DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação - v.7   n.5   out/06                       COLUNAS

Memória do futuro, fragrância do porvir
por Aldo de Albuquerque Barreto


A informação é definida por nós como estruturas significantes com competência e intenção para gerar conhecimento. Indicada como precursora de uma intenção de conhecimento necessita de uma base para fixar esta mediação intencionada que denominamos de  estrutura de informação.

Uma estrutura de informação seria qualquer inscrição de informação em uma base física que a aceite;  é então pensada como sendo um conjunto de elementos que formam um todo ordenado e com seguimento lógico.    Neste caso, assumo o pressuposto de que, uma estrutura de informação textual, um texto de informação, possui características de linguagem que admitem esmiúces,  onde partes podem representar o seu todo,  tanto para processos de reformação de conteúdo,  quanto para análises visando a eficiência de armazenagem.

Todas essas atividades conduzem para uma chamada organização de estoques de informação. Este seria um repositório potencial de conhecimento por almoxarifar estruturas com informação. É estático e não produz, por si só, conhecimento. As estruturas significantes armazenadas possuem a competência para produzir conhecimento que só se efetiva a partir de uma ação de transferência mutuamente consentida entre a fonte (os estoques) e um receptor. Estes estoques seriam os acervos de bibliotecas, arquivos, museus e outros artefatos  de informação.

A geração de estoques adotou para si os preceitos de produtividade e da técnica como racional de formato. A crescente produção de informação precisa ser reunida e armazenada de forma eficiente, obedecendo a critérios de produtividade na estocagem, onde o maior número de estruturas informacionais deve ser colocada em um menor espaço possível dentro de limites da eficácia e custo.

Nesta formação existe sempre uma  forma pela qual uma certa visão de mundo é imposta a estes estoques através de sua ordem e suas categorias; ordem que o tempo acolhe mas, também, tendência uma visão de  semelhança  e rejeita a entrada . Na decisão do que colocar no estoque cada escolha exclui uma outra, uma opção é aceita outras são descartadas. A seleção dos documentos formadores do estoque ocorre em paralelo ao ato de censura.

No processo de  preparação da informação para armazenagem institucional se utilizam universos particulares de linguagem, as metalinguagens que são empregadas como instrumentos transformadores do conteúdo dos textos na indústria da informação.  Ao receptor  se oculta informação por diferentes decisões políticas: de caráter econômico para visar a eficiência dos arquivos ou de caráter autoritário quando a intenção é censurar um conteúdo,  para este não ser de conhecimento público.

Neste sentido quanto mais técnica estiver entrelaçada no processo de geração, estocagem  e disseminação maior a possibilidade de se ocultar a informação do receptor. Seria, assim, coerente supor que, em um ambiente intenso em tecnologia de informação e sua disseminação, em estoques digitais, seria muito maior o poder e o perigo de ocultação da informação, pelos  administradores, destes estoques. Isto como uma conseqüência do poder da técnica e  não de problemas relacionados com o crescimento do volume da informação.

Há que se esperar que uma atitude ética prevaleça na criação e fluxo da informação criando uma entorno de liberdade. A liberdade é uma determinação fundamental da estrutura do mundo, do homem e da circulação da informação. Sem a esperança nesta liberdade a informação retorna a idade média prisioneira dos muros abismais dos monastérios que "guardavam" o saber.

"Bendita sejas esperança, memória do futuro, fragrância do porvir, marca de Deus!" [*]


[*] El tamaño de mi esperanza. J. L. Borges
 

Aldo de Albuquerque Barreto
aldoibict@alternex.com.br

Pesquisador Titular do MCT-IBICT