Tradução Samuel Titan Jr.
Páginas 304, muitas ilustrações
Acabamento Brochura
Lançamento 21/08/2006
ISBN 8535908811
Editora Cia. das Letras
Preço na Editora R$ 45,00
"A noite, que a teologia pagã dizia ser filha do Caos, não
é favoravel à descrição da ordem" [*]
Depois de viver em vários países, Manguel encontra numa
aldeia francesa o lugar perfeito para reunir seus livros: um galpão
medieval em ruínas anexo à casa paroquial, que adquire e
reforma, e onde vive há alguns anos. Aos poucos, a biblioteca toma
forma a partir de pedras soltas, caixotes abertos, pilhas de livros, reminiscências
e idiossincrasias de seu dono.
O dom narrativo de Manguel faz de cada questão prática
- qual a forma ideal de um acervo, em que ordem dispor os livros, que obras
manter e que obras descartar - o ensejo para passeios eruditos por bibliotecas
antigas e modernas, de papel ou de bits, povoadas pelos tipos mais desvairados
e cativantes. Nos quinze ensaios de A biblioteca à noite, os valores
e sentidos representados no ato de colecionar livros são esmiuçados:
afinal, ao longo da história as bibliotecas simbolizaram as aspirações
e pesadelos mais díspares da humanidade.
Aliando humor, clareza e erudição, autor mistura história
de sua biblioteca ao empenho do ser humano em colecionar livros
Na adolescência, o escritor Alberto Manguel costumava ler para
um Jorge Luis Borges já cego. Os dois tinham muito em comum, como
a nacionalidade argentina e a paixão pela literatura. Mas, se a
biblioteca de Borges continha apenas 500 exemplares, a de Manguel, hoje
com 58 anos, alcança atualmente 35 mil volumes.
- Ao contrário de Borges, gosto de colecionar livros. Sou fetichista. Por pior que seja um livro, é impossível para mim me desfazer dele - diz Manguel, que lançou domingo passado no Rio "A biblioteca à noite".
Manguel nasceu em Buenos Aires, virou cidadão canadense, passou a infância em Israel e hoje vive na França. Por falta de espaço, seus livros viviam dispersos em vários endereços.
- Sofria sempre esse sentimento de perda de não ter todos os livros ao meu redor.
Busca por um lugar para abrigar todos os livros
Quando completou 50 anos, com os filhos já criados, passou a procurar um lugar para morar e abrigar todos os seus livros.
- Levou bastante tempo. Para comprar um lugar que seja grande o suficiente, é preciso ser milionário. E, como os milionários não lêem, a relação entre eles e as bibliotecas não existe.
Finalmente, encontrou numa pequena colina ao sul do Rio Loire, na França, o local ideal, por um preço em conta; De um antigo celeiro, já destruído, fez a biblioteca de seus sonhos, grande o suficiente para abrigar as obras acumuladas durante meio século. Grande em termos.
- Os livros se reproduzem sozinhos - brinca. - Se você tem cem livros numa tarde, na manhã seguinte eles são 150.
Em "A biblioteca à noite", ele fala do problema. "Numa biblioteca, nenhuma estante vazia fica assim por muito tempo. Como a natureza, as bibliotecas têm horror ao vácuo", escreve o autor de obras como "Uma história da leitura" e "Os livros e os dias".
Aliando humor e erudição, clareza e densidade, "A biblioteca à noite" é um livro que se lê com prazer - que, para Borges, era a única forma de leitura que contava. Manguel é um grande contador de histórias, e intercala sua experiência pessoal com relatos variados para, em 15 ensaios, investigar o porquê desse empenho infinito de colecionar todo tipo de informação.
O título do livro refere-se ao horário preferido por Manguel para estar junto a seus livros. "Durante o dia, escrevo, folheio, reorganizo livros, instalo as novas aquisições, transfiro seções inteiras por conta do espaço. (...) À noite, posso ler com uma despreocupação que beira a leviandade", escreve. Nos ensaios, ele passeia por temas como a forma das bibliotecas - a sua é baixa e comprida. O livro traz numerosas ilustrações, como a imagem da imponente Biblioteca de Catalunya, em Barcelona, com seu teto semicilíndrico.
No capítulo "Ordem", ele escreve: "Sempre que entro numa biblioteca, o que mais me impressiona é a forma pela qual uma certa visão de mundo é imposta ao leitor por meio de sua ordem e suas categorias.Toda biblioteca ao mesmo tempo acolhe e rejeita. Cada escolha exclui uma outra, uma opção descartada. O ato de leitura corre infinitamente em paralelo ao ato de censura". Cada leitor cria seu próprio sistema de organização dos livros, que pode ser por língua, cor, grau de afeição, assunto, tamanho.
