibilidade de informações no tempo certo e o sucesso dos negócios. Essa ligação é aceita como verdadeira, mas isso não está provado em várias áreas (p.103).
Por outro lado, há estudos que mostram que os executivos (CEO’s) buscam informações externas com mais frequência que as informações internas e que não delegam a atividade de obtenção de informações estratégicas aos seus subordinados. Esse comportamento está associado à determinadas atividades econômicas envolvidas em ambientes dinâmicos. Nesse caso, há um uso freqüente de fontes pessoais. Dessa forma os seus ‘sistema de informação’ são muito pessoais e muitas vezes, desconectado dos sistemas de informação da empresa. Os executivos usam um número bastante limitado de fontes. Essas características dificultam a criação de um sistema de informação para os executivos, especialmente em ambientes mais complexos, no qual as necessidades de informação dos executivos também mudam rapidamente (EL SAWY, 1985) A integração dos sistemas pessoais de informação (dos executivos) com os sistemas institucionais (de uso geral) passa pela definição de classificações comuns, que permitam alguma socialização das informações. Outros estudos mostram que a atividade de monitoração ambiental depende do tipo de ambiente e da posição do gerente em relação à hierarquia da empresa, isto é, se está no nível operacional ou estratégico, havendo várias possibilidades de posições intermediárias. (CHOO, 2002; CHOO, AUSTTER, 1993).
Os problemas apontados mostram que há um longo caminho para se organizar as informações para negócios, desde a definição dos usuários até o impacto das informações sobre o desempenho dos negócios. Uma parte relevante do trabalho está na organização desse campo e não se deve perder de vista, entretanto, a contribuição da Ciência da Informação na sua ordenação.
[1] As ações sobre as informações – produção,
processamento e disseminação – foram mais do que modificadas,
foram ampliadas exponencialmente.
[2] Antonio Braz de O. e Silva é do IBGE e professor da disciplina
‘Pesquisa de Informação’ no curso de Especialização
em Gestão Estratégica em Informação, no Núcleo
de Informação Tecnológica e Gerencial - Niteg da Escola
de Ciência da Informação da UFMG, desde 2004. Marcus
José de O. Campos é do IBGE, especialista em classificações
econômicas e Wladmir Brandão foi professor da disciplina durante
o estágio docente na ECI/UFMG e é autor de um artigo na área
(BRANDÂO, 2004).
[3] O ambiente foi dividido em ambiente de tarefa e geral, sendo que
este englobava os aspectos tecnológicos (que afetam a competitividade
da empresa), legais (normas e leis que regulam a competição
e o funcionamento das empresas, os aspectos tributários, etc.),
as condições políticas (clima político, principais
questões discutidas pelo poderes executivo e legislativo), econômicas
(crescimento, desemprego, inflação, taxa de juros, etc.),
demográficas (crescimento da população, urbanização,
fecundidade, etc.), ambientais (poluição, clima, etc.) e
culturais (do país e da região, que exercem forte influência
sobre o comportamento das pessoas nas organizações).
[4] São apontados, também, 4 modos de monitoramento:
a) exposição não-direcionada (exposição
ao ambiente externo sem um objetivo específico ou, apenas para explorar
o ambiente); b) exposição direcionada (exposição
direta a uma categoria relativamente bem-definida de informação);
c) busca informal (esforço limitado e não-estruturado de
se obter informação específica para objetivos específicos)
e, d) busca formal (esforço deliberado, a partir de metodologia
bem definida, de busca de informação a respeito de temas
específicos).
[5] Ainda que as informações sobre produtos (bens e serviços)
possam ser obtidas por intermédio da divulgação de
resultado de estatísticas oficiais.
[6] Maria Luiza de A. Campo (1994), inclui, também, o tesauro
(thesaurus).
[7] Richard Stone, inglês, Prêmio Nobel de 1984 por seus
estudos sobre sistemas de contabilidade nacional e mensuração
da atividade econômica através de seus principais agregados,
como, por exemplo, o Produto Interno Bruto, a Renda Nacional e a Poupança
Nacional.
[8] Conhecida, também, em inglês, pela sigla ISIC –International
Standard Industrial Classification of all economic activities. Foi, por
diversas vezes atualizada, estando, atualmente na Ver. 3, publicada em
1990.
[9] Sobre a compatibilização entre instrumentos de classificação,
consultar CAMPOS (2002).
[10] Sem a notação, por enquanto, empregada como um instrumento
de codificação.
[11] O mercado é uma construção lógica
e que se segue à divisão do trabalho e surge quando um indivíduo
produz mais do que consome (quantidade) e não produz tudo o que
consome (variedade). Nas sociedades mais pré-capitalistas havia
um ‘mercado público’ no qual as informações eram amplamente
divulgadas, reduzindo o custo de transação. Era fundamental
que o conhecimento das informações necessárias à
troca fosse amplo. No capitalismo, o mercado de bens apresenta uma enorme
gama de características que definem a sua amplitude e diversidade:
caráter universal da demanda; facilidade com que a mercadoria pode
ser descrita, classificada e dela retirada uma amostra representativa;
durabilidade e suas relações entre valor, volume e peso.