- Toda ordem é também desordem. Por exemplo, García Márquez eu ponho no "G", mas Garcia Lorca, no "L". Tem que ser um relacionamento que me permita encontrar meus livros.
A biblioteca de Manguel é, como ele mesmo define, um memorando de dois anseios impossíveis - a vontade de conter todas as línguas da Torre de Babel e o desejo de possuir todos os tomos de Alexandria.
O escritor se diz um cético moderado sobre a universalização da biblioteca virtual. "Ao contrário do livro, a web não será o receptáculo de nosso passado cosmopolita, pois não é e jamais será um livro", escreve ele, explicando que as duas bibliotecas - a de papel e a eletrônica - devem coexistir. Infelizmente, ele mostra exemplos de como a primeira tem sido destruída em todo o mundo.
- Nunca na história da Humanidade houve uma tecnologia com uma impulsão econômica tão forte quanto a eletrônica. Mas um livro tem muito mais duração do que qualquer objeto eletrônico, seja disque1 ou CD. A rede nos brinda com ilusão de termos acesso a tudo o que é quase como dizer que não temos acesso a nada - diz ele, que não tem e-mail.
Indústria aplica ao livro mesmas regras que à pizza
Manguel também se mostra preocupado com o baixo nível cultural em todo o mundo, especialmente na América do Norte.
- No mundo anglo-saxão, é desastroso. O limite da cultura deles é sua própria língua. O nível de tradução era baixíssimo ficava em torno de 1 % do que se publicava, incluindo aí manuais de eletrônica japoneses. Agora, é menos de 1% - conta. - Escritores que em outro momento, seriam publicados para vender em supermercados agora ocupam o lugar de gente importante. Disseram a Doris Lessing que não iam publicar seu último romance porque o anterior não tinha vendido o suficiente. A indústria do livro está aplicando as mesmas regras industriais que aplica ao sapato, ao ovo, à pizza. É o fast-food da literatura.
O autor, que escreve em inglês, conta que, ao citar Flaubert, precisa destacar que se trata de um escritor francês Nas traduções, pede que tirem essa explicação, porque soaria risível. A nova obra de Manguel é uma fascinante declaração de amor às bibliotecas. Se elas vão durar, ele responde:
- Elas vão existir enquanto tenhamos um sentido de tempo. São a forma mais eficaz de manter uma memória coletiva. Se não, nos converteremos em seres sem memória - explica ele, que se diz um leitor voraz: -Uma das vantagens de ser leitor é que não se tem obrigação nenhuma de ser monógamo, pode-se levar para a cama quantos livros se queira. (Fonte: Mauro Ventura em O Globo, A fascinante Babel de Alberto Manguelem 2/9/2006)
Sumário:
Sobre Alberto Manguel
Nasceu em 1948, em Buenos Aires, e hoje é cidadão canadense. Passou a infância em Israel, onde seu pai era o embaixador argentino, e fez seus estudos na Argentina. Em 1968 transferiu-se para a Europa e, à exceção de um ano em que esteve de volta a Buenos Aires, onde trabalhou como jornalista para o La Nación, viveu na Espanha, na França, na Inglaterra e na Itália, ganhando a vida como leitor para várias editoras. Em meados dos anos 70, aceitou o cargo de editor-assistente das Editions du Pacifique, uma editora do Taiti. Em 1982, depois de publicar The Dictionary of Imaginary Places em colaboração com Gianni Guadalupi, mudou-se para o Canadá. Editou uma dúzia de antologias de contos sobre temas que vão do fantástico à literatura erótica. Autor de livros de ficção e não-ficção, também contribui regularmente para jornais e revistas do mundo inteiro.
[*] Sir Thomas Browne em "O Jardim de Cyrus"
Recensão escrita por Aldo de Albuquerque Barreto
BrOffice.org: CALC e Writer: trabalhe com planilhas e textos em software
livre
Renato Schechter
Rio de Janeiro, Elsevier, 2006
http://www.campus.com.br
info@elsevier.com.br
* O projeto, o autor e o livro
O projeto OpenOffice.org
A expressão "software livre" tem múltiplas interpretações
para o público e para os desenvolvedores.
No caso de um empreendimento que atingiu as dimensões mundiais
do OpenOffice.org, conhecer o projeto exige mais do que ter familiaridade
com o produto, a licença de uso e suas possíveis aplicações.