Essas características definem se um mercado é global ou local,
geral ou especializado. Além disso, os mercados funcionam à
distância, não há contatos diretos. A sua complexidade
atual tem origens históricas, e se relaciona com a história
das instituições. Não se pode, por exemplo, pensar
o mercado sem moeda, sem normas jurídicas que explicitem os direitos
de propriedade e garantam os direitos dos envolvidos, nas transações
e regras de competição. Portanto, o mercado é uma
construção social.
[12] Por exemplo, em determinadas condições, a margarina
vegetal compete com o óleo vegetal. Portanto, haveria um mercado
para esses produtos embora a substituição entre margarina
e óleo vegetal só seja percebida por alguns consumidores.
No caso de um mercado intermediário, o gás natural e o óleo
combustível são substitutos em determinadas indústrias
(quando são usados no aquecimento) e em outras não (quando
o gás é usado como matéria-prima).
[13] As atividades inovativas compreendem todos os passos científicos,
tecnológicos, organizacionais, financeiros e comerciais, inclusive
o investimento em novos conhecimentos, que, efetiva ou potencialmente,
levem à introdução de produtos ou processos tecnologicamente
novos ou substancialmente melhorados. (ORGANIZAÇÃO PARA COOPERAÇÃO
ECONÔMICA E DESENVOLVIMENTO – OECD), Manual de Oslo, 1997, p.(44).
Os resultados da Pesquisa Industrial - Inovação Tecnológica
- (PINTEC 2000) do IBGE mostraram que é o elevado número
de empresas que atribuíram importância alta ou média
para a atividade de aquisição de máquinas e equipamentos.
(IBGE, 2002(b)).
[14] Ver, por exemplo, o endereço do Banco Mundial que acompanha
indicadores específicos sobre a regulação dos negócios
- <http://rru.worldbank.org/DoingBusiness>
[15] Saindo do contexto histórico, Porcaro (2001) considera
que as estatísticas são representações numéricas
da realidade a qual buscam mensurar, apoiando-se em interpretações
teóricas que modelam aspectos da realidade.
[16] A produção de informações está
associada a órgãos das diversas esferas de governo que respondem
pela produção das estatísticas, tendo por base as
orientações e recomendações conceituais e metodológicas
de organismos internacionais, que buscam harmonizar as estatísticas
com o propósito de comparação entre nações
(United Nations (Statistics Division, FAO e UNESCO, o World Bank, o International
Monetary Fund - IMF, dentre outras). (PORCARO, 2001). As informações
estatísticas estão associadas à estas características
e podem ser referenciadas, no país, ao órgão coordenador
do sistema, o IBGE.
[17] Com relação aos ativos financeiros não controlados
pelo BACEN, em especial os títulos mobiliários (ações,
debêntures, etc.), a instituição responsável
é a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que tem
o objetivo de fiscalizar, regulamentar e desenvolver o mercado de valores
mobiliários. Ainda compondo as instituições líderes
responsáveis pelas informações financeiras fundamentais,
encontra-se o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), por ser a instituição responsável pelo financiamento
do investimento produtivo, que por sua vez depende da taxa de juros de
longo prazo (TJLP).
[18] De acordo com Porter (1998), a competitividade moderna depende
do ambiente de negócios do local e, normalmente, os clusters têm
origens históricas que precisam ser conhecidas para entender as
razões do seu sucesso e o de suas empresas. As informações
biográficas dos empresários muitas vezes se associam à
história da própria empresa e região, mas aquelas
referentes aos executivos e dirigentes são pouco utilizadas no Brasil,
em função da alta concentração de empresas
familiares, administradas pela pelos proprietários. Para grandes
empresas, essas informações oferecem a possibilidade de se
relacionar o estilo dos seus executivos com as ações futuras
da empresa.
[19] Em outros casos, são construídos grupos específicos
de produtos com características semelhantes em relação
aos seus mercados (por exemplo, embalagens, que podem ser de vidro, metal
ou papel). São informações relevantes, mas não
obedecem aos critérios de comparabilidade dos órgãos
de estatística.
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Sobre os autores / About the Authors:
Antonio Braz de Oliveira e Silva
abraz@netic.com.br
Doutorando em Ciência da Informação, Escola de Ciência
da Informação da UFMG.
Analista do IBGE e membro do Netic - Núcleo de Estudos em Tecnologias
para Informação e Conhecimento (http://www.netic.com.br).
Marcus José de Oliveira Campos
maje@uninet.com.br
Doutorando em Desenvolvimento Agrícola, Curso de Pós-Graduação
em Agricultura, Desenvolvimento e Sociedade (CPDA) - UFRRJ.
Mestre em Ciência da Informação - IBCIT - UFRJ.
Analista do IBGE e colaborador do Netic.
Wladmir Cardoso Brandão
wbrandao@netic.com.br
Mestre em Ciência da Informação, Escola de Ciência
da Informação UFMG.
Membro do Netic.