É preciso compreender as razões econômicas ou pessoais
de quem constrói a ferramenta, em que direção o desenvolvimento
está apontado e que nível de continuidade de esforços
pode ser esperado no futuro.
Que estratégia empresarial levaria uma corporação
como a Sun Microsystems - que deve prestar contas a seus acionistas
e está acostumada a boas margens no mercado em que opera - a dedicar
dezenas de desenvolvedores de alto padrão a uma inovadora suite
de escritório, num outro mercado que parecia estar estagnado e sob
quase absoluto controle de um monopólio?
Que motivações levariam os milhares de colaboradores
nas áreas de localização ( adaptação
aos diversos padrões locais e tradução ), marketing,
treinamento, documentação e edição de materiais
didáticos a participarem com ou sem remuneração?
Felizmente, muitos projetos explicitaram suas razões, como o
Apache, o GNU/Linux e o Bind - e também felizmente o modelo de criação
cooperativa de software deu conta dos objetivos. Hoje temos uma infra-estrutura
e aplicações significativas usando software livre em todas
as áreas.
No caso específico do OpenOffice.org, um bom depoimento foi
dado pela "Diva do Open-Source" da Sun, Danese Cooper, para o site SlashDot
[1]. Cooper está hoje na Intel, com as mesmas
idéias. Na entrevista, fica bem claro que o projeto quer e
vai obter "ubiquidade" através da livre distribuição
do código fonte e binários para várias plataformas,
inclusive GNU/Linux e Windows ®.
A ubiquidade é alcançada por um modelo com várias
facetas.
O centro do desenvolvimento é um formato aberto ( ODF,
OASIS Open Document Format ), baseado em XML e publicamente definido por
um organismo independente da companhia que conduz a maior parte da programação.
Quem trabalha com OpenOffice.org deixa de ter a preocupação
de armazenar documentos que seriam ilegíveis em anos ou décadas
futuras.
O primeiro eixo da estratégia é a instalação
em massa uma suite OpenOffice.org em cada mesa ou dispositivo móvel
a custo muito baixo ou gratuitamente, focando especialmente os usuários
que não toleram a mal definida "pirataria" mas também não
pretendem ficar atrelados a um modelo de negócio onde os preços
e prazos de atualização são unilateralmente determinados
pelo dono do mercado.A instalação em massa de OpenOffice.org
vem se tornando cada vez mais comum em bancos, grandes empresas, governos
e nas ONGs, inclusive no Brasil.
O segundo eixo é o uso da mesma base de código para ter
um produto de marca da Sun, o StarOffice, mas com suporte, garantia e adicionais
de serviço que só teriam mercado significativo se a "ubiquidade"
fosse alcançada. Ou seja, se alguém precisa de suporte comercial,
tem onde obter.
O terceiro eixo da estratégia, nem sempre explícito,
é reduzir a margem de lucro e o poder excessivos de uma linha de
produtos do concorrente, que torna uma grande população de
usuários individuais ou empresariais simples "assinantes" de uma
tecnologia cujo custo de desenvolvimento já foi amortizado.
Quanto aos colaboradores voluntários espalhados pelo mundo, que
jamais um produto fechado seria capaz de recrutar e pagar, basta dar um
exemplo. O mercado de algum país pequeno como a Islândia pode
ser considerado pelo monopólio pequeno demais para justificar
um minucioso esforço de localização e aperfeiçoamento.
Mas a opinião dos islandeses é bem diferente. Eles têm
as mesmas necessidades e merecem idêntica atenção quanto
às suas particularidades. Resultado? Haverá um grupo desenvolvendo
ativamente uma versão islandesa do OpenOffice.org com todos os detalhes
inclusive dicionário, medidas, datas, documentação,
divulgação, material de treinamento. Possivelmente haverá
desenvolvedores Islandeses contribuindo voluntariamente com a base de código
ou correção de bugs ( em todos os países este grupo
é menor que o anterior ). O que ocorre com a Islândia pode
ser estendido a qualquer comunidade geográfica ou profissional de
usuários - escritores, engenheiros, matemáticos, químicos,
contabilistas . . . e não estaremos longe da "ubiquidade".
Portanto, investir no aperfeiçoamento do produto e treinamento
em OpenOffice.org tem muito boas razões para pessoas, governos
e empresas.
[1] http://interviews.slashdot.org/article.pl?sid=02/05/09/0242219
O autor
Renato Schechter, engenheiro que depois de afiado por muitos anos de
exercício na especialidade original foi atraído pela área
de sistemas, é um dos pioneiros na implantação em
grande escala da suite StarOffice / OpenOffice.org em ambientes - digamos
assim - difíceis, para não dizer céticos ou hostis.
Tomei conhecimento do seu trabalho quando fui o primeiro gerente do
projeto de migração para software livre de parte da infra-estrutura,
desenvolvimento e estações de trabalho do Governo do Estado
do Rio de Janeiro, iniciado oficialmente pelo PRODERJ em 2002. Vim a saber
por técnicos formados no programa MBI (Master of Business Information)
da Coppe/UFRJ que ele havia negociado e coordenado a implantação
em uma grande empresa da suite StarOffice, com muitas vitórias e
algumas derrotas (dizem que a variedade é a chave da experiência).
Antes que voltasse para a engenharia, conseguimos contratá-lo
para o nosso projeto enquanto o OpenOffice tinha saído do beta para
a versão 1.
Planejou o treinamento por setores, criou material didático para as versões 1.x.x, avaliou e organizou referências auxiliares e finalmente iniciou a implantação e os cursos, com apoio da equipe do projeto e daqueles que conheciam o processo de desenvolvimento ( software livre ). Para quem trabalha com software, a hora da verdade de qualquer projeto é aquela em que a grande maioria dos usuários vê o produto como uma ferramenta qualquer, que deve dar resultados seja qual for o processo de desenvolvimento.
Tivemos sucesso no treinamento e implantação do OOo em
vários órgãos do estado em primeiro lugar pelo fato
de não cometermos os mesmos erros de tentativas anteriores, graças
à qualidade do material e das aulas e à persistência
do instrutor, também no papel de suporte aos usuáriios.
Avaliamos que a seleção dos tópicos e as sessões
práticas foram realizadas da forma mais eficaz para que o OOo se
tornasse realmente a ferramenta preferencial para as tarefas de escritório
do estado, com racionalização dos gastos sem perda de funções.
O livro
Este trabalho resultou de pesquisa sistemática de campo,
da prática com usuários de todos os níveis de experiência
anterior com suites de escritório e dos métodos mais simples
para alcançar cada objetivo. Abrange a versão 2 do OOo, que
traz inovações muito importantes tanto no formato de armazenamento
quanto nas funções e na interface.
O livro está estruturado em torno das "tarefas" mais importantes
na produção de documentos e considera apenas os atalhos,
menus e ações necessárias a uma tarefa de cada
vez. O leitor pode aprender em módulos no seu prório ritmo,
porém sempre com um objetivo claro e específico, de forma
que ao fim de cada módulo a sua fluência com o produto está
sempre um nível acima. Não há a preocupação
de ser exaustivo ao percorrer as fatigantes sequências de menus e
opções, porque isto demonstrou não ser eficaz para
o aprendizado. Em algumas páginas, será observado que praticamente
não há palavras, mas as etapas da tarefa se tornam perfeitamente
claras através de figuras detalhando seu passo a passo.
O livro está dividido em duas partes. A primeira, com 17 capítulos dedicados a desvendar o módulo de planilhas do BrOffice.org (denominado Calc) com emprego de fórmulas, tabelas dinâmicas, exemplos de filtros e classificações, estilos para formatação automática etc. A segunda, com 16 capítulos mostrando os recursos e as técnicas para criação de documentos de texto (módulo texto), abrangendo todos os graus de complexidade possíveis de serem encontrados a partir de um simples material sem formatação expressiva até a geração de mala direta ou a confecção de trabalhos técnicos ou acadêmicos que exigem grande número de formatações e estilos especiais. Um bom exemplo para isso é o próprio livro que foi totalmente desenvolvido nesta ferramenta.
No início de cada parte, antes mesmo de cada sumário, encontra-se um mapa dos menus que orienta o leitor através da numeração dos capítulos e seus subitens como localizar o assunto em foco.
Mesmo sendo um livro para usuários de planilhas ou de editores de texto encontra-se neste dois capítulos dedicados ao tratamento de figuras e desenhos, mostrando a simplicidade com que se pode criar formas, cores, gradientes e outros padrões de preenchimento.
Esperamos que você alcance todas as vantagens que o OpenOffice.org
2 trouxe para o mercado e que este livro facilite o caminho para a perfeita
utilização de sua interface. Sabemos que o método
funciona porque já o testamos nas situações mais variadas,
com bons resultados. Mãos à obra e bom trabalho